Outubro 04 2018

A crescente importação de alho diretamente da China

Posted by Victor Fumoto

Presente nas principais receitas brasileiras, o alho além de também se mostrar como uma grande fonte de benefícios para uma alimentação saudável, é de suma importância para a agricultura brasileira, devido justamente à sua demanda impar, gerando muito dinheiro e empregos por todo o país. Ainda com tamanha importância, tanto para saúde, como um item praticamente indispensável nos melhores temperos da culinária brasileira, quanto para o mercado interno brasileiro, existe um fator que tem ocorrido nos últimos anos que têm desestabilizado o produtor nacional e este fato tem nome: China. Nos últimos anos, devido a diversas modificações tributárias e alfandegárias, o mercado chinês tem crescido substancialmente no Brasil, cobrindo cerca de um terço de todo o alho que pode ser comprado nos mercados de todo o Brasil, e consequentemente, causando um grande desequilíbrio econômico para os produtores brasileiros que julgam estar em uma “concorrência desleal” contra o gigante asiático. Analisaremos melhor a seguinte situação.

 

Alho

Image by Reuters.

 

Dados importantes em relação ao alho que comemos.

Conforme os dados obtidos através dos relatórios alfandegários, podemos encarar diversas informações que dizem muito a respeito da produção e importação de alho para o Brasil, que posteriormente serão esclarecidas, neste texto, com o intuito de demonstrar o avanço do mercado chinês em relação ao mercado brasileiro, causado por diversas motivações tributarias e judiciais. Apesar da grande produção em território nacional, o Brasil já importava há muitos anos mais alho do que realmente produzia, como pode ser evidenciado no comparativo dos últimos 5 anos no qual entre os anos de 2013 e 2017 foram importados de todo o mundo uma média de 236,64 milhões de dólares estadunidenses, com a máxima de US$ 328,5 milhões no ano de 2016, ou aproximadamente 164 toneladas do produto. Vale ressaltar que neste ano específico 48,7% do alho importado partiu justamente da China, com a Argentina em segundo lugar com outros 37,9%. O interessante a ser demonstrado é justamente a excepcional dominância chinesa em relação ao alho em todo o mundo, uma vez que nem de perto o Brasil é seu maior comprador, embora a relação de importância não esteja equiparada. Em média, o Brasil se localiza na terceira colocação como maior importador do produto chinês, logo atrás da Indonésia e Vietnã, comprando cerca de 121,2 milhões de dólares estadunidenses durante todos os anos desde 2013, incorporando a clareza da nossa dependência pelo produto partido da China. Tal temática inflige a nós uma grande problemática que deve ser discutida mais a fundo.  

 

Alho

Image by Reuters/David Gray.

 

O quanto a China tem crescido em nosso mercado de temperos?

É possível que ainda não tenhamos notado, mas um dos temperos mais populares no Brasil tem sido cada vez mais tomado pelo mercado chinês. A cada três alhos que compramos para temperar as diversas receitas que conhecemos pelo menos um desses foram importados diretamente da China, o que demonstra uma severa concorrência iniciada em meio a uma verdadeira guerra de liminares e ações judiciais que permitiram a importadores que se desviassem do pagamento das chamadas tarifas antidumping imposta pelo governo, tornando o alho da China muito mais barato em comparação ao nosso. Apenas no ano de 2016 a importação saltou para 67% de todas as importações do tempero, sendo tal número maior do que lâmpadas ou placas de computador, comumente associado como uma das maiores produções importadas pelo país mais populoso do mundo, totalizando quase 100 mil toneladas de alho embarcado da região de Shandong, que é simplesmente a maior produtora de alho do mundo localizado no leste da China. Com isso, resulta-se numa gigantesca onda de liminares que tornam profundamente desfavoráveis a concorrência ao produtor nacional e diretamente para a balança comercial brasileira.

 

Alho

Image by Cooking Light.

 

O alho brasileiro, apesar da melhor qualidade, sofre com a concorrência.

Como um dos produtos mais consumidos pelos brasileiros na hora de fazer as compras, o alho, para o Brasil, se apresenta como um dos principais alimentos na agricultura nacional justamente por esse ser cultivado em quase todos os 27 estados do país ocupando cerca de 12 mil hectares do território nacional e produzindo uma média 100 mil toneladas por ano, segundo estimativa da Associação Nacional dos Produtores de Alho. No entanto, como já mostrado no texto, o mercado chinês tem crescido de maneira exponencial em relação ao brasileiro travando uma verdadeira batalha com o produto chinês que entra no Brasil com valor bem abaixo do praticado no país, fator que é explicado também pela maior qualidade do produto nacional ao chinês, facilmente identificado pela sua casca branca, encarecendo o produto brasileiro, com a casca de cor roxa, que apresenta sabor mais picante, aroma forte, textura macia, além de carregar em si um rendimento superior segundo a observação dos produtores. Outro diferencial trazido pelos produtores brasileiros é que o alho é vendido acondicionado, ou literalmente organizado, em sacos plásticos, enquanto o produto chinês é esparramado pelas bancas de supermercados ou feiras, a um preço muito inferior, que tem desbancado muitos produtores nacionais, sem que algo possa ser realmente feito para a competição nos mercados. Segundo Luciano Martarello, produtor do Distrito Federal, entrevistado pelo blog Correiro Braziliense, o alho brasileiro tem enfrentado “uma concorrência desleal” em relação ao chinês. Para o produtor: “o governo deveria estimular o consumo do alho nacional, que tem melhor qualidade. Assim poderíamos empregar mais gente por aqui e ajudar a aumentar a renda das pessoas”. O alho chinês chega importado ao Brasil a R$ 70,00 a cada caixa de 10kg enquanto o valor estimado para a produção da mesma quantidade é no mínimo R$ 75,00.

 

Como poderíamos resolver tal problemática do alho?

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Por Lucas Fortes Mulati, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: CorreioBraziliense, Estadão, Trademap, TAEQ

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