Plano “Made in China 2025” : conheça a meta chinesa de transformar o país em um gigante de tecnologia

O governo chinês quer acabar com a imagem do país como um simples fabricante de bens de baixo valor agregado. Ele quer transformar a China em um importante produtor de robôs, aviões, carros elétricos, medicamentos, equipamentos espaciais, etc. Essa meta governamental tem nome e prazo de validade: “Made in China 2025”. Quer saber mais sobre o plano chinês? Continue lendo o artigo!

 

O que é o plano “Made in China 2025”?

Desde que Donald Trump assumiu o governo estadunidense, com seu discurso comercial protecionista, a forte preocupação chinesa em deixar de ser dependente de tecnologia de outros países só aumentou.

 

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Em maio deste ano, o governo chinês lançou o voo inaugural de um avião que já estava em desenvolvimento desde 2008: o C919. Esta é a primeira aeronave comercial de grande porte fabricada na China, e é considerada o primeiro passo para transformar o gigante asiático em um país produtor de alta tecnologia. O C919 tenta disputar o mercado atualmente dominado pela Airbus e pela Boeing.

O modelo é o símbolo do plano governamental chinês chamado “Made in China 2025”. Ele tem capacidade para transportar entre 158 e 168 passageiros. Além disso, é capaz de fazer viagens de até 5.550 quilômetros e, ainda, emite 12% a menos de dióxido de carbono que seus concorrentes, o americano B737 (Boeing) e o europeu A320 (Airbus).

 

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O avião C919 é o símbolo do plano “Made in China 2025”

 

Com o plano “Made in China 2025”, o governo da China quer fabricar, além de aviões, outros produtos de alta tecnologia. Ele busca, essencialmente, tornar o país autossuficiente em desenvolvimento de tecnologia de ponta. O objetivo principal é incentivar a inovação em cerca de dez setores-chave: tecnologia avançada de informação; robótica e máquinas automatizadas; aeroespaço e equipamento aeronáutico; equipamento naval e navios de alta tecnologia; equipamento de transporte ferroviário moderno; veículos e equipamentos elétricos; equipamento de geração de energia; implementos agrícolas; novos materiais, biofármacos e produtos médicos avançados.

Para alcançar esses objetivos, o país tem criado, e continuará criando, ao lado de grandes empresas, parques tecnológicos, incubadoras e startups. Outra aposta são os chamados “centros de excelência”, áreas na China que oferecem diversos incentivos fiscais e financeiros às empresas que buscam se estabelecer no local.

 

As consequências do “Made in China 2025”

Caso seja bem sucedido, esse plano chinês será o marco de uma mudança radical na dinâmica da economia mundial. A China poderá passar de um país, cuja reputação é a de um “fabricante de imitações”, para uma nação que estará ditando a tendência e os padrões de consumo.

 

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Além disso, não é muito difícil imaginar as consequências que ele trará para a produção e o intercâmbio comercial global. Atualmente, as companhias industriais do mundo inteiro começaram a preocupar-se, já que a política de autossuficiência em tecnologia de ponta dará às empresas chinesas uma vantagem no mercado nacional, bem como no resto do mundo.

Contudo, a divulgação dessa política foi realizada em um momento bastante delicado para a China, no âmbito do comércio internacional, principalmente. Na campanha eleitoral, Donald Trump confrontou o gigante chinês em questões de comércio, ameaçando impor altas tarifas para reduzir o déficit dos EUA na balança comercial bilateral. Ainda que na semana passada, dia 09/11, o presidente estadunidense, Donald Trump, tenha – aparentemente – deixado de lado suas críticas feitas à China, ao fechar negócios bilionários com a potência asiática.

No caso do Brasil, um país que está incluído entre as maiores economias do mundo, o “Made in China em 2025” apresentará alguns obstáculos. Como afirmou o economista Rubens Barbosa, para o jornal Estadão, “trata-se talvez do mais recente e dramático exemplo de como os limites entre política econômica e comercial interna e externa desapareceram, não sendo mais possível definir uma delas sem levar em conta a outra”. Ainda segundo ele, tal realidade pede urgentemente que se discutam políticas de médio e de longo prazos, a fim de redefinir o papel do nosso país diante de uma conjuntura internacional que se transforma tão rapidamente.

 

Por Lys Brittes, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: Estadão, Gazeta do Povo

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