Setembro 20 2018

Lhasa: capital da região autônoma do Tibete e centro do budismo tibetano

Posted by Victor Fumoto

Lassa ou Lhasa (tibetano: ལྷ་ ས་, chinês: 拉萨) é a capital da região autônoma do Tibete na China. Lhasa significa “Terra dos Deuses” e tem mais de 1.300 anos, localiza-se em um vale ao lado do rio Lhasa, a 3650 metros (12 mil pés) acima do nível do mar nas encostas norte dos Himalaias. O clima é semi-árido frio, atribuído à sua alta altitude, ainda que sua posição no vale proteja-a do calor intenso ou frio e ventos fortes. É também um dos lugares mais ensolarados do mundo. Para os cidadãos não chineses, é preciso uma autorização especial e um guia turístico para visitar o Tibete.

 

 

Na parte leste da cidade, perto do Templo de Jokhang e da vizinhança de Barkhor, a influência tibetana ainda é forte e evidente, e é comum ver tibetanos vestidos tradicionalmente envolvidos em uma kora (um circuito circulando no sentido horário ou caminhada ao redor dos grandes templos e monastérios budistas), rezando por uma vida longa e o retorno de Dalai Lama. A parte ocidental da cidade é mais etnicamente chinesa, mais ocupada e moderna e parece semelhante a muitas outras cidades chinesas, por isso, grande parte da infraestrutura, como bancos e escritórios do governo, é encontrada lá. A cidade faz parte de um município-prefeitura, a Prefeitura de Lhasa, que consiste em oito condados de pequeno porte: Lhünzhub, Damxung, Nyêmo, Qüxü, Doilungdêqên, Dagzê, Maizhokunggar e Distrito de Chengguan. A arquitetura é muito peculiar, simples e com uma leveza ímpar, os prédios e as casas são baixos, brancos, marrons e dourados, com bandeiras coloridas nos topos da maioria das construções.

 

 

História, cultura e economia de Lhasa

Em meados do século VII, Songtsen Gampo tornou-se o líder do Império tibetano, que tinha subido ao poder no vale rio Bramaputra (localmente conhecido como o Rio Yarlung). Depois de conquistar o reino de Zhangzhung no oeste, ele mudou a capital do castelo Chingwa Taktse no condado de Chongye, a sudoeste de Yarlung, para Rasa (atual Lhasa) onde, em 637, ele fundou os primeiros edifícios do Palácio de Potala no Monte Marpori. Em 641, ele fundou o Rasa Trulnang ou Templo de Jokhang. Lhasa logo se tornou não apenas o centro religioso, como também o centro político, e permaneceu como capital durante todo o desenvolvimento do Império tibetano até o reinado de Langdarma no século IX, quando os locais sagrados foram destruídos e profanados e o império fragmentado.

Da queda da monarquia no século IX até a ascensão do 5º Dalai Lama, o centro do poder político na região tibetana não estava localizado em Lhasa. No entanto, a sua importância como um local religioso tornou-se cada vez mais significativa com o passar dos séculos, inclusive ficou conhecida como o centro do Tibete, onde Padmasambhava magicamente derrotou a demônia da terra e construiu as fundações do Templo de Jokhang sobre o coração dela.

A história politica de Lhasa é turbulenta e marcada por muitas disputas, principalmente com a China. Os tibetanos sempre dedicaram sua vida à fé, com a prática diária, pedindo pelo bem dos seres vivos e pela paz no planeta. Espalhando símbolos sagrados e bandeiras coloridas pela cidade, manifestando sua filosofia de que tudo gira em torno da fé, objetivo de vida e de nossa existência.

Com a invasão da China muitas pessoas fugiram da cidade, incluindo o 14º Dalai Lama, que fugiu do Palácio de Potala para o exílio na Índia em 1959, após o levante de Lhasa.

Entre 1987-1989, Lhasa enfrentou grandes manifestações, lideradas por monges e freiras contra a ocupação chinesa. Como resultado, a China impôs restrições e programas de reeducação política nos mosteiros. Muitos tiveram que passar por sessões de re-educação com a intenção de tê-los alinhados com os pontos de vista chineses; eles também eram obrigados a denunciar tanto o Dalai Lama como a independência do Tibete. Muitos monges e freiras que se recusaram a colaborar foram enviados para a prisão, enquanto outros deixaram os mosteiros e fugiram para a Índia para que eles pudessem continuar com seus estudos.

