March 13 2018

Tecnologia: iChina e o Oriente online

Posted by Victor Fumoto

Se você gosta de tecnologia e quer saber mais sobre as inovações tenológicas, os diferentes aplicativos e as redes sociais na China, aprenda agora sobre o Oriente virtual que cabe na tela do seu smartphone.

 

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Tecnologia e o Grande Firewall da China

Conhecemos a web como um mecanismo universal de obtenção de informação, comunicação e entretenimento. Mas, o que é a internet? Segundo o dicionário, a Internet é uma rede virtual mundial que conecta computadores particulares, corporações e bases de dados, promovendo a troca informações e mensagens entre pessoas ao redor do globo terrestre. Mas, na China não é bem assim. A Internet na verdade é uma INTRAnet e podemos perceber a diferença quando analisamos a palavra que a descreve; o prefixo “intra”, que significa “dentro”, em contraste com o prefixo “inter”, que significa “entre”. Assim, a Intranet também é uma rede responsável por conectar computadores, corporações e bases de dados, mas faz isso sem necessariamente estar ligada à internet por motivos de segurança. A Intranet funciona com diversos filtros para evitar que conteúdo estrangeiro dito como perigoso (ao governo chinês) chegue aos computadores e celulares dos residentes da China.

Com o passar dos anos e conforme a lenta e gradual abertura cultural e econômica da China para o restante do mundo, os filtros desse Firewall (barreira/sistema de segurança da computação) ficaram cada vez mais relaxados, permitindo o acesso ao WhatsApp e ao Facebook no final do ano passado, mas, ainda assim, vários conteúdos são negados aos chineses por serem classificados como nocivos para o Estado e a população, o que significa que não há como usar o Google, Youtube, Twitter e outros inúmeros sites e apps que conhecemos e usamos diariamente.

 

Marcas chinesas que estão ultrapassando a Muralha

 

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Além da barreira do Firewall chinês para proteger a mídia, o governo utiliza, assim como o Brasil, o mecanismo do protecionismo para proteger a economia. Protecionismo consiste em uma série de medidas, taxas e impostos que buscam evitar ou dificultar a compra de produtos importados. Isso quer dizer que os chineses não podem comprar produtos importados? Não. Assim como no Brasil, o chinês tem acesso e pode sim comprar seus produtos importados, mas por um preço elevado, dessa forma o produto nacional aparenta ser mais barato e mais atrativo, impulsionando a indústria local.

Ok, mas o que isso tem a ver com a tecnologia? Tem tudo a ver!

Essas medidas de proteção fizeram com que a indústria de tecnologia chinesa crescesse independente e com força. As marcar chinesas, com seus preços menores, tornaram-se muito atrativas ao público, mais interessantes que as concorrentes estadunidenses (Apple, IBM), coreanas (Samsung, LG) ou japonesas (Toshiba, Mitsubishi). As chinesas Lenovo, Huawei e XiaoMi são as três marcas mais fortes do mercado nacional chinês e estão conquistando compradores no exterior. Já vemos computadores e celulares Lenovo em praticamente todas as lojas brasileiras de eletrônicos, os produtos e serviços da Huawei estão presentes em 170 países e regiões, sendo usados por mais de um terço da população mundial, e a XiaoMi (que produz desde computadores, celulares, tv’s, hoverboards, até mesmo panelas de arroz) continua um pouco tímida, estando presente em apenas 17 países espalhados pelos continentes, mas que se mostra presente para você leitor do blog da China Link Trading, porque esse artigo foi escrito usando um notebook XiaoMi.

 

Marcas Independentes + Intranet = Ornitorrincos tecnológicos

 

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Vamos imaginar um ornitorrinco; um animal que parece a mistura de um castor com um pato. É um mamífero que bota ovos e vem de um país insular com uma fauna e flora isolados, os quais tiveram um ambiente, evoluções e adaptações diferentes dos animais e plantas dos demais continentes. É completamente estranho para nós, mas completamente normal para o australiano. Essa metáfora parece fora do contexto desse texto, mas serve para ilustrar a mídia social chinesa.

Com companhias e desenvolvedores independentes das tecnologias ocidentais – possíveis por conta da política de protecionismo – e com uma intranet muitas vezes isolada pela proteção do Firewall de filtros, as funções, sites e aplicativos chineses são o que podemos chamar de ornitorrincos tecnológicos; cumprem funções semelhantes aos sites e aplicativos ocidentais que estamos acostumados (assim como o ornitorrinco se assemelha ao castor e ao pato, animais da América), mas estão organizados de uma maneira diferente, pois o ambiente e as necessidades do público usando essa mídia são diferentes.

No lugar do Google temos Baidu, ao invés de Ebay ou Amazon temos Taobao, Waibo no lugar do Twitter, Youku como o Youtube chinês, e mais uma enorme lista de exemplos. Esses sites e apps podem parecer cópias dos seus respectivos ocidentais, mas funcionam com plataformas ligeiramente diferentes. Ninguém fora da China se importava com essas “cópias” de aplicativos, mas isso começou a mudar depois da descoberta do WeChat.

 

WeChat, o SuperApp chinês que todos querem copiar

 

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O WeChat pode parecer um aplicativo comum, mas é muito mais do que isso. O WeChat é um SuperApp, multiuso e que faz praticamente tudo para o usuário, substituindo o aplicativo do banco, WhatsApp, Facebook, Skype, Uber, Instagram, Amazon, Venmo, Tinder. Possui também funções que não temos em nenhum aplicativo ocidental; com ele você pode marcar consultas e exames em hospitais, utilizar serviços de investimentos, consultar “mapas de aglomeração” para ver se o seu restaurante favorito está lotado ou não, e contratar uma imensa lista de serviços disponíveis.

Mas o que deixa o WeChat tão sedutor para os olhos das empresas e corporações ocidentais é o fato de que todas essas funções estão em um único aplicativo e todas essas funções fazem com que o WeChat acumule um grande número de informações pessoais, que podem ser vendidas para anunciantes, publicitários e ao governo.

Para nós fora da China isso é importante, pois muitas companhias de tecnologia e mídia tentam copiar o WeChat. Para as empresas é um instrumento poderoso de propaganda, para os usuários é uma ferramente conveniente e útil, mas também pode ser preocupante no sentido da perda de privacidade. Por isso, é essencial o uso consciente e crítico das redes de tecnologia, não importa se você usa uma internet ou uma intranet.

Para saber mais sobre a China e importação, fique ligado no blog!

 

Por Isabela Caetano, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: The New York Times; XiaoMi; Huawei

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