Importação de maçãs chinesas: a resistência por parte do Brasil

Estamos acostumados com a ideia de importar produtos da China nas mais diversas áreas. Quando pensamos nesse processo, de imediato pensamos na importação de bens manufaturados, que são produzidos em grandes quantidades e com menores custos na China, considerada a fábrica do mundo. Contudo, o gigante asiático não exporta somente esses bens industriais e, a importação de maçãs chinesas por diversas partes do mundo, é uma realidade que preocupa até mesmo os produtores brasileiros.

 

Importação de maçãs

A grande produção chinesa de maçãs. Imagem de Gauchazh

 

Assim, apesar de pensarmos na China somente ao se tratar de produtos manufaturados (os famosos Made in China), ela também se destaca no setor de produtos primários, como o exemplo da produção de maçã, que faz com que a China seja um dos maiores produtores do mundo e a importação de maçãs chinesas se destaque, chegando a representar uma ameaça aos produtores brasileiros.

 

Importação de maçãs chinesas: A grande produção do gigante asiático

As maçãs Fuji são a principal variedade produzida localmente na China, e a estimativa é de que representam 60% a 70% do total de maçãs frescas consumidas no país. Grandes áreas de produção situam-se em Shaanxi (Região Norte) e Shandong (China Oriental). Em 2015 foram consumidas 30.885 mil toneladas de maçã na China. A média de preços das maçãs no varejo em 2015 foi calculada em US$ 0,52 por quilo.

A China é o maior produtor e consumidor de maçã do mundo, com a produção e o número de fazendas crescendo rapidamente na última década. Em 2016, o país tinha 2 milhões de hectares de macieiras com uma produção de 43,88 milhões de toneladas, representando 57% do fornecimento global.

A plantação de maçã é muito importante para a campanha de alívio da pobreza da China, uma vez que muitas das áreas empobrecidas dependem de maçãs como uma principal fonte de renda. Entre todas as 122 cidades e distritos produtores de maça registrados pelo Ministério da Agricultura, 33 são distritos financeiramente difíceis a nível nacional.

 

Importação de maçãs
Imagem de Br.depositphotos.com

 

Logo, a importação de maçãs chinesas acontece em todo o globo. As maçãs frescas (sob o código SH 0808.10) são a principal fruta exportada pela China, com 20% do total em 2015, sendo a maioria exportada para Tailândia e Vietnã.

Em 2015, 21,5% do valor total de frutas exportadas pela China chegou ao mercado tailandês. Do total exportado para a Tailândia em 2015, 42,5% do valor referiu-se ao código SH 0806.10 (uvas frescas). Em seguida, com 22,6%, vêm as exportações de tangerinas e mandarinas (SH 0805.20) e em terceiro lugar, com 15,1%, as maçãs frescas (SH 0808.10).

O Vietnã foi o destino de 16,9% de todas as exportações de frutas, com uvas e maçãs como as principais variedades de frutas. As frutas exportadas para Hong Kong representaram 7,4% do total, sendo os principais produtos as peras, maçãs e uvas frescas.

Ademais, quase a mesma porcentagem foi exportada para os EUA, seguida de perto pelo comércio com a Malásia (7,1%). Os frutos cítricos em conserva e os pêssegos foram as principais frutas exportadas para os EUA; já para a Malásia, foram as tangerinas e peras. Assim, além de outras frutas, a importação de maçãs chinesas é uma realidade em diversos países.

 

Produção brasileira de maçãs

Por ser uma fruta típica de clima temperado, a cultura da maçã é uma das atividades que mais recebe investimento em tecnologia e qualidade no país.Assim, No Brasil, a produção de maçã se concentra em duas cultivares, Gala e Fuji, que representam em torno de 90% da área plantada. Outras cultivares plantadas são a Eva, Golden Delicious, Brasil, Anna, Condessa, Catarina, Granny Smith.

As cultivares Eva, Anna e Condessa possuem baixa exigência de frio, o que as torna recomendáveis para plantio em regiões mais quentes e com produção entre dezembro e a primeira quinzena de janeiro.

Localizada em sua maioria no sul do país, a produtividade média da maçã no Brasil varia de 15 a 30 t/ha de frutos em pomares adultos e conduzidos dentro das modernas técnicas. Essa variação ocorre em função do espaçamento, cultivar e manejo.

 

Importação de maças chinesas

A produção nacional rende grandes números. Imagem de Nsctotal.com.br

 

Ademais, o produtor deve estar atento sobre a capacidade de armazenamento dos frutos na região onde pretende produzir. No Brasil, a capacidade de armazenamento de maçãs é de 511.525 t, cerca de 60% da produção nacional, com boa parte dessa capacidade instalada em Santa Catarina.

Sem o armazenamento, o produtor é obrigado a vender sua produção em um período muito curto de tempo, ficando sujeito à pressão baixista de preços.

O mercado consumidor é altamente exigente tanto para o preço quanto para a qualidade das frutas, o que demanda um beneficiamento capaz de selecionar criteriosamente as frutas com potencial de mercado in natura, com bases em infestações de doenças e em defeitos físicos, o que tem levado nos últimos anos a um descarte em torno de 30% da produção nacional. Contudo, pode surgir a pergunta se seria bom abrir o mercado nacional de maçã e das vantagens da importação de maçãs chinesas.

 

Importação de maçãs chinesas e a resistência local

A possível abertura nacional para a importação de maçãs chinesas, gerou preocupação aos produtores brasileiros de maçã, que temem perder mercado com o provável acordo fitossanitário com a China e, tal possibilidade despertou uma reação imediata dos produtores locais, que apresentam preocupações que vão desde a competitividade à questão de qualidade de produção.

 

Importação de maçãs chinesas

A organização dos produtores locais de maçã. Imagem de Anaamelialemos.com.br

 

Ameaçados por eventual perda de mercado, eles mostram preocupação com a possível entrada de novas pragas em território brasileiro, um ano apenas após a erradicação da Cydia pomonella, que, por mais de 20 anos, atacou pomares da Região Sul, onde predomina a produção de maçãs.

O debate mobilizou entidades representativas do segmento, além de autoridades municipais, estaduais e federais. Todos estão preocupados com o futuro de uma cultura com forte influência na economia dos estados do Sul, nos quais gera 195 mil empregos diretos e indiretos.

Ademais, a maçã chinesa pode entrar no Brasil com preço menor que o da fruta nacional, pois, sendo o maior produtor de maçãs, a China responde por metade da oferta mundial. Logo, o Brasil é o 12º maior produtor, embora a maçã seja a terceira fruta mais consumida no país, depois da laranja e da banana e, o mercado nacional poderia ser abalado e perder importância.

 

A possível importação de maçãs chinesas e a resposta brasileira

A possibilidade da importação de maçãs chinesas que havia sido noticiada após uma exigência do governo chinês para aceitar carnes brasileiras, sofreu resistência local devido aos fatores sanitários e relativo ao preço.

Logo, o Ministério da Agricultura do Brasil assegurou que a importação de maçãs chinesas para o país não irá ocorrer e, os produtores locais comemoraram o resultado além de continuarem atentos aos próximos acontecimentos.

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Por Pedro Mochiatti Guijo, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: Apex Brasil, Portuguese.xinhuanet.com; Abpm.org.br; Canal Rural; Ebc.com.br; Agenciaal.alesc.s

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