March 16 2018

Olimpíadas de 2008 e seu legado em Pequim

Posted by Ana Yamashita

Em agosto de 2018 completa-se 10 anos das Olimpíadas de Verão em Pequim. A capital chinesa, agora, lida com o legado deixado pelos jogos com dificuldade.

 

O legado das Olimpíadas de 2008 em Pequim

 

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Poluição e obras: legado da Olimpíada de 2008 é questionável

 

Há dez anos, Pequim sediou os Jogos Olímpicos de Verão, um acontecimento que internacionalizou a cidade e a dotou de infraestruturas ambiciosas, mas cujo legado vai se desvanecendo com o tempo, enquanto a poluição e os problemas sociais aumentam. Em uma edição em que o governo não poupou gastos para realização da eventualidade a nível mundial, as polêmicas sobre a cultura do país e os protestos com dinheiro utilizado se fizeram presente, embora, bem como um legado para outros eventos esportivos decididos por ocorrer na localidade.

 

As construções olímpicas

 

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O Ninho de Pássaro e o Cubo D’Água, respectivamente, são as obras mas icônicas dos Jogos de 2008

 

Considerada a maior Olimpíada da história, os Jogos de Pequim em 2008 surpreenderam o mundo por sua grandiosidade e seu custo: US$ 34 bilhões, em valores de 2008 — hoje, cerca de U$ 66,8 bilhões. Dez anos depois, embora seja possível notar excelentes melhorias no transporte público e na infraestrutura da capital chinesa, as instalações construídas para o megaevento estão subutilizadas ou abandonadas, drenando as finanças públicas; os famosos “elefantes brancos”.

Em maio de 2007, a construção e a reforma de todas as sedes dos Jogos Olímpicos de Pequim recomeçaram. O governo chinês também investiu na reforma e construção de seis outros locais fora de Pequim e também 59 centros de treinamentos. Os investimentos vieram das empresas que procuravam a titularidade dos estabelecimentos após a realização dos Jogos.

As maiores obras arquitetônicas dos Jogos foram o Estádio Nacional de Pequim (Ninho de Pássaro), Centro Aquático Nacional de Pequim (Cubo D’Água), Centro de Convenções do Olympic Green e o Estádio Indoor Wukesong.

O Ninho de Pássaro, que custou US$ 480 milhões, é utilizado agora para shows de música, jogos de futebol e competições, mas ainda não conseguiu justificar seu preço. Com 150 mil turistas por mês visitando o estádio mais icônico da extravagância olímpica chinesa a um preço de US$ 15, os custos da construção nem sequer se pagarão nas próximas décadas. O estádio conta com 80 mil lugares.

Já o vizinho Cubo D’Água custou US$ 550 milhões. A instalação, que não mais recebe eventos esportivos, foi transformada em um parque aquático, o maior da Ásia, com o objetivo de fazer dinheiro com a fama do local.

 

O impacto na cidade

 

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O metrô em Pequim contava com apenas 3 linhas, totalizando 70Km de extensão em 2006, e hoje conta com 22 linhas num total de 608Km, o maior do mundo

 

A Pequim atual é uma cidade com melhores infraestruturas de transportes, mais arranha-céus e estádios milionários que a de antes daquele 8 de agosto de 2008, mas continua sendo menos popular no exterior que sua “rival” Shanghai (que teve uma Expo Universal em 2010) e não conseguiu acabar com problemas que já tinha antes daquele evento, como a poluição e os engarrafamentos.

A infraestrutura na capital chinesa recebeu melhorias consideráveis, bem como o transporte público local. As linhas de metrô foram expandidas, assim como as ciclovias, despertadas como alternativa de transporte. A rede hoteleira manteve um legado de 2008, na disponibilidade maior em Pequim e com o choque cultural em uma localidade tão distinta do mundo ocidental.

Na época das Olimpíadas, o controle das indústrias e do alto número de carros foi feito para facilitações no trânsito e redução da preocupante poluição do ar. Em 2014, o Índice de Qualidade do Ar de Pequim atingiu 755 pontos, em escala na qual o razoável é de, no máximo, 500. Durante a execução dos Jogos Olímpicos, este era o panorama, mas não é mais cumprido.

O crescimento desproporcional da cidade, a poluição industrial e dos veículos são tão grandes que formam panoramas assustadores até aos moradores das metrópoles brasileiras mais populosas, como São Paulo. Uma nuvem de poluentes (smog) constitui um cartão postal indigesto de Pequim, sobrevoando a cidade e seu horizonte. O topo de prédios e os que se localizam a apenas quadras de distância ficam escondidos pelo acúmulo de poluição no ar.

 

Valeu a pena?

Estima-se que serão necessários cerca de 30 anos para que todos os gastos do evento – aproximadamente US$ 34 bilhões – se paguem.

As Olimpíadas de Pequim serviram para lançar a imagem de desenvolvimento avançado que a China queria a tanto tempo mostrar para o mundo. Os gastos exorbitantes foram “justificados” com as melhoras significativas nas áreas de turismo, comércio, investimentos e infraestrutura, mas foi um fracasso no que se refere ao legado esportivo da cidade e do país, que é um dos propósitos dos Jogos.

Pequim tem apenas um time na primeira divisão chinesa de futebol, o Beijing Guoan, que prefere mandar as partidas no Estádio dos Trabalhadores, principalmente por causa da localização. Então o Ninho depende de outros eventos alternativos para se sustentar e já recebeu partidas de jogadores veteranos e até um rodeio, em 2011.

Mas o problema não é só o estádio. Ele fica em uma região chamada de Parque Olímpico, onde também estão localizados o Cubo D’Água e a torre Ling Long Pagoda. O primeiro tem vários canteiros de obra até hoje e não se consolidou como um local para treinos ou competições. Virou um atrativo como parque aquático, cheio de brinquedos curiosos, que atrai muitos turistas no verão. Já a torre recebia estúdios de televisão, que ficavam alocadas em diferentes andares. Mas agora é sede de eventos esporadicamente e dificilmente é usado com 100% da capacidade.

Outro benefício questionável das Olimpíadas foi a abertura do país a estrangeiros. A cultura chinesa sempre foi mais fechada, mas isso começou a mudar por causa dos Jogos, pois os chineses aprenderam a receber milhares de pessoas no país. Mas é algo questionável porque ainda é raro encontrar pessoas que falem inglês, por exemplo, o que causa muitos problemas para quem não entende mandarim, a língua local.

De fato, os Jogos Olímpicos de Pequim ainda levantam muitos questionamentos sobre seu legado em função do alto investimento aplicado nele, porém, de forma geral, foi excelente para elevar a imagem internacional da China a um status melhor conceituado. Desde as Olimpíadas, a China alavancou sua economia e política pelo mundo e não é exagero nenhum dizer que os Jogos de 2008 foram responsáveis por parte do prestígio que o país ganhou nos anos seguintes. Os espaços olímpicos terão mais uma chance de brilhar em 2022, quando a cidade recebe os Jogos Olímpicos de Inverno. Quem sabe, assim, os investimentos sejam melhores utilizados e façam a chama do esporte se acender mais uma vez em meio a poluição de Pequim.

 

Por Vinicius Silvestre, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: BBC, Exame, Carta Capital, O Globo, Terra

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