Pescados da China: Uma onda que levou o Brasil?

Estamos acostumados com a presença chinesa em nossas vidas, por diversas formas: nas universidades, na cultura, mas principalmente por meio dos produtos manufaturados chineses. Os famosos “Made in China” fazem grande sucesso e vêm crescendo em qualidade, mantendo preços competitivos. Contudo, o gigante asiático não exporta e produz em massa apenas produtos de tecnologia, mas também disponibiliza bens alimentícios que estão presentes nas mesas dos brasileiros, assim como os pescados da China.

 

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Imagem de China.org

Os chineses exploram diversas parcelas do mercado, se fazendo presentes em setores em todo o mundo, oferecendo produtos com diferenciais dos produtos nacionais. Essa presença massiva se deve por principalmente aos preços. De modo que, entre setores produtivos diversos, se destacam muito os pescados da China, mesmo que os brasileiros nem imaginem estar comendo frutos do mar vindos da Ásia.

 

A grande importação de Pescados da China

No Brasil há um grande consumo de carne de peixes, muitas vezes em razão de datas especiais como a Semana Santa. Apesar disso, não imaginamos que o fruto do mar que está compondo a nossa refeição tenha viajado um longo caminho para chegar ao Brasil e ser preparado em nossas casas e restaurantes. Assim, no Brasil há uma massiva importação desses produtos vindos de países da Ásia como o Vietnã, mas principalmente da China.

Logo, cerca de 2,5 milhões de toneladas de peixes asiáticos desembarcaram no Porto de Santos desde o início de 2015. E para termos uma noção de como esse negócio é crescente, em 2013, foram importadas 92 mil toneladas de pescado chinês, 12 vezes mais do que as 7,2 mil toneladas de 2009.

 

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A importação de Pescados da China é enorme. Imagem de G1.globo.com

Ademais, no mesmo período, as importações de pescado do Vietnã saltaram de 3,2 mil para 54 mil toneladas. Em 2010, a China e o Vietnã, somados, ultrapassaram o Chile como principal fornecedor de pescados para o Brasil.

Tal importação ocorre pois o consumo de pescados no Brasil cresceu 45% nos últimos cinco anos, segundo o Ministério da Pesca e da Aquicultura, chegando a uma média de 11,1 kg per capita ao ano. Como a produção não cresce no mesmo ritmo, o país precisa importar para suprir sua demanda e um dos caminhos percorridos é a importação de pescados da China.

 

O Caso da Bahia na importação de Pescados da China

Assim, ao analisar o mercado brasileiro de importação de pescados da China, um estado do país que reflete bem essa situação é a Bahia. Um terço dos peixes importados para a Bahia vem da China – polaca do Alasca, filé de bacalhau, bacalhau do Pacífico encontrados nos refrigeradores dos supermercados viajam mais de 15 mil quilômetros antes de chegar até sua mesa.

A China é o maior exportador de pescados para o estado, sendo responsável por 33,7% dos peixes que entram na Bahia. No período da Semana Santa, a importação de pescados da China é ainda maior e a estimativa é de incremento na venda de pescados, mariscos e crustáceos em 35% no estado, de acordo com a Bahia Pesca, empresa do governo estadual com finalidade de incentivar a cadeia produtiva do setor.

Em 2017, 1.850 toneladas de pescados, mariscos e crustáceos foram importados para a Bahia no total – o valor foi 11,4% menor que no ano anterior. Ainda liderando o ranking, a participação dos chineses nas importações também caiu 17,4% entre 2016 e 2017.

A Bahia tem o maior litoral brasileiro, com 1.181 km de extensão, mas a produção de peixes no estado não atende à demanda de consumo. O número de importações de pescados é maior que o de exportações. Em janeiro e fevereiro deste ano, o valor arrecadado com exportação foi US$ 118 mil, muito aquém dos US$ 2,8 milhões investidos na importação de peixes e frutos do mar no mesmo período.

 

Vantagens de importar pescados da China e sua produção

No entanto, podem surgir dúvidas como: mesmo sendo necessário importar, porque seria vantajoso importar pescados da China que é tão distante? E outra: a China tem a mesma variedade de peixes e outros frutos do mar como estamos acostumados no Brasil?

Em resposta à tais dúvidas sobre a variedade, podemos afirmar que a China se preocupa com a produção crescente e variada de seus pescados e muitas vezes importa peixes de outras localidades. Contudo, apesar de todo esse processo, os pescados da China ainda conseguem ficar competitivos no mercado e apresentar preços menores. Em muitos casos os brasileiros demonstram gostar bastante com o sabor da carne dos peixes importados pelo Brasil.

 

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A grande produção chinesa. Imagem de Saperj.com

Logo, para considerar um exemplo de vantagem de importar pescados da China, em uma peixaria de Rio Preto, a pescada do Alasca, também chamada de merluza, que vem da China, sai pelo valor de R$ 7,70 o quilo. Já a da argentina custa R$ 9,80 e o quilo do filé do bacalhau fresco está custando R$19,90.

Em outra peixaria da cidade, as vendas também aumentaram mais de 20% desde que os pescados da China chegaram. Pois a pescada que vem China está sendo vendida por R$ 9,80 enquanto a da argentina, R$ 9,90. A lula, de 400 gramas, está custando R$ 9,50 e o bacalhau fresco R$ 18,90 o quilo. Assim, com os preços mais competitivos dos pescados importados, quem ganha é o consumidor.

 

Conflitos sobre os pescados da China no mercado interno

Assim, ao ponderar o baixo preço dos pescados da China, muitos consideram que o mercado se torna mais competitivo e isso é um fator benéfico. Mas os produtores locais se mostram descontentes, considerando uma competição injusta em que o mercado local é prejudicado e alegam muitas vezes problemas sanitários com o produto.

Contudo, tal fator não é mais um risco pois o Brasil já realiza uma dura fiscalização e os produtos que podem ser importados apresentam boa qualidade.

Dado o exposto, os pescados da China são mais um produto do gigante asiático que vem conquistando o mercado brasileiro e aumentando ainda mais nossas relações com o país, apresentando grande variedade e preços baixos em relação aos produtos do setor no mercado brasileiro.

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Por Pedro Mochiatti Guijo, diretamente de Marília, SP – Brasil.

Fontes: Aquaculturebrasil.com, Vejasp.abril.com, Otempo.com, Correio24horas.com, Gazetadopovo.com, G1.globo.com.

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