Dezembro 05 2018

Japão e China na disputa pelas ilhas Senkaku/Diaoyu

Posted by Victor Fumoto

Ambos possuidores de história e cultura milenar e símbolos do continente asiático, os dois países tem tido muitos embates, ideológicos e físicos, ao longo dos anos. Além do continente, alguns caracteres chineses aparecem no alfabeto japonês, consequência do contato frequente por mais de um milênio entre japoneses e chineses.

 

Japão e China disputam ilhas Senkaku/Diaoyu

A disputa por esse território localizado entre os dois países, no Mar da China Oriental, ao noroeste de Taiwan, é motivo de desacordos a ponto destas possuírem uma denominação em cada país. Senkaku, para os japoneses, e Diaoyu, para os chineses. Mesmo senda ilhas  desabitadas, a relação diplomática e econômica entre os países está sendo afetada (como explicado no último tópico deste texto).

 

Japão

Acima vemos a localização das ilhas Senkaku/Diaoyu, à noroeste de Taiwan.

 

A China envia regularmente barcos e aviões aos arredores das ilhas para que seja feito seu monitoramento. O Japão, em 2012, enviou 20 barcos ao território para que fosse realizada uma cerimônia em homenagem aos japoneses ali mortos durante a Segunda Guerra Mundial. Pequim considerou este ato um golpe contra sua soberania nacional. Ocorreram protestos em 2012 no consulado japonês no sul da China pedindo que os japoneses deixem as ilhas, mesmo que os japoneses tenham clamado sua soberania em 1895 (segundo também um tratado de 1951). O motivo do grande interesse desses países nesse território são sua posição estratégica e suas possíveis reservas de petróleo, e o Japão afirma que a disputa só começou quando em 1970 foi levantada a possibilidade da existência das reservas, e a disputa por essas ilhas tensiona ainda mais a divisão dos recursos energéticos do Mar da China Oriental entre esses países. A China, afirma que estas ilhas a pertenciam antes do que ao Japão e que servem como pesqueiro para Taiwan, o que já gerou problemas (em 2005, 50 barcos taiwaneses protestaram contra o tratamento injusto dos fiscais japoneses).

 

Relação entre Japão e China

Shinzo Abe propôs uma reunião em 2013 com o objetivo de melhorar as suas relações com a China, abaladas a vários meses por essa disputa territorial. “Devemos retomar as relações com a China, começando por uma reunião entre os dois países”, declarou o chefe de Governo conservador. A proposta de uma reunião representa uma abertura ao diálogo por parte de Abe, considerado um radical no campo diplomático e que afirmou, em várias ocasiões, que a questão de Senkaku não se apresentava e que a soberania do Japão sobre o arquipélago ‘não era negociável’. A ideia da reunião com Pequim foi anunciada após o retorno de Abe de uma viagem pelo sudeste da Ásia, na qual buscou o apoio destas nações na disputa territorial e tentou reafirmar, ao mesmo tempo, a força do Japão na região. Em 2014, em visita ao Brasil, Shinzo Abe deu a entender que haveria uma reestruturação dos laços diplomáticos entre Japão e China

 

japão

Fonte: Defesa net 

 

A relação entre os dois países foi marcada pela tensão desde a forte dominação exercida pelos japoneses na China e também o massacre de Nanquim em 1937. A disputa pelo território do Mar da China Oriental (3,5 milhões de km²) já dura mais de uma década e não parece ter horizontes de solução próxima, ainda mais se contarmos o fato do interesse energético nas possíveis reservas de petróleo como um agravante nessa disputa. Em junho deste ano, o presidente chinês Xi Jinping se encontrou com secretário dos EUA, Mike Pomeo,  em Pequim (três dias após o encontro de Trump com o presidente norte-coreano Kim Jong-Un, anunciando suspensão dos exercícios militares conjuntos entre EUA e Coreia do Sul). Nesta visita, o secretário criticou as ações do governo chinês no mar do sul da China e acusou a militarização da região, o que foi rebatido pela China quanto à presença militar americana na região, justificado pelas operações de “liberdade de navegação”, segundo Mike Pomeo. Apesar de apoiar a Coreia do Norte e o encontro entre Kim e Trump, mantém suas ações militares no mar do sul da China onde está o ponto de tensão com Washington.

 

Contexto Japonês

Em 2013, Japão enfrentava uma grave crise diplomática com o vizinho desde setembro. O aumento da tensão aconteceu depois da compra parcial pelo Estado nipônico junto a um proprietário privado de parte das Senkaku, um pequeno arquipélago desabitado no mar da China Oriental composto por 5 ilhotas que Pequim reivindica sob o nome de Diaoyu e o argumento de que tal território os pertencia antes de ser clamado pelos japoneses. O governo japonês adquiriu, em 2012, três das cinco ilhas de maneira privada, o que prejudicou a disputa.

 

“Guerra curta e dura” e EUA

O problema das Senkaku afeta o comércio entre os dois países, concretamente as montadoras japonesas implantadas no mercado chinês. O turismo bilateral também foi abalado pela disputa, que envolve o sentimento de orgulho nacional nos dois países. Recentemente a China fez treinamentos militares nessa região, o que causou ainda mais tensão em seu conflito comercial atualmente travado com os EUA. Segundo a imprensa estatal chinesa, navios chineses realizaram exercícios militares simulando ataques aéreos nas ilhas Senkaku/Diaoyu no dia 24 de maio deste ano (2018). Pequim e Washington trocaram acusações acerca do aumento da presença militar nesta região, que tem pouco mais que  tamanho da Índia e é disputada por 6 países (China, Taiwan, Brunei, Filipinas e Vietnã e Malásia).

 

 

Os treinamentos ocorreram uma semana após a divulgação de aviões de bombardeio dos EUA sobrevoando a região além de um navio da Marinha dos EUA já ter adentrado o território ultramarino chinês em maio. A forte reação desses países em relação à essa região se deve aos US$5 trilhões que passam por aquela importante via do comércio internacional anualmente. Além disso, as recentes indicações quanto à reservas de petróleo despertaram interesse da China, que consome cada vez mais esse recurso energético para sustentar seu crescente desenvolvimento, e do Japão, que compete com a China pela influência economia na Ásia.

 

Fonte: G1, Terra, Folha de S. Paulo, Sputnik News, Reuters

Por Mariana M. Fidalgo, diretamente de Marília, SP – Brasil

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