O fim da política do filho único na China

Quando pensa em China, você pensa naquele governo autoritário, que nem sequer permite às pessoas terem mais de um filho? Pois bem, os seus filhos provavelmente terão uma imagem diferente do país do dragão quando tiverem a idade que você tem hoje. Sim, a política do filho único na China acabou. Agora, os chineses poderão ter dois filhos, sem restrições. Mas você sabe por que essa política começou?

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Foi na virada da década de 1970 para 1980, quando a China enfrentava um grave problema relacionado ao acelerado crescimento de sua população, crescimento esse que começou a ameaçar a estabilidade econômica do país, já que um aumento populacional descontrolado aumenta a procura por alimentos e por recursos naturais, além de representar uma carga financeira para o país durante a infância e a velhice. Assim, a política do filho único surgiu de uma necessidade que se fazia presente na China em um dado momento, não por acaso.

Mas nem por isso ela se viu livre de críticas durante todo o período em que foi posta em prática. Organizações de defesa dos Direitos Humanos constantemente denunciavam a falta de liberdade que essa política representava. Estima-se que 400 milhões de nascimentos foram evitados forçosamente como consequência direta dela. E casos de filhos indocumentados, que por isso mesmo não desfrutavam de muitos dos direitos de seus irmãos, eram frequentes. Mas nem sempre essa política foi tão rígida.

Por exemplo, as minorias étnicas ao redor de todo o país (cerca de 55) estavam isentas de seguir o controle natalício. Os casais que viviam em zonas rurais podiam ter um segundo filho, caso o primeiro fosse menina. A partir de 2013, casais em que tanto o marido quanto a esposa fossem filhos únicos podiam ter mais de um filho. Logo após esta permissão, ter mais de um filho também passou a ser permitido aos casais em que pelo menos um dos cônjuges fosse filho único. Este relaxamento se devia ao problema da transmissão do nome da família aos descendentes, e à vontade do governo de evitar um maior descontentamento da população.

 

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Fonte: Portal de notícias G1

No entanto, estas eram as exceções à regra. Em muitos momentos, medidas coercitivas foram adotadas para impedir que mulheres dessem à luz mais de um filho. Além das altas multas, que faziam parte do projeto, abortos forçados e esterilizações em massa foram observados inúmeras vezes, e abortos seletivos femininos davam à China uma má reputação em diversos países ao redor do mundo.

O pós política do filho único

Agora, com o fim dessa política, o que muda? Os chineses terão mais filhos? Talvez. Pesquisas recentes mostram que a maioria dos casais que acabam de receber a permissão para ter o segundo filho, não estão dispostos a isso. As principais causas apontadas para explicar esse fenômeno estão relacionadas a questões financeiras e à relativa idade avançada de muitas mulheres.

Após uma geração inteira ter vivido com apenas um filho, muitos chineses se acostumaram a uma família mais reduzida, e perceberam quão custoso é sustentar mais um filho, principalmente nas cidades. Os custos relacionados à saúde, à educação, à alimentação e ao lazer já não são tão baixos como no passado. Além disso, muitos casais consideram que o fim da política do filho único veio tarde demais, e sentem que já não têm mais energia para gerar e criar mais um filho.

Pesquisa recente realizada no país mostra que apenas 30% dos chineses teriam um segundo filho imediatamente. Mais de 40% afirmaram não querer ter outro filho nem agora nem no futuro. E outros 30% disseram que talvez tenham mais um, caso as circunstâncias permitam. O que chama atenção é o fato de muitos considerarem essa possibilidade apenas se o governo financiar os custos advindos do próximo filho. Em todo caso, a vontade de aumentar a família se vê reduzida na maior parte da China.

Este é justamente um dos motivos que levaram o governo de Pequim a optar pelo término da política do filho único, como um primeiro incentivo ao aumento da taxa de natalidade chinesa. Nos últimos anos, a população do país vem envelhecendo visivelmente, e especialistas vem alertando para o perigo de falta de mão-de-obra no futuro de médio prazo. Outro problema, que já se faz presente, é o enorme rombo na Previdência Social do país. Nos últimos anos, a população que contribui para o sistema previdenciário chinês (trabalhadores de meia idade) vem diminuindo, ao mesmo tempo em que a população que depende da Previdência (aposentados) tem aumentado.

Estas questões estão sendo alvo de um ativo debate na China atualmente, e com certeza estarão no centro das atenções do próximo governo, que estará no controle do país de 2016 a 2020. A médio prazo, o término da política do filho único terá efeitos significativos na economia chinesa. No curto prazo, altera a forma pela qual a China exporta sua imagem no exterior.

 

Fontes:

 

Por Gabriel Condi, diretamente de Wuhan, Hubei, China

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