Guerra Comercial entre EUA e China

Empresas americanas sediadas na China alertaram na quarta-feira passada (18/01) para uma possível guerra comercial com Pequim, uma vez que o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, imponha as restrições ao comércio ou aos investimentos entre os países prometidas durante a sua campanha presidencial.

 

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Companhias sediadas na China temem retaliações por eventuais restrições ao comércio prometidas por Donald Trump

 

De acordo com a Câmara de Comércio Americana na China, medidas nesse sentido podem implicar em retaliações. “A China não está desarmada para responder às ações que os EUA podem ou não executar”, afirmou Lester Ross, membro do conselho da instituição em Pequim.

Ross apresentou nessa quarta-feira uma pesquisa sobre a situação das empresas americanas no país asiático. Segundo o estudo, Pequim já teria começado a adotar algumas medidas, como a imposição de normas antidumping mais rígidas sobre produtos químicos agrícolas americanos.

Segundo levantamento da Câmara, empresas americanas acreditam que suas operações são cada vez mais desfavorecidas na China. A pesquisa de Ross mostra que quatro em cada cinco companhias se sentem menos “bem-vindas” em comparação com o ano anterior. A maior parte dos entrevistados vê um “ambiente desanimador” para investimentos.

As críticas das empresas americanas apareceram logo após o discurso do presidente chinês, Xi Jinping, na cidade suíça de Davos, onde ele se posicionou contra o protecionismo e alertou para uma “ guerra comercial ” que prejudicaria todos os países envolvidos.

 

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Presidente chinês discursa durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