Mais recentemente, chineses passaram a oferecer incentivos financeiros para aqueles que migrassem para o Tibete, levando a cultura chinesa (prédios modernos, ruas e avenidas mais largas), e consequentemente, alterando uma parcela do modo de vida existente lá, como verifica-se na parte ocidental de Lhasa.

 

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Photo by Daniel Marchal on Unsplash.

 

Lhasa possui muitos locais de interesse histórico, incluindo o Palácio de Potala, Templo de Jokhang, Mosteiro de Sera, Templo de Zhefeng, Mosteiro de Drepung e Norbulingka. Entretanto, muitos locais importantes foram danificados ou destruídos, na maioria deles, durante a Revolução Cultural. A cidade contém três caminhos concêntricos usados por peregrinos para circundar (andar em volta), prática conhecida como kora, o sagrado Templo de Johkhang, muitos dos quais fazem prostrações total ou parcial ao longo dessas rotas a fim de ganhar mérito espiritual. O caminho mais interno, o Nangkor (Nang-skor), está contido dentro do Templo de Jokhang, e circunda o santuário de Jowo Shakyamuni, a estátua mais sagrada do budismo tibetano. O caminho do meio, o Barkor (Bar-skor), passa pela Cidade Antiga e circunda o Templo de Jokhang e várias outras construções em seus arredores. O caminho de fora, o Lingkor (Gling-skor) circunda toda a cidade tradicional de Lhasa. Devido a construção de uma grande rua, a Beijing Lam, o Lingkor não é geralmente usado pelos peregrinos.

Outra tradição cultural é o “Festival Shoton”, realizado todo mês de agosto em Lhasa, elaborado pela primeira vez no século VII, é um dos maiores festivais tradicionais do Tibete.

De acordo com o último censo de novembro de 2000, a população da prefeitura de Lhasa era de 474.499 habitantes e do Distrito de Chengguan, a divisão administrativa que contém a cidade de Lhasa, 223.001 habitantes. De acordo com o Anuário Estatístico do Tibete de 2008, a população estimada da prefeitura em 2007 era de 464.736 habitantes e da cidade de Lhasa 181.991 habitantes.

Em 2007, o setor terciário (serviços) representou 68,6% do PIB total da cidade. O turismo tem sido um pilar importante da atividade econômica. Lhasa atraiu 2,7 milhões de turistas. O turismo gerou receitas de RMB 2,8 bilhões, aumento de 55,6% em relação ao ano anterior. O setor primário (agricultura, pecuária, etc.) representou 5,4% do PIB neste mesmo ano, e o comércio exterior total de Lhasa atingiu US$ 376 milhões, um aumento de 25,5% sobre 2006, representando 95,7% do total do Tibete. Os principais produtos de exportação incluem fungos de lagartas chinesas (Cordyceps sinensis), lã, alho, produtos de madeira e nêspera, enquanto que os principais itens de importação são as escavadoras. O Japão, Hong Kong, os Estados Unidos e a Rússia são os principais parceiros comerciais da cidade.

 

Lugares para conhecer

Alguns dos locais importantes para serem visitados em Lhasa são: Palácio de Potala; Rua Barkhor; Templo de Jokhang; Norbulingka; Tromzikhang; Lingkhor; Mosteiro Muru Nyingba; Chokpuri; Estrada Norte Linkor; Universidade do Tibete; Fábrica de Tapete de Lhasa; Hotel de Lhasa; Estação Ferroviária de Lhasa; Estação Ferroviária Ocidental de Lhasa; Estrada Pequim Central.

