May 04 2018

Imigração chinesa: um fenômeno mundial

Posted by Ana Yamashita

Se você já foi para São Paulo, especialmente no bairro da Liberdade, provavelmente ouviu pessoas falando em mandarim ou cantonês. Às vezes, até mesmo na sua cidade, você pode encontrar diversos estabelecimentos comerciais pertencentes a chineses. A imigração chinesa no Brasil ainda é tímida, se comparada a outros países, como Estados Unidos, Canadá ou Japão, mas faz parte de um fenômeno global já antigo, porém que tem ganhado cada vez mais importância atualmente.

 

A imigração chinesa na Ásia

 

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Entrada da Chinatown de Chicago (Imagem retirada de Well Traveled Kids Portal)

 

A emigração, ou diáspora chinesa, não é um fenômeno recente, nem está totalmente direcionada a poucos lugares, embora alguns países concentrem o fluxo de emigrantes. A China, há muitos séculos, tem enfrentado o problema da superpopulação, problemas na lavoura, fome, pobreza extrema e guerras. Portanto, a imigração chinesa para outros países, especialmente do Sudeste Asiático, como Tailândia, Malásia, Cingapura e Indonésia, já ocorria. Por ter sido um fluxo intenso, porém majoritariamente masculino, principalmente na Tailândia, essas comunidades chinesas miscigenaram-se fortemente com a população local. Em países, como a Malásia e Cingapura, no entanto, por contarem também com uma imigração chinesa mais recente, possuem uma população chinesa mais homogênea e que preservou de modo mais consistente o idioma e a cultura do seu país natal, tanto é que nesses dois países, o mandarim é uma das línguas oficiais.

Na Tailândia, estima-se que 9 milhões de pessoas tenham alguma ascendência chinesa, totalizando cerca de 14% da população do país, tornando-o, portanto, o país com a maior, a mais antiga e a mais integrada comunidade chinesa no exterior. Na Malásia, a segunda maior comunidade chinesa, conta-se com cerca de 6 milhões de descendentes chineses, correspondendo a 23% da população. Em Cingapura, os chineses são 2,5 milhões, e na Indonésia, 2,6 milhões. Outros países asiáticos com grande população de origem chinesa são Coreia do Sul, Myanmar, Vietnã, Filipinas e Japão. Neste último, a imigração chinesa constitui-se a mais relevante, superando em número os coreanos e brasileiros.

 

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Chinatown de Yokohama (Imagem retirada de Japan Guide).

 

A imigração chinesa no Ocidente

Você provavelmente já viu, em filmes e séries estadunidenses, algum personagem de origem asiática, mais provavelmente descendente de chineses. Isso se deve à grande imigração chinesa a países economicamente desenvolvidos como os Estados Unidos, Canadá e Austrália. Embora os Estados Unidos contem com a maior população de origem chinesa, com cerca de 3 milhões de pessoas, o Canadá e a Austrália têm uma maior proporção de imigrantes e descendentes em sua população, aproximadamente 5%, enquanto que nos Estados Unidos é um pouco superior a 1%. Nesses países, são características a formação de “Chinatowns”, enclaves étnicos chineses em grandes cidades, sendo as maiores e mais famosas as de Nova York, Los Angeles e São Francisco. O histórico de imigração chinesa nos Estados Unidos e na Austrália é antigo, visto que os primeiros imigrantes chegaram a partir da metade do século XIX na corrida do ouro nesses dois países. Nos Estados Unidos, a população de origem chinesa ajudou a popularizar nesse país e, posteriormente, no mundo inteiro, a comida chinesa, especialmente com cadeias de fast food como a China in Box.

 

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Chinatown de São Francisco (Imagem retirada de Now In San Francisco).

 

Na América Latina, a população de origem chinesa também é muito grande; em ordem decrescente, no Peru, na Venezuela e no Brasil. Entre os brasileiros, a comunidade sínica representa cerca de 200 mil pessoas, muito concentrados no Estado de São Paulo, onde se dedicaram especialmente a atividades comerciais, como lojas de roupas e pastelarias.

Na Europa há também a presença de comunidades chinesas numerosas na França, no Reino Unido, na Itália, na Alemanha e Espanha. Mesmo na África, a imigração chinesa está crescendo, visto que muitas empresas multinacionais do país asiático têm aumentado os seus investimentos em países africanos; assim, muitos chineses e suas famílias acabam sendo transferidos para essas regiões a trabalho. A maior comunidade está na África do Sul, onde os chineses e seus descendentes totalizam 300 mil pessoas. Alguns desses imigrantes chegaram antes do estabelecimento do Apartheid e acabaram sofrendo discriminações, embora menos que os negros.

 

Integração e as consequências da imigração chinesa

A diáspora chinesa é importante por dois motivos: alivia a pressão demográfica no país natal e contribui para a entrada de remessas financeiras na China, visto que muitos imigrantes auxiliam financeiramente os parentes que ali ficaram. Em 2010, os expatriados chineses enviaram de volta em torno de 50 bilhões de dólares. A China apenas perde para a Índia como o maior destino de remessas. Além disso, os chineses que moram no exterior, em muitos casos, são bem-sucedidos no comércio, na indústria e em outros setores-chave da economia, e servem como ponte entre o governo chinês e os países onde se estabeleceram.

Em relação à integração, há muitas variáveis a serem consideradas, como a política, as diferenças culturais e a própria aceitação da população local. Assim, em alguns asiáticos, houve políticas repressivas em relação aos imigrantes chineses, o que resultou no abandono do uso dos dialetos chineses e, em muitos casos, na mudança de nome para poder evitar quaisquer discriminações. Em países como Estados Unidos e Canadá, por décadas a entrada de imigrantes chineses, e de outros imigrantes asiáticos, como os japoneses, era visto com suspeita e foi, inclusive, proibida. Por causa das diferenças culturais e das dificuldades iniciais da vida de um imigrante, é natural a formação de enclaves étnicos, como forma de preservação da cultura local e que também oferecem redes de auxílio mútuo entre imigrantes até que estes consigam se estabelecer efetivamente no novo país.

 

Por Victor Fumoto, diretamente de Indaiatuba, SP, Brasil

Fontes: China Highlights, China Daily, CCTV, Statista

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