Pandas: um grande recurso da diplomacia chinesa

O panda-gigante é uma espécie de urso que se desenvolveu exclusivamente na China. Seu pelo preto e branco e seu jeito “atrapalhado” atraíram a atenção das pessoas ao redor de todo o mundo. A espécie é muito dócil, e só ataca pessoas quando fica extremamente irritado. Toda essa “fofura” e simpatia fizeram do panda não apenas um símbolo de grupos de preservação dos animais (uma vez que a espécie foi por muitos anos ameaçada de extinção), como também um forte símbolo cultural e de propaganda. Marcas ao redor do mundo adotaram o símbolo do animal em suas propagandas, além das produções cinematográficas para o público infantil, como o famoso “Kung Fu Panda” de 2008, produzido pela Dreamworks. A forte imagem do panda fez com que a China, único lugar onde a espécie se desenvolveu, o considerasse como um “tesouro nacional”, e a espécie é usada até mesmo como ferramenta diplomática.  Quer saber mais? Continue com a gente!

 

Pandas.
Pandas gigantes chineses

 

Os pandas diplomatas

Através da história da China, foram muitos os eventos curiosos em sua economia, política, cultura e sociedade. E nesse caso, a diplomacia não escapou. Por muitos anos, a China usou e ainda usa o seu animal de orgulho nacional como presente para estreitar relações com outras nações. O primeiro registro do uso de pandas como uma ferramenta diplomática, vem da dinastia Tang, quando a imperatriz chinesa Wu Zetian (que reinou entre os anos de 690 D.C e 705 D.C), deu de presente dois ursos panda ao imperador do Japão.

 

Pandas
A imperatriz chinesa Wu Zetian – Image by: Women of China

 

A prática seria adotada novamente em 1957, no governo de Mao Tsé-Tung e o envio de um urso panda chamado “Ping Ping” para a União Soviética. A partir de então, a prática de presentear os países parceiros com os pandas seria uma espécie de “selo de aprovação” do governo da China, já que muitas vezes os presentes vinham acompanhados de negócios nos setores comerciais, econômicos e políticos. Os pandas representavam até mesmo a insatisfação da China, uma vez que, quando incomodado com a postura de algum parceiro em potencial, o governo chinês evitava entregar os “presentes”.

Entretanto, em 1982, a China decidiu que “dar” os animais como presentes não era uma boa ideia, uma vez que a espécie enfrentava um risco cada vez maior de extinção. Ao invés disso, o país passou a “emprestar” os pandas para zoológicos de países seletos, ao custo de um milhão de dólares ao ano por panda. Além disso, a China “empresta” seus pandas porque de acordo com essa política, todos os pandas do mundo pertencem à China. Sendo assim, até mesmo possíveis filhotes que venham a nascer no exterior, pertencem igualmente ao país.

Presentear um parceiro comercial com pandas pode ser visto como uma medida muito simples e até mesmo rasa por alguns, mas considerando que o animal possui uma forte imagem de mídia, alguns especialistas consideram o empréstimo de pandas como uma forma da China de exercer seu “soft power”, ou seja, influenciar de forma sutil seus parceiros a buscarem maior proximidade com seu país e sua cultura. Vale ressaltar que o valor cobrado pelos empréstimos de pandas é redirecionado para pesquisas de preservação da espécie, o que é algo de grande importância para a China, pensando na preservação de seu “tesouro nacional”.

 

Resultados positivos e atritos da “diplomacia dos pandas”

O mais recente empréstimo de pandas da China foi para a Alemanha, em 2017, no qual os pandas Jiao Quing e Meng Meng foram presenteados em uma cerimônia na qual estiveram presentes o prefeito de Berlim, o embaixador chinês de Berlim, o presidente da China, Xi Jinping, e a chanceler alemã, Ângela Merkel. O evento foi repleto de sorrisos, e de acordo com o Global Times, o presidente Xi Jinping “expressou a esperança de que Meng Meng e Jiao Quing servirão como os novos embaixadores, promovendo a amizade entre os povos”. Ao mesmo tempo, a chanceler Ângela Merkel comentou sobre aproveitar a oportunidade para fortalecer as trocas culturais com a China.

 

Pandas
Ângela Merkel recebe os pandas junto a Xi Jinping – Image by: The Irish Times

 

Embora o caso alemão tenha tido grande sucesso, nem sempre a diplomacia dos pandas é feita apenas de sorrisos e gestos amigáveis. Em 2014, com a queda e desaparecimento do voo MH370, que tinha ao menos 150 cidadãos chineses a bordo, provocou atritos com o governo da Malásia. Tanto o povo chinês quanto o governo sentiram que a Malásia “bagunçou” as investigações e buscas. Isso provocou um adiamento no empréstimo de dois pandas que viveriam por dez anos no zoológico de Kuala Lumpur, numa demonstração do descontentamento chinês com a situação. Eventualmente, os pandas foram enviados para a Malásia, no entanto o empréstimo foi feito com um mês de atraso.

Com essa política de “empréstimo de pandas” podemos ver a sutileza da diplomacia chinesa, que atua de uma forma curiosa para espalhar sua cultura pelo mundo. A promoção da cultura chinesa é feita não apenas pelos grandes centros culturais e de ensino, como o Instituto Confúcio, ou pelos intercâmbios culturais e de estudos, mas também de uma forma curiosa e quase inimaginável. Quer aprender mais sobre a cultura, a política ou curiosidades como essa sobre a China? Acompanhe os outros artigos do nosso blog!

 

Por Arthur Bonsaglia, diretamente de Marília – SP.

Fontes: The Times of India, Financial Times, BBC, The Diplomat.

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