Palácio Potala foi a principal residência dos Dalai Lamas, até a fuga do 14º Dalai Lama para Dharamsala na Índia, depois de uma revolta falhada em 1959. O Lugar foi usado como refúgio de meditação pelo Rei Songtsen Gampo, que o construiu, em 637, o primeiro palácio como saudação à sua noiva, a Princesa Wen Cheng da Dinastia Tang da China. A construção do atual palácio começou em 1645, durante o reinado do 5º Dalai Lama, Lozang Gyatso. Em 1648, o “Potrang Karpo” (Palácio Branco) foi concluído, e o Palácio de Potala passou a ser usado como palácio de Inverno pelo Dalai Lama a partir dessa época. O “Potrang Marpo” (Palácio Encarnado) foi acrescentado entre 1690 e 1694. Como o centro religioso e político do antigo Tibete e a residência de inverno do Dalai Lama, o palácio testemunhou a vida dos Dalai Lamas e as importantes atividades políticas e religiosas dos séculos passados. O Palácio de Potala também abriga grandes quantidades de raras relíquias culturais, incluindo as escrituras budistas manuscritas de ouro, presentes valiosos dos imperadores chineses e muitas antiguidades inestimáveis. A taxa de entrada entre maio-outubro é de ¥200 e entre novembro-abril é de ¥100 (2014).

 

Templo Jokhang (Tsuglagkhang), construído no século VII d.C para abrigar as estátuas de Buda que as princesas Bhrikuti do Nepal e Wen Cheng da Dinastia Tang da China trouxeram como presentes para seu futuro marido, o rei Songtsan Gampo. O templo foi ampliado muitas vezes ao longo dos séculos e agora também abriga estátuas do rei Songtsan Gambo e de suas duas noivas estrangeiras famosas. No entanto, a estátua original budista de Jowo Sakyamuni trazido pela princesa Wei Cheng de Changan (China) há mais de 1300 anos atrás é definitivamente sua posse mais sagrada e famosa, e é talvez o artefato religioso mais venerado em todo o Tibete. O templo, um esplêndido edifício de quatro andares voltado para o oeste sob um telhado de guilhotina, fica na Praça Barkhor, no centro da parte antiga de Lhasa. A taxa de entrada é de ¥85 (2015).

Palácio de Verão de Norbulingka está localizado a cerca de 1 km a oeste do Palácio de Potala. O 7º Dalai Lama construiu o primeiro palácio de verão em 1755 e cada sucessivo governante acrescentou seus próprios edifícios. Norbulingka está agora passando por uma restauração completa. Atualmente, o complexo contém um pequeno zoológico, jardins botânicos e uma mansão. A taxa de entrada é de ¥60 (2015).

O Palácio Potala foi incluído na Lista de Património Mundial da UNESCO em 1994, o Mosteiro do Templo de Jokhang em 2000 e o Palácio de Verão de Norbulingka em 2001.

 

 

Meios de chegada

É possível chegar até Lhasa das seguintes maneiras:

  • AVIÃO

O Aeroporto Lhasa Gonggar (贡嘎 机场) (IATA: LXA) está a 61 km a sudoeste de Lhasa. Há voos de Pequim, Chengdu, Chongqing, Cantão, Kunming, Qamdo, Xangai, Xi’an, Xining e Zhongdian (Shangri-La). Os vôos internacionais estão disponíveis para Kathmandu e Nepal. Posteriormente, é possível pegar um ônibus oficial (¥25), ou táxis localizados fora do aeroporto, ou ainda, alugar um carro particular fornecido pela agência de viagens.

  • ÔNIBUS

Os cidadãos não chineses não estão autorizados a viajar nos ônibus intermunicipais no Tibete. Para os cidadãos chineses, há um serviço de ônibus frequente e barato entre Lhasa e quase todas as partes do Tibete.

  • TREM

A ferrovia Qinghai-Tibete (Qingzang) conecta Lhasa e Golmud, com serviços continuando em Xining, Pequim, Chengdu, Xangai, Guangzhou e Chongqing.

Turistas não chineses não podem comprar bilhetes sozinhos, é preciso a ajuda de uma agência de viagens. Além disso, é difícil conseguir uma passagem durante o Ano Novo Chinês (janeiro e fevereiro) e nas férias de verão (julho e agosto).

  • TRANSPORTE DA ESTAÇÃO DE TREM

Uma corrida de táxi entre a área urbana e a estação de trem deve custar em torno de ¥30 e os motorista não usam o medidor. Certifique-se de fixar o preço com antecedência, para não ser cobrado um valor exorbitante. Como alternativa, é possível pegar um ônibus (¥1) para qualquer lugar do outro lado do rio e, em seguida, pegar um táxi que use o aparelho.

 

Por Jéssica Mensalieri Amaral, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: Wikitravel; Travel China Guide; Wikipedia; To pensando em Viajar; Contos da Mochila.

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