Internet gratuita será oferecida nos trens-bala chineses

No último domingo, dia 17 de dezembro, foi anunciado nos noticiários chineses a instalação e oferecimento, em todas as estações e trens-bala da China, uma cobertura de internet gratuita e ilimitada via WiFi, seguindo o exemplo de cobertura que já é oferecida gratuitamente nos trens-bala das linhas da China Railway ou Fuxing Hao, as quais fazem parte do sistema de transporte de trens de alta velocidade, no distrito de Fuxing.

 

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As agências ferroviárias da China têm se esforçado para reformar totalmente sua sistematização.

 

O gerente geral da China Railway, Huang Min, reconheceu, em um anúncio durante a décima-nona edição do Fórum Anual de Novo Ano da Universidade de Guanghua, em Pequim, que a China Railway, justamente por já oferecer para seus passageiros diversos outros serviços que usam a internet – como, por exemplo, a possibilidade de compras e reservas online, pagamento através do WeChat, das carteiras digitais e até mesmo serviço de delivery de lanches – , facilitaria ainda mais a vida de seus clientes com a instalação de uma cobertura WiFi totalmente gratuita, além de promover o uso de tais serviços, que alargam ainda mais a movimentação de dinheiro nas estações; passo natural para a inclusão dos passageiros nos serviços online.

Outros serviços já estão sendo planejados pela China Railway e poderão ser instalados tão breve quanto a cobertura de internet gratuita, como o sistema de reconhecimento facial para os celulares, buscando promover um ganho de tempo nas estações no momento de checagem das passagens. Tais iniciativas provam que as agências ferroviárias da China têm se esforçado grandemente para reformar totalmente sua sistematização, a qual tende a ser cada vez mais suportada pela internet.

 

A internet na China

Quando falamos da expansão contínua da cobertura de internet gratuita em locais públicos na China, é possível perceber tal iniciativa como parte de um processo no país que busca promover a inclusão à internet, pois grande parte das novas tecnologias envolvendo a interação digital têm sido desenvolvidas e utilizadas na China. Dessa forma, para que possamos entender como tal projeto tem se desenvolvido, é preciso, em primeiro lugar, entender a internet em si na China, encarando suas difíceis demandas e a real utilização dos serviços, tanto para o uso profissional, quanto não profissional.

 

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Na China foram identificados, no ano de 2012, cerca de 564 milhões de usuários da internet.

 

Primeiramente deve-se entender que, em nenhum outro lugar no mundo, tem-se uma demanda tão grande pelo uso da internet, graças à enorme população de mais 1,3 bilhões de habitantes. Na China, foram identificados cerca de 564 milhões de usuários da internet no ano de 2012, sendo que tais usuários se estendem por todo o país, mesmo que em diferentes densidades demográficas. Tal número coloca o país como o detentor da maior rede de usuários e traz consigo a responsabilidade de oferecer uma infraestrutura tecnológica que acompanhe esta gigantesca demanda.

Dessa forma, os provedores de internet se dividem em três, os quais dependem da área em que são utilizados ou se são serviços de internet móvel ou de banda-larga. Os três são a China Telecom, China Unicom e China Mobile, que oferecem formas de pagamentos mensais ou anuais para seus clientes. Os mesmo serviços são oferecidos para os celulares; dica importante para turistas que visitarão a China, bastando que se compre um chip SIM para seu celular.

 

Onde posso encontrar internet gratuita na China?

Uma vez entendido quão grande é a organização chinesa para oferecer internet gratuita em larga escala, onde podemos encontrar redes de WiFi liberadas por toda a China? Existem muitos lugares na China que liberam o uso da internet para todos os usuários, como o exemplo das estações de trens-bala dito no início deste artigo, mas é possível encontrar uma zona de WiFi totalmente gratuita em vários outros lugares, tais como a maioria dos hotéis chineses. Progressivamente, mais lugares públicos estão adquirindo cobertura para internet gratuita, principalmente em grandes cidades, como Hangzhou, capital da província de Zhejiang, que oferece WiFi nas ruas, na maioria das áreas mais urbanizadas, desde Outubro de 2012.

 

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É possível encontrar uma zona de WiFi totalmente gratuita em vários lugares na China!

 

Na cidade de Hong Kong, é possível utilizar o WiFi cinco vezes por dia por quinze minutos em qualquer um dos diversos parques, livrarias, prédios públicos, em todas as estações de trem, entre muitos outros lugares. Para os padrões de uso brasileiros, podemos achar que pouco, mas devemos levar em consideração que tal serviço é disponível para 7,1 milhões de pessoas, de acordo com o censo de 2013, sendo possível comprar um chip por cerca de R$9, com o maior acesso.

Tanto em Pequim como em Shanghai, áreas públicas como jardins, museus, estações de metrô, aeroportos, bares, restaurantes, entre outras milhares de lojas têm cobertura total de internet gratuita, sendo comum até em voos domésticos!  Em Macau, existe um serviço mais voltado aos turistas, que espalha cerca de 150 pontos de acesso, concentrados em museus, centros para turistas e portos com a chamada “WiFi Go”, e é liberada entre as 8h e as 13h diariamente; os usuários devem reconectar-se a cada 45 minutos.

 

A censura na internet chinesa

É impossível discutir sobre a internet chinesa sem tocar na temática da censura que os servidores sofrem pelo governo chinês, uma vez que tal atitude mostra-se totalmente contraditória diante do projeto de inclusão virtual que deu início à iniciativa de internet gratuita. Primeiramente, a chamada “Grande Muralha Digital” da China coloca limites na utilização de ferramentas como Twitter, Facebook, Google+, entre muitas outras páginas das redes sociais, obrigando os cidadãos chineses a utilizarem plataformas criadas na China, como o WeChat, o Tencent,  o Iqiyi, entre outras ferramentas para compra de produtos e redes sociais que funcionam como o Facebook.

 

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A charge debate justamente a relação da liberdade de conteúdo para os chineses.

 

Além da limitação para o uso doméstico, a censura do governo chinês tem prejudicado inclusive as criações científicas no país, uma vez que as redes de pesquisas, apesar de grandes como a população chinesa, nem se comparam com a amplitude que todo o mundo produz de artigos científicos, colocando a produção chinesa em risco devido à tal ação do governo chinês.

 

Ação contraditória

Dessa forma, fica claro o quão contraditórias têm sido as investidas do governo da China para barrar ou censurar o uso da internet, principalmente quando trata-se de plataformas existentes no mundo, uma vez que os investimentos – feitos para reformar a infraestrutura, de forma que os usuários chineses e turistas possam utilizar cada vez mais internet gratuita em locais públicos – podem ser em vão, já que tal investimento só levaria os usuários a sites e ferramentas desenvolvidas para a China, perdendo o principal caráter da internet, que é a liberdade de compartilhamento de conteúdo e expressão.

E aí, o que você acha da iniciativa chinesa? Compartilhe conosco nos comentários!

 

Por Lucas Fortes Mulati, diretamente de Ribeirão Preto, SP, Brasil

Fontes: People’s Daily China, NomadesDigitais, TravelChinaGuide, TecMundo

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