Guerra comercial entre China e EUA: quais as suas origens históricas?

Estamos acompanhando em tempo real a maior guerra comercial da história mundial. As duas maiores economias do planeta, os Estados Unidos da América e a China, travam uma guerra de tarifas comerciais com o objetivo de diminuir o déficit comercial dos estadunidenses com os chineses e abrir o mercado do país asiático a produtos dos EUA, uma disputa cujos impactos são sentidos globalmente, devido à interdependência econômica cada vez maior entre os países. Mas sabia que essa não é a primeira vez que a China enfrenta pressões externas para abrir o seu mercado aos estrangeiros? Confira neste artigo os embates comerciais históricos entre os chineses e potências ocidentais!

 

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Mapa representando a extensão máxima do império chinês sob a dinastia Han. Fonte: China Mike

 

A China no imaginário europeu

Todos sabemos que a história da China é milenar, sendo considerada a mais antiga civilização a existir atualmente. Em sua longa trajetória, os chineses tiveram momentos de apogeu e declínio, de paz e de conflitos. Uma das primeiras dinastias bem-sucedidas da China foi a Han (), que governou logo após a unificação do país num império entre os anos de 206 a.C. a 220 d.C. Foi durante esta dinastia que os europeus, no caso, os romanos, tiveram os primeiros contatos com os chineses, especialmente com um produto valiosíssimo, a seda.

A Rota da Seda, hoje tão mencionada por causa da iniciativa “One Belt, One Road”, eram antigas vias comerciais, a mais famosa delas, que saía de Xi’an (西安), antiga capital do império chinês, percorria onde era a Pérsia (atual Irã) e chegava até Antioquia (Turquia). De lá, os produtos que chegavam do Extremo Oriente eram distribuídos para Roma, Constantinopla (atual Istanbul, na Turquia) e Alexandria (Egito). Havia outras rotas terrestres, que passavam por sua vez pela Índia, e inclusive existia também uma rota marítima. Esse comércio foi lucrativo e atraía os olhares e a imaginação dos europeus sobre o que havia naquelas terras tão longínquas. Durante essa época, houve um princípio de guerra comercial entre a China e o ocidente, quando missionários conseguiram contrabandear ovos de bicho-da-seda e tentaram, com pouco sucesso, produzir a seda na Europa.

A Rota da Seda floresceu durante o período de conquistas islâmicas e atingiu o seu ápice com o império mongol de Gengis Khan, que conquistou a China e várias terras até o Oriente Médio. Foi durante o reinado do seu neto, Kublai Khan, que Marco Polo fez a sua épica viagem partindo de Veneza até chegar na China. Quando voltou, escreveu um livro contando as maravilhas e riquezas existentes na China e atiçando ainda mais o desejo dos europeus de fazer comércio com os chineses.

 

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Marco Polo foi à China e escreveu um livro contando suas peripécias na Ásia. Fonte: Revista Veja.

 

A chegada dos europeus na China

Com a queda de Constantinopla nas mãos dos otomanos em 1453, as antigas rotas terrestres que ligavam a Europa à Ásia foram fechadas. Os europeus, especialmente os portugueses, lançaram-se ao mar para encontrar uma nova rota marítima para as “Índias”. No ano de 1513, os portugueses chegaram a Guangzhou (Cantão) e posteriormente conseguiram o domínio sobre Macau.

Depois dos portugueses, outros europeus também chegaram à China, mas as relações entre chineses e ocidentais nem sempre foram agradáveis, resultando em uma guerra comercial.

 

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Ruínas da catedral de São Paulo, resquício da ocupação portuguesa em Macau. Imagem por: Free Images

Há algumas explicações históricas para isto: a primeira vem da política externa da dinastia Ming, que defendia a ideia de uma China fechada para o mundo, especialmente em relação às ideias e crenças. A segunda vem do comportamento europeu, muitas vezes ávido pelo comércio e que empregaram a violência para tentar abrir o mercado chinês. O resultado disso foi uma intensa e, muitas vezes, agressiva guerra comercial que piorou durante os anos.

 

As Guerras do Ópio: a grande guerra comercial

Os ânimos se acirraram no século XIX, com a chegada dos britânicos, então a principal potência comercial e militar da Europa. Os ingleses compravam muita seda, porcelana e chá da China, resultando num déficit comercial para os ingleses, que buscaram meios de inverter o jogo (algo semelhante às justificativas do Trump para promover a sua guerra comercial com a China).

Os britânicos encontraram no ópio, uma droga muito popular entre os chineses da época, um meio para melhorar a sua balança comercial. Os imperadores da dinastia Qing haviam restringido os europeus a comercializar somente em Guangzhou. Por isso, os ingleses tiveram que contrabandear ópio e isso tornou-se um negócio extremamente lucrativo para eles, mas que chamou a atenção dos governantes chineses, que tomaram medidas para suprimir esse comércio. A Inglaterra retaliou e a Primeira Guerra do Ópio eclodiu entre 1839 e 1842, com a vitória do Reino Unido. O Tratado de Nanking, assinado após a vitória inglesa, abriu portos e mercado chinês para produtos ingleses, além de obrigar os chineses a cederem Hong Kong ao Reino Unido. Ao mesmo tempo, iniciou-se uma corrida de outras potências, como França, Estados Unidos, Alemanha e Japão, que forçaram a China a abrir também mercado para os seus produtos. Esse período iniciado com a Primeira Guerra do Ópio até a Segunda Guerra Mundial é conhecido na China como “a grande humilhação” e provocou sérias turbulências sociais, políticas e econômicas que culminou, em 1911, com a queda da dinastia Qing e a proclamação da República.

 

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Haverá ganhadores nesta guerra comercial?

 

Analisando a história chinesa e as suas relações comerciais com outros países, vemos um repeteco agora, entre EUA e China. Os economistas estão preocupados com o resultado desta guerra comercial e as consequências disso para o mundo.

E você? Como acha que essa guerra comercial entre China e EUA terminará? Deixe as suas impressões nos nossos comentários!

 

Por Victor Fumoto, diretamente de Indaiatuba, SP – Brasil.

Fontes: Infoescola, Wikipedia.

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