February 10 2018

Influência chinesa na América Latina preocupa os Estados Unidos

Posted by Ana Yamashita

Durante o Fórum Econômico Mundial, o primeiro ministro chinês, Wang Yi, fez menções, em seu discurso, sobre as relações comerciais entre a China e a América Latina. A influência chinesa no continente latino-americano alcançou grande crescimento desde 2014 e as exportações latino-americanas para a China cresceram mais de 30%. Certamente, tal influência chinesa na América Latina despertou a preocupação do governo norte-americano. Confira agora a importância das parcerias entre os países e o porquê da preocupação dos Estados Unidos.

 

A resposta da China às declarações

 

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Influência chinesa na América Latina preocupa os EUA

 

Na última semana, o Secretário de Estado dos Estados Unidos Rex W. Tillerson embarcou em sua primeira viagem aos países latinos. Em direção à América do Sul, o representante demonstrou preocupação com a intensificada influência chinesa na região devido ao protagonismo da China enquanto parceiro comercial da América Latina.

Segundo ele, “a oferta da China sempre vem com um preço”, alegando que, por essa razão, os países latinos “não precisam de uma nova potência imperial que somente visa beneficiar seu próprio povo”. Tillerson acredita que o aumento dos empréstimos chineses aos países da região pode significar ganhos de curto prazo, mas sinônimo de dependência no longo prazo.

No entanto, a China não absorveu tais comentários com ânimo. O Ministério das Relações Exteriores da China deu declarações incisivas demonstrando seu descontentamento com tal pronunciamento americano. Dessa forma, acusou os Estados Unidos de desrespeitarem os países latinos, afirmando que os crescentes acordos e laços econômicos são baseados em interesses mútuos. Segundo o Ministério, as palavras proferidas não demonstram a verdade, uma vez que “os acordos não afetam ou rejeitam terceiras partes, e muito menos os interesses de terceiras partes na América Latina”.

 

O porquê da preocupação americana com a influência chinesa nos EUA

 

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A rivalidade é grande entre EUA e China

 

A preocupação norte-americana fundamenta-se no fato de que, nos últimos anos, diversos países sul-americanos comercializaram mais com a China do que com os Estados Unidos. A China tem sido o maior parceiro comercial de países como o Brasil, o Chile, a Argentina e o Peru. A redução da influência americana nos países latinos, de fato, é uma preocupação importante do norte. “Nossa região deve estar diligente para se proteger de poderes que estão distantes”, fazendo uma conotação à distância que separa o país oriental e o Ocidente. A rivalidade  entre EUA e China parece aumentar cada vez mais.

Por outro lado, o Brasil, a Venezuela e o Equador fizeram da China um parceiro vital no que concerne empréstimos. Segundo as autoridades chinesas, a cooperação se baseia em termos de “igualdade, reciprocidade, abertura e inclusão”, em uma tentativa de desmentir os recorrentes comentários de que seus interesses nacionais estão muito além da característica altruísta.

 

O reforço das relações sino-latinas: vital parceiro comercial

Em termos quantitativos, é praticamente impossível questionar o progressivo aumento de influência da China nos países latino-americanos, através do investimento, do empréstimo e do comércio. Nos últimos dez anos, houve uma multiplicação das trocas comerciais que ultrapassou a marca de 200 bilhões de dólares (640 bilhões de reais) por ano, especialmente no que tange ao comércio de matérias primas.

Recentemente, os laços com os países latinos foram estreitados com a ocorrência do segundo fórum ministerial entre o gigante asiático e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), realizado há quase três semanas em Santiago, no Chile. O tema discutido foi a nova Rota da Seda, o maior plano de investimentos da história da humanidade, que inclui uma quantidade astronômica de dinheiro: nada menos do que US$ 5 trilhões. Essa quantia é três vezes o PIB do Brasil, e quase 40 vezes o valor atualizado do Plano Marshall, que os EUA criaram para reconstruir a Europa após a Segunda Guerra Mundial. Este é um projeto ambicioso que realiza uma interconexão mundial.

Desde 2013, falava-se do plano, que hoje toma formas mais concretas. O governo chinês defende que seu objetivo é a prosperidade das regiões envolvidas, e não quer que a China seja vista como conquistadora.  Através desta iniciativa, a China claramente demonstra seu interesse em exercer maior influência. Tanto que, segundo o ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, seu país quer se transformar no “parceiro mais confiável” da região.

 

Crescente influência chinesa:  razões para a investida

Os laços latino-americanos com a China estão se expandindo em diversos campos, como o comércio, a cultura e a economia. Em contrapartida, o protecionismo dos norte-americanos está dificultando a exportação dos produtos latino-americanos para os Estados Unidos. Com a ajuda da China, os países têm conseguido dinamizar sua infraestrutura. Após dois anos de contração em 2015 e 2016, o volume de negócios entre a China e a América Latina e o Caribe totalizou 247,4 bilhões de dólares norte-americanos, nos primeiros 11 meses de 2017, um aumento de 22,2% ano-a-ano. Os laços beneficiam ambos os lados, que acabaram por se complementar com o que cada um fornece, desde matérias-primas e agroindústria, até investimento e tecnologia para infraestrutura.

Além disso, a atratividade da China para a região como um provedor de empréstimo é um grande diferencial. A saber, a China não exige mudanças internas das políticas econômicas ou sociais dos países latinos e também não impõe programas de ajuste estrutural, como era a norma com os empréstimos concedidos pelo Fundo Monetário Internacional, que muitos alegaram prejudiciais à soberania de seus países.

A agência oficial chinesa de notícias, Xinhua, afirma que a investida proferida por parte da administração de Trump significa a relativa perda de carisma que os EUA têm sentido na região das Américas: “Em vez de perder tempo criticando a China, talvez fosse uma boa ideia para Washington baixar o tom hostil de sua retórica, que provocou a ira na América Latina com propostas como endurecer a imigração, construir um muro e tentar influenciar os tratados comerciais em seu favor.”

Quer saber mais sobre a China e importações? Fique ligado no blog e não se esqueça de compartilhar conosco suas opiniões nos comentários!

 

Por Rafael Nascimento, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: BBC, China Daily, El País, G1 Globo, New York Times, O Globo, TeleSUR TV, The Diplomat

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