Negociações entre China e EUA podem causar impactos para o Brasil?

As relações entre a China e os Estados Unidos da América têm direta ou indiretamente impactado as negociações do império chinês com o Brasil. No entanto, a pergunta que não quer calar é: “As atuais e futuras relações entre a China e os Estados Unidos da América impactarão as negociações do Brasil?

 De forma indireta, a relação comercial entre a China e os Estados Unidos da América tem viabilizado melhorias para as exportações do Brasil. De acordo com os dados referentes às vendas de produtos nacionais ao exterior divulgados no ano de 2018, o Brasil alcançou o melhor índice de vendas em cinco anos, somando mais de 199 bilhões.

 

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As relações da China e EUA impactam o Brasil – Fonte: Direito da Comunicação

 

O aumento das negociações entre a China e o Brasil

Conforme os dados divulgados pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o último recorde de vendas ocorreu no ano de 2011, com o montante de US$ 256 bilhões. A partir do ano passado, as negociações brasileiras de soja para a China foram aumentadas a partir do momento que o país asiático impôs tarifas de 25% sobre o grão oriundo do território americano. Além das negociações da soja, as relações entre a China e os Estados Unidos da América impactaram o Brasil também devido ao aumento do valor do petróleo.

 

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As negociações de soja e petroleo entre China e Brasil – Fonte: Jornal do Comércio

 

As relações entre China e EUA e os benefícios para o Brasil

De acordo com o professor Celso Grisi, docente do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, o Brasil será beneficiado com uma boa fase de exportações com a China, principalmente por causa das relações do país asiático com os Estados Unidos da América. No entanto, os Estados Unidos da América possui um papel fundamental para a melhora da produtividade brasileira, pois existe uma necessidade do Brasil importar insumos, especialmente do país norte-americano, a fim de ampliar o setor da tecnologia e as exportações.

Conforme exposto por Celso Grisi, de uma forma generalizada, as relações entre a China e os Estados Unidos impactarão o Brasil de forma benéfica, pois haverá o aumento da quantidade de produtos que serão importados para a China, favorecendo desta forma as negociações relacionadas aos produtos agrícolas brasileiros. Além disso, segundo Grisi, os interesses dos Estados Unidos da América se estreitarão com os interesses do Brasil, viabilizando o aumento das exportações de alguns produtos, especialmente da indústria intermediária.

 

China vs. EUA: A ameaça da desaceleração mundial

E como fica o Brasil no meio dessa “briga” entre a China e o Estados Unidos da América? De acordo com as estatísticas de comércio exterior brasileiro, o país aparentemente foi beneficiado com as diferenças da China e Estados Unidos da América, principalmente por causa do aumento da compra de commodities brasileiras, tais como a soja e os barris de petróleo. No entanto, diversos economistas temem o prolongamento desta disputa durante o ano de 2019, especialmente devido ao aumento das medidas protecionistas das duas maiores economias do mundo e, um possível desaceleração mundial, da qual provavelmente acarretaria consequências impactantes para o Brasil.

De acordo com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, os cálculos desempenhados por sua equipe técnica indicam que, além dos impactos a curto prazo, os ganhos a longo prazo para as negociações do território brasileiro no mercado chinês por causa das tarifas sobre concorrentes norte-americanos seriam de aproximadamente de US$ 2 bilhões.

Com a notícia da possível desaceleração global, os efeitos globais sobre as taxas de câmbio e preços serão imprevisíveis. Um dos motivos deste cenário incerto deve-se ao encarecimento de produtos sobretaxados. A segunda razão é por causa da desvalorização de commodities devido à expectativa de menor demanda.

 Dados referentes ao FMI (Fundo Monetário Internacional), revistos em outubro, mostram uma projeção para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) mundial tanto em 2018 quanto em 2019 de 3,9% para 3,7%.

 

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O PIB brasileiro e as relações entre China e Estados Unidos – Fonte: Suno Research

 

Dado o exposto, o ano de 2019 teve o seu início com mudanças positivas para o Brasil e as suas negociações com a China, principalmente devido às relações conflituosas entre os Estados Unidos da América e o império chinês. No entanto, o desfecho das consequências desta difícil relação  para as negociações a nível de Brasil ainda é incerto e indecifrável, sendo a desaceleração mundial um acontecimento a ser temido pelos negociantes brasileiros.

 

Por Laura Mochiatti Guijo, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: Direito da Comunicação; Jornal da USP; BBC News Brasil em Buenos Aires; G1; Jornal do Comércio; Suno Research.

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