Tendências do Mercado Chinês em 2017

Nas últimas décadas, principalmente entre 1978 e 2012, a China apresentou um alto crescimento econômico, alcançando, dessa forma, não só o patamar de segunda maior economia do mundo em 2000, como também de maior exportador mundial e o segundo maior importador. Até 2014, o país possuía uma das maiores taxas de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e suas exportações e importações cresciam constantemente. No entanto, a partir de 2015, a economia chinesa vem apresentando um quadro de desaceleração. Não obstante, o crescimento econômico abaixo do esperado – de 6,7% em 2016 –, a China ainda possui importância fundamental na dinâmica econômica internacional e seu mercado oferece inúmeras possibilidades aos que pretendem investir. Confira agora algumas das novas tendências do mercado chinês.

 

Novas tendências do mercado da China em 2017

 

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As novas tendências do mercado chinês em 2017

 

Mesmo diante da preocupação com a desaceleração do crescimento da economia nacional, os consumidores chineses continuam otimistas e consumindo. No entanto, esse consumo sofreu, nos últimos anos, um processo de modernização que transformou a dinâmica comercial no país e revelou novas tendências. Esses consumidores estão se tornando mais seletivos e gastando mais com uma vida equilibrada, na qual a saúde, a família e as experiências são prioritárias. Conheça agora algumas das maiores tendências do comércio chinês em 2017.

 

Desaceleração doméstica e aceleração no mercado exterior

 

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Tendência em investir no exterior, inclusive no Brasil

 

O governo da China impôs restrições às vendas e ao crédito em seu mercado imobiliário para retardar o crescimento acelerado dos preços dos imóveis em 2016. Diante deste panorama, os investidores se voltaram para o exterior em busca de oportunidades de investimento, uma vez que, na China, a compra de imóveis, principalmente no exterior, é considerada uma das formas mais populares de investimento. Entre os principais países alvo desses investimentos estão os Estados Unidos, Austrália, Canadá, Reino Unido, Nova Zelândia e Tailândia. Além do interesse no mercado imobiliário internacional, a China continua a investir no exterior como, por exemplo, no Brasil, no qual os investimentos chineses têm crescido, principalmente, no setor de infraestrutura.

 

Realidade Virtual e experiência do usuário como diferencial

 

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As marcas chinesas estão investindo em Realidade Virtual para aprimorar a experiência de seus clientes

 

O setor de varejo no país continua a crescer em ritmo acelerado, consolidando, portanto, o mercado de varejo doméstico da China como o maior do mundo. No entanto, com este crescimento, a concorrência aumenta e as empresas devem surgir com novidades que atraiam novos clientes e os fidelizem. Uma das novas estratégias para atrair os clientes e melhorar suas experiências é o uso da Realidade Virtual. Em 2016, as demonstrações de Realidade Virtual ganhavam multidões em shopping centers, não só na China, mas também em muitos países, como o Brasil. Em 2017, os dispositivos de Realidade Virtual começaram a ganhar espaço nas empresas que procuravam melhorar a experiência de compra de seus clientes. Observamos, assim, uma nova tendência no mercado chinês. Há a previsão de que as vendas de varejo desses dispositivos crescerão de 650 milhões de yuans em 2016 a 1,6 bilhão em 2017. Praticamente todas as grandes empresas chinesas da Internet já investem pesadamente na Realidade Virtual, como é o caso, por exemplo, do Alibaba.

 

One Road, One Belt: a Nova Rota da Seda

 

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O governo chinês deve investir pesadamente na Nova Rota da Seda, também chamada de “One Road, One Belt”

 

Um dos maiores investimentos chineses da atualidade é a Nova Rota da Seda, também chamada de “One Road, One Belt”, através da qual a China criará, se concretizada, uma grande rede econômica integrada entre o Leste e o Sudeste asiáticos, englobando, portanto, países como a Índia e o Paquistão. A Nova Rota da Seda, assim como outros grandes projetos de infraestrutura do governo de Xi Jinping, tem como objetivo construir rotas comerciais mais eficientes, lançar empresas chinesas no mercado externo e fortalecer as relações políticas e a influência da China na Ásia, na África, no Oriente Médio e na Europa.

 

A influência do envelhecimento da população chinesa

 

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O envelhecimento da população chinesa também dita novas tendências no mercado do país

 

No ano de 2030, a China terá uma população de 340 milhões de aposentados com mais de 60 anos, ou seja, um aumento de 175 milhões a partir de 2016. Esse aumento da população idosa no país está criando uma nova tendência do mercado chinês: uma maior demanda por serviços de propriedade e de médicos, uma vez que os idosos querem se aposentar com conforto e qualidade de vida. Assim, os chineses procuram, cada vez mais, serviços relacionados à saúde, à aposentadoria e ao turismo. Em 2015, as despesas dos chineses em cuidados médicos no exterior representou uma quantia estimada em 10 bilhões de dólares; número que tende a crescer, tendo como destino, principalmente, países como os EUA, o Japão, a Alemanha e a Tailândia.

 

Turismo

 

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O turismo é também uma das grandes novas tendências

 

Outra tendência do mercado chinês é, certamente, o turismo. Em 2016, o turismo global cresceu, na China, 18%, tornando o país a maior fonte de turistas do mundo. O relaxamento das regras de visto para os cidadãos chineses e o aumento de conexões de voos para fora da China aumentaram, consecutivamente 13,9% e 15% em 2016 e continuarão a impulsionar o crescimento do turismo internacional na China. Além destes fatores, viajantes de cidades menos populosas do país e o grande investimento dos millennials em viagens internacionais impulsionam ainda mais o setor. No entanto, não só o turismo internacional é uma nova tendência do mercado chinês, uma vez que as viagens domésticas também representam um grande aumento no mercado do país. À medida que a infraestrutura no país melhora e as políticas governamentais fomentam o consumo interno, o turismo doméstico ganha força. Recentemente, o país anunciou que pretende injetar 2 trilhões de yuans no setor de viagens nacionais até 2020, com ajuda também do setor privado.

 

Marcas domésticas

 

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Os produtos nacionais começam a ganhar espaço e confiança entre os consumidores chineses

 

De acordo com um estudo da McKinsey & Company de 2016, a confiança em produtos nacionais em determinadas categorias vem crescendo entre os consumidores chineses nos últimos anos, embora os produtos importados ainda possuam maior preferência, como, por exemplo, no setor de cosméticos. Essa nova tendência do mercado na China pode ser observada, por exemplo, no setor de smartphones. Em 2016, os fabricantes domésticos de smartphones, como a Huawei, a Oppo e a Vivo obtiveram aumentos dramáticos em suas vendas, concorrendo diretamente com marcas internacionais, como a Apple e a Samsung.

 

Produtos Luxuosos

 

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Os consumidores chineses buscam, cada vez mais, produtos luxuosos e personalizados

 

Atualmente, os produtos luxuosos vêm se recuperando de uma desaceleração nas vendas em 2014 e 2015. No entanto, com a mudança nos padrões de consumo dos consumidores chineses, as empresas tendem a investir cada vez mais em produtos luxuosos, agindo, assim, de acordo com as novas tendências do mercado chinês. Os chineses estão se tornando cada vez mais exigentes e estão buscando produtos mais exclusivos e pessoais. Essa tendência pode ser observada, por exemplo, no mercado de cosméticos. Os consumidores continuam a viajar ao exterior para comprar produtos luxuosos, porém, esta realidade tende a mudar, ao passo que as diferenças de preços ciam e o governo imponha maiores impostos aos produtos importados.

 

Comércio eletrônico sem fronteiras

 

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O comércio eletrônico tende a continuar crescendo no mercado chinês

 

Graças ao aumento da renda no país e o crescimento da demanda por produtos autênticos e de alta qualidade, o comércio eletrônico continuará muito favorecido. O E-commerce constitui-se como uma das tendências do mercado chinês e continuará a crescer, uma vez que os chineses buscam plataformas online mais seguras e que ofereçam um grande leque de variedade de produtos.

 

Por Ana Yamashita, diretamente de Americana, SP, Brasil

Fontes: eMarketer; Juwai.com; McKinsey&Company

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