Janeiro 11 2019

Lua artificial e pouso pioneiro destacam programa espacial chinês

Posted by Victor Fumoto

Entre dezembro e janeiro, notícias sobre o programa espacial chinês dominaram a imprensa devido a seus grandes avanços. Entenda melhor aqui os projetos.

 

Lua artificial

Foto da Lua, satélite natural da Terra.

 

Lua artificial

O satélite composto por grandes refletores que a China pretende instalar em 2020 foi chamado pela imprensa internacional de “Lua artificial” ou “Segunda Lua chinesa”. O projeto, que é considerado absurdo por alguns, é mais um dos megaprojetos chineses que chocam a comunidade internacional por sua ousadia mesmo que planos para construir iluminação artificial para áreas terrestres no espaço já existam desde a década de 60, segundo afirma o porta-voz do Centro Aeroespacial Alemão (DLR). Um exemplo de aplicação desta lógica de tecnologia são os espelhos das montanhas de Rjukan, na Noruega, que refletem a luz do sol e iluminam uma comunidade de mais de 3 mil pessoas.O plano consiste no lançamento de um primeiro satélite em 2020 que irá iluminar um deserto em sua fase de teste. Com o sucesso deste, serão lançados mais dois satélites em 2022, que terão grandes impactos previstos no âmbito civil e comercial. O satélite artificial será localizado a cerca de 500 quilômetros da Terra, muito mais próxima do que o satélite natural, que está a uma distância de mais de 300 mil quilômetros. A impressão de que veremos uma lua gigante no céu é desmistificada pelo presidente da CASC, que afirma que a visão terrestre seria de apenas uma estrela brilhante.

 

lua

Ponte Anshun, um dos símbolos da cidade Chengdu.  Fonte: Go Chengdu 

 

Iluminação pública

Apesar de serem difíceis de prever os efeitos de uma lua artificial, alguns deles já podem ser apontados. O objetivo principal é iluminar a metrópole de Chengdu, cidade com mais de 10 milhões de habitantes no sudoeste da China. A iluminação da Lua geraria uma grande economia de energia do país (cerca de 150 milhões de euros) e uma iluminação oito vezes maior do que a do satélite natural da Terra, com o diferencial de ser controlada e poder iluminar uma área de 10 ou 50 quilômetros quadrados. A luminosidade poderia não só ser utilizada para se diminuir o uso de lâmpadas de energia elétrica mas também para iluminar áreas que sofrem de apagão como em situações emergenciais, auxiliando operações de busca e resgate.

 

Consequências negativas do projeto

Mesmo se tratando de uma alternativa viável e renovável de geração de iluminação e economia de energia, a poluição luminosa é fator preocupante para os ambientalistas uma vez que o período de escuridão é necessário para que as plantas realizem o processo de fotossíntese, para que animais regulem seus relógios biológicos e também para que se orientem no território. A preocupação é de que animais mudem seus hábitos evolutivos e se adaptem às novas condições a longo prazo, como por exemplo predadores diurnos que ficariam ativos por mais tempo. Por um lado, mais de 80% da população mundial já vive sob essa poluição, tendo o céu estrelado obscurecido, por outro lado, a luminosidade emitida pela lua artificial é cerca de um quinto daquela emitida pelos postes de luz tradicionais. Logo, seria interessante, por este ponto de vista, que se diminuísse o uso de lâmpadas. O diretor do Instituto de ótica da Escola de Aeronáutica do Instituto de Tecnologia de Harbin afirmou que o brilho do satélite artificial será similar a um brilho crepuscular e por isso não deverá causar grandes alterações no ambiente iluminado. O respaldo de autoridades e do próprio governo chinês ainda são desconhecidas e a CASC é a principal contratada do programa espacial chinês.

 

O “outro lado” da Lua

A nave, chamada Chang’e 4, é composta por um módulo e um Rover explorador espacial e realizou um feito revolucionário nesta quinta-feira (3). O pouso pioneiro de uma sonda chinesa na face escura da Lua, nunca antes atingido pela tecnologia terrestre, é mais uma prova dos investimentos que o programa espacial chinês vêm recebendo. Esta face da Lua foi sobrevoada e fotografada, mas nunca haviam pousado nela. A sonda levou consigo sementes de plantas e também ovos de bichos-de-seda para testar seu comportamento na baixa gravidade. O conhecimento desta face da Lua revelou fatos desconhecidos aos humanos que vêem sempre a mesma face da Lua, aquela que é iluminada pelo sol. A missão tem como objetivo estudar a composição mineral, o terreno, o relevo e a manta da superfície lunar. A face escura, por outro lado, traz novas informações acerca da composição e da formação do satélite natural e também da formação do universo. Uma das informações novas mais divulgadas foi sobre o relevo desta face, que possui montanhas com cerca de 10 quilômetros de altura. Por estar em uma região em que as ondas de rádio terrestre não atinge, essa região proporciona um ambiente propício ao estudo da origem das estrelas e da evolução da nébula solar.

 

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Foguete Long March-3B, que carrega a sonda Chang’e 4 em Xichang, no Centro de Lançamento de Satélites.  Fonte: Reuters 

 

Programa Espacial Chinês

Apesar de sua entrada tardia na corrida espacial, a China tem hoje potencial para ameaçar a supremacia estadunidense neste quesito em áreas de interesse essenciais da exploração do espaço. Seu desenvolvimento atual, porém, representa uma ambição chinesa de rivalizar com os Estados Unidos, a Rússia e a Europa, demonstrando seu poder regional e global. Xi Jinping afirmou, em 2013 quando assumia o poder, que o sonho do espaço é parte do sonho de tornar a China mais forte.   Em 2017 haviam planos do envio de tripulação à Lua , objetivo principal a longo prazo do programa espacial chinês, que focou sua exploração na Lua

 

Por Mariana M. Fidalgo, diretamente de São Paulo, SP – Brasil

Fontes: UOL Notícias, G1, El País

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