Luoyang: cidade das Grutas de Longmen e berço do budismo chinês

A cidade de Luoyang é considerada um dos berços da civilização chinesa e um centro do Budismo; é uma das quatro grandes capitais antigas da China. Localizada na área de confluência do Rio Luo e do Rio Amarelo, na província de Henan, na porção centro-leste chinesa, reúne características de uma grande metrópole e paisagens pitorescas e históricas.

 

Luoyang
Cidade de Luoyang

 

A doze quilômetros ao sul da cidade, encontram-se as Grutas de Longmen, Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, onde estão as esculturas budistas de rochas de calcário esculpidos à margem do Rio Yi. Outro atrativo da cidade é o Templo do Cavalo Branco, primeiro templo budista construído na China.

 

História de Luoyang

Ao longo dos séculos, a cidade teve vários nomes, como “Luoyi” ( 洛 邑 ) e “Luozhou ( 洛州 )”; “Dongdu”, ( 东 都 ) que significa Capital Oriental, durante a Dinastia Tang; “Xijing” ( 西京 ), que significa Capital Ocidental, durante a Dinastia Song; e também “Jingluo” ( 京 洛 ), que significa capital geral para a China. Seu nome principal é “Luoyang” (洛阳) devido à sua localização, ao norte ou ensolarado (“yang”) do Rio Luo, pois, como o rio flui de oeste para leste e o sol está ao sul do rio, o sol sempre brilha na parte norte do rio.

É uma cidade de nível de prefeitura, ou seja, uma sede administrativa chinesa e, segundo o recenseamento de 2010, os cinco distritos urbanos “construídos” detinham uma população de quase dois milhões de habitantes e toda a área do governo municipal de Luoyang englobava mais de seis milhões e meio de habitantes.

Desde o período neolítico, a maior área de Luoyang tem sido considerada sagrada e um centro geográfico chinês. Por isso, nessa região de intersecção entre o Rio Luo e o Rio Yi, várias cidades foram sendo construídas ao longo dos séculos. Na medida em que os governantes de diferentes dinastias dominavam a região, seu nome e a delimitação da capital chinesa eram alterados.

Durante diversos séculos, Luoyang foi o ponto focal da China. Em 25 d.C., Luoyang foi declarada a capital da Dinastia Han Oriental pelo Imperador Guangwu de Han, e, em 68 d.C., o primeiro templo budista da China foi fundado – o Templo do Cavalo Branco – , tornando-se um dos maiores centros do budismo chinês, cujas esculturas sobreviventes são de primordial importância para a história da arte chinesa. Conheça outros Templos Budistas da China aqui.

Em 166 d.C., a primeira missão romana enviada pelo “rei de Da Kin (império Romano), Andun (Marco Aurélio)”, chegou a Luoyang, vindo da prefeitura de Rinan (atual Vietnã central), por via marítima. No fim do século II, a China entrou em decadência devido à rebelião dos Turbantes Amarelos, que, embora derrotada pelas tropas imperiais em 184 d.C., enfraqueceu o Estado ao ponto de culminar numa guerra civil e no incêndio da capital Luoyang. Em seguida, houve um estado de contínua instabilidade e guerras na China até uma paz provisória em 220 d.C., mas com o estabelecimento de três reinos provisórios ao invés de um império unificado.

Luoyang voltou a ocupar uma posição de destaque quando o imperador Cao Pi, da Dinastia Wei, declarou-a sua capital em 220 d.C. A Dinastia que sucedeu a Wei também reinou a partir de Luoyang. Quando a Dinastia Jin foi derrotada pelos Xiongnus, em 311 d.C., foi forçada a transferir sua capital para Jiankang (atual Nanquim). Os xiongnus saquearam e quase destruíram Luoyang. Posteriormente, em 493 d.C.,  a Dinastia Wei do Norte transferiu sua capital de Datong para Luoyang e começou a construção das Grutas de Longmen, reunindo mais de trinta mil estátuas budistas, muitas de face dupla. Também nessa época foi construído o Templo Yongning, que possuía um pagode (torre com múltiplas beiradas) de nove andares.

Quando o imperador Sui Yangdi assumiu a região em 604 d.C., fundou uma nova Luoyang no lugar da cidade antiga, baseando-se no modelo urbanístico que o seu pai, Yang Jian, havia aplicado na reconstruída Chang’an. No entanto, após uma rebelião, em meados do século VIII, Luoyang sofreu um declínio econômico que durou até meados do século XX. Subsequentemente, apresentou uma recuperação econômica substancial, com vários projetos industriais em larga escala e tornou-se uma das principais cidades industriais da China. Na década de 1980, acrescentou-se ao cenário urbano de Luoyang indústrias metalúrgicas, petroquímicas, têxteis e de processamento de alimentos, além de ser um importante centro de transporte local.

Em documentos históricos e ficção, Luoyang é sempre retratada como um poderoso centro político e, em meados do século X, já havia sido uma metrópole movimentada e passou metade de sua história, de mais de três mil anos, como a capital de 13 dinastias. A cidade é um importante centro cultural e é uma das cidades históricas e culturais reconhecidas nacionalmente. Possui várias instituições de ensino superior, incluindo a Universidade de Ciência e Tecnologia de Henan, diversas atrações turísticas como as ruínas dos antigos capitais dinásticos em torno da cidade, o complexo das Grutas de Longmen e outros templos budistas históricos, dentre eles, o Templo do Cavalo Branco. A cidade é conhecida pelas suas peônias, e a sua exposição anual de peões de primavera atrai muitos visitantes.

Além disso, o governo local está investindo milhares de bilhões para restaurar a grandeza do que se acredita ter sido a cidade mais populosa do mundo no final do século XII. Hoje, Luoyang tem mais de sete milhões de pessoas. O PIB em 2016 foi avaliado em 379,5 bilhões de yuans (US $ 57,5 bilhões), ocupando o segundo lugar na província de Henan e 51º entre todas as cidades da China. As perspectivas para a região são as melhores e, segundo o secretário do partido de Luoyang, Li Ya, além da recuperação econômica, o planejamento e a reconstrução da cidade estão interligados com a proteção da relíquia cultural e ambiental. Ele resume a estratégia de desenvolvimento da cidade como “9 + 2”, ou seja, pretende construir sistemas de inovação, indústrias, mercado, urbanização, e infra-estrutura modernos; fortalecer sua herança cultural e preservar o meio ambiente.

 

Grutas de Longmen

As Grutas de Longmen, também chamadas de Grutas do Portão do Dragão ou Parque Nacional de Longmen, estão localizadas entre duas montanhas, separadas pelo Rio Yi. Compostas por cerca de 2.345 cavernas e nichos artificiais que se estendem por um quilômetro, com mais de cem mil estátuas de budas. Estima-se que mais de 30% das grutas foram escavadas no período da Dinastia Wei, 60% na Dinastia Tang e 10% em dinastias posteriores, escavadas meticulosamente à mão em paredões de rocha calcária.

 

Luoyang
Grutas de Luoyang

 

As Grutas não possuem valor apenas religioso, mas também histórico, pois retratam a sociedade da época, sua política, economia e cultura, formando um grande complexo de templos budistas escavados na rocha, formados por cavernas, enormes estátuas e arte em relevo. Em 2000, foram declaradas Patrimônio Mundial pela UNESCO.

Infelizmente, os monumentos foram desgastados com a ação das intempéries e até de vandalismo ao longo dos séculos, mas a grandeza da paisagem foi preservada e encanta pessoas ao redor do mundo todo, atraindo milhares de turistas todos os anos.

O estilo da escultura, o design das roupas e a fácil expressão das estátuas, bem como os métodos de escultura, demostram uma clara progressão no estilo artístico ao longo de meio milênio representado nas cavernas. As primeiras esculturas têm a forma de círculos, estátuas simples e modelagem formal de homens budistas sagrados, enquanto aquelas que foram feitas durante a Dinastia Tang são mais complexas, com proporções maiores.

A Gruta mais antiga e maior de Longmen é a Guyangdong, localizada no centro da colina ocidental, com três estátuas de budas na parede do fundo; a mais preservada é a Huangfugong, também localizada no centro da colina ocidental; e o destaque é a Fengxiansi, com nove estátuas colossais, incluindo uma de 17 metros de altura de um buda sentado, denominado de Buda de Vairocana.

 

Luoyang
Vista da Gruta de Fengxiansi

 

Há uma ponte de pedestres interligando as duas margens do rio, e na porção oeste localizam-se as principais cavernas. Para conhecer toda a extensão de Longmen, é necessário fazer uma caminhada de quase três quilômetros e subir muitos degraus, também é possível realizar passeios de barco que proporcionam ótimas vistas do lugar.

 

Templo do Cavalo Branco

O Templo do Cavalo Branco, também chamado de Templo Baima, Báimǎ Sì (白马寺), foi construído na capital da Dinastia Han Oriental, em 68 d.C., sob o patronato do imperador Ming de Han. Localizado a doze quilômetros a leste de Luoyang, logo após as muralhas que circundavam a antiga capital. Embora pequeno em comparação a outros templos chineses, é considerado de grande importância, o berço do budismo chinês, pois foi o primeiro templo budista a ser construído na China.

O templo compõe-se de um complexo de templos, os principais deles reconstruídos durante as Dinastias Ming (1368-1644) e Qing (1644-1912). Eles foram reformados na década de 1950 e novamente em março de 1973, após a Revolução Cultural Chinesa. As placas informativas em chinês e inglês descrevem, em detalhes, as divindades budistas representadas nos corredores, como Sidarta Gautama, Maitreya, o Buda de Jade, Avalokiteshvara, Amitaba, diversos arhats e, na entrada, os dois cavalos brancos que teriam trazido os monges indianos para a China e dois leões míticos. Possui diversos corredores divididos por pátios e jardins, ocupando uma área de aproximadamente 13 hectares. O templo passou por mudanças estruturais e internas, através de financiamentos nacionais e internacionais.

O primeiro prédio do templo é o Salão dos Reis Celestiais, com uma escultura em madeira de uma das representações mais famosas de Buda, o Buda da Sorte, que, com sua grande barriga, simboliza fartura e saúde. Nas laterais estão as estátuas em barro e seda dos quatro Reis sagrados que protegem os templos dos maus espíritos e das guerras. Há ainda o Salão do Buda Deitado, representando o alcance do Nirvana; e o Salão Principal com três figuras de Buda representando o passado, o presente e o futuro. Os telhados dos templos não apenas protegem contra as intempéries, mas também contra os maus espíritos que, segundo a crença, só andariam em linha reta. Por isso possuem belos beirais curvos com madeiramento admirável, onde todos os elementos são encaixados e pintados com cores exuberantes.

Existem muitas versões explicando a etimologia e a fundação do templo, dentre elas, que o imperador Ming havia sonhado com um buda implementando o budismo na China, e enviou dois emissários em busca de escrituras budistas. Eles encontraram dois monges budistas indianos no Afeganistão e os convenceram a voltar com eles à China com escrituras, relíquias e estátuas budistas carregadas em dois cavalos brancos. O imperador, agradecido pela vinda dos monges indianos à China, construiu um templo em honra aos monges, nomeando-o de “Templo do Cavalo Branco” ou “Templo Baima”, em agradecimento aos cavalos brancos que haviam transportado os monges. Os monges passaram a residir no templo, onde se dedicaram à tradução das escrituras budistas para a língua chinesa. A partir de então, o budismo se desenvolveu na China, ganhando um novo impulso no século V, com a chegada do monge indiano Bodhidharma. A introdução do budismo na China influenciou poderosamente na moral, ética e pensamento do país.

É possível visitar o templo através de ônibus ou estação férrea a partir de Luoyang. O aeroporto de Luoyang está localizado a cerca de 10 km a norte do centro da cidade. Os vôos estão disponíveis em Pequim, Shanghai, Dalian, Guangzhou, Kunming, Hohhot e Shenzhen. Existem duas estações de trem em Luoyang: estação de Luoyang (extremo norte da estrada de Jinguyuan) e Luoyang Longmen (sul de Luoyang), por onde é possível chegar até a cidade e há ainda a estação de ônibus, em frente à estação ferroviária, na esquina da estrada de Jinguyuan e Daonan Road. O transporte dentro da cidade de Luoyang é muito conveniente. Existem dois tipos de ônibus da cidade que custam entre CNY$ 1 e CNY$ 1,5 por passeio. Os ônibus oferecem belos cenários ao redor da cidade. Esta é a maneira conveniente e acessível de viajar em Luoyang.

 

Luoyang
Templo do Cavalo Branco

 

Além dos lugares apresentados, é possível conhecer o Ancient Han Tombs Museum, museu com túneis reconstruídos e desenterrados da Dinastia Han do Oeste para a Dinastia Song do Norte; o Templo de Guanlin, construído sobre o mausoléu que abriga a cabeça do deus geral, e contém vários salões dedicados ao homem deificado; Museu Luoyang; Parque Wangcheng, o maior da província de Henan; Túmulo de Du Fu; Templo de Zhougong e o China National Flower Garden.

 
Por Jéssica Mensalieri Amaral, diretamente de Marília, SP, Brasil
Fontes: Enciclopédia Britannica, Wikipedia, SHINE, Qual Viagem, Wikitravel, Destino Infinito
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