Guerra de Tarifas – descubra como o crescimento da economia brasileira será afetado

A atual Guerra de Tarifas entre os Estados Unidos e a China tem afetado fortemente a economia de diferentes países ao redor do globo. Porém, apesar de quase ninguém ficar fora disso, algumas regiões são muito mais prejudicadas do que outras, como é o caso dos países emergentes, e mais especificamente do Brasil. Quer saber mais sobre como as consequências do novo capítulo da disputa comercial entre China e EUA afetam o crescimento da economia brasileira? Então continue lendo o artigo!

 

Guerra de Tarifas
(Imagem by Reuters/Saul Loeb, retirada de Quartz).

 

Pesquisa da OCDE – consequências da Guerra de Tarifas para o desenvolvimento da economia brasileira

Projeções econômicas realizadas pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), no começo deste mês de julho, apontaram que as grandes economias emergentes, como a China, a Rússia, a Índia e o Brasil, enfrentarão maiores dificuldades econômicas, decorrentes da Guerra de Tarifas, do que os países desenvolvidos.

A OCDE indicou que as tarifas de importação mais altas vão retirar meio ponto percentual do crescimento real do PIB global. Segundo a pesquisa, nos próximos 40 anos, o crescimento econômico mundial poderá desacelerar, passando de 3,4 por cento, atualmente, para 2,0 por cento. No caso do Brasil, Rússia, Índia, Indonésia e China, até 2060, o PIB real per capita sofrerá uma perda de 18 por cento com a Guerra de Tarifas. O padrão de vida desses países emergentes, e dos demais que compõem o OCDE, cairá 6 por cento em média, enquanto nas nações desenvolvidas da Zona do Euro, o número será de 4,5 por cento, graças ao alto nível de comércio entre elas.

 

Mercado financeiro – para os IPOs, “o ano de 2018 já acabou no Brasil”

Para o mercado financeiro brasileiro, o cenário também é pessimista. Em 2017, e mesmo ainda no começo de 2018, esperava-se que este seria um ano marcado por uma recuperação econômica e pela valorização da bolsa de valores. Contudo, a realidade foi diferente das expectativas. O quadro incerto das eleições presidenciais no Brasil, no segundo semestre de 2018, somado à questão da Guerra de Tarifas e à recuperação da economia dos Estados Unidos intensificaram um momento que já estava ruim para os acionistas, enterrando as esperanças de que o ano de 2018 seria frutífero para as ofertas de ações.

guerra de tarifas
A China tem um grande interesse de expandir a cooperação com o Brasil (Imagem by Exame. abril)https://exame.abril.com.br/noticias-sobre/brasil-china/

Nesse sentido, de acordo com reportagem do EXAME do começo deste mês, José Francisco Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, ao relembrar o período em que eclodiu a greve dos caminhoneiros, afirmou que “o ano já acabou em maio” para os IPOs. Segundo ele, “A greve teve implicações na Petrobras e mostrou que não havia mais impulso de política econômica ou medidas reformistas. De lá para cá, só se viu investidor estrangeiro saindo”.

 

Mercado agrícola – as consequências da Guerra de Tarifas para o mercado brasileiro de soja

Apesar das projeções nada otimistas da OCDE para o crescimento da economia brasileira e da perda de esperanças por parte dos IPOs, alguns analistas estimam que a disputa comercial entre China e Estados Unidos está agitando o mercado global de produtos como a soja, o que poderia vir a favorecer a economia brasileira.

Já no início deste ano, com a guerra comercial entre Estados Unidos e China, que levaram a um corte nas importações de soja dos Estados Unidos, possibilitou-se um aumento significativo dos preços de outros fornecedores, como é o caso do Brasil. Esse cenário permitiu que a exportação de soja brasileira atingisse recordes jamais vistos. Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o gigante asiático foi responsável por comprar quase 80% de toda a soja brasileira produzida no primeiro trimestre de 2018.

 

Guerra de Tarifas
(Imagem retirada de Pexels).

 

Segundo reportagem da revista EXAME deste mês de julho, graças à queda dos preços da soja estadunidense, o prêmio obtido pelo grão brasileiro sobre os contratos futuros em Chicago já foi dobrado. Diante desse cenário, o Brasil – maior exportador da commodity – poderá obter vantagens na venda do produto, na atual Guerra de Tarifas, se ele mudar as suas estratégias.

Como indicou Tracey Allen, analista do JPMorgan em Londres, o Brasil deve passar a comprar farelo de soja (ingrediente importantíssimo e necessário para alimentar a indústria aviária brasileira) de países que o vendem a tarifas e preços mais baixos, como é o caso da Argentina. Assim, importando uma oferta mais barata da soja proveniente de outros lugares, o país ganharia vantagens ao reexportá-la, e conseguiria atender o mercado interno: “Sendo realista, essa é a única forma de possibilitar o fluxo máximo de exportação de soja do Brasil e de atender à demanda interna”.

Contudo, no começo do primeiro semestre de 2018, o presidente da Aliança Agro Brasil-Ásia, Marcos Jank, indicou que o Brasil se beneficiaria com a tensão comercial apenas no curto prazo. Segundo ele, o país poderia sair prejudicado num prazo mais longo: “No curtíssimo prazo claramente há oportunidade para aumentar os embarques de alguns produtos brasileiros, mas o que a China está fazendo é retaliar para negociar e, em uma negociação com os EUA, ela pode adotar medidas que beneficiem os americanos e prejudiquem o Brasil”, disse ao Broadcast Agro.

 

Por Lys Brittes, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: EXAME, Estadão, Folha de S. Paulo, Notícias Agrícolas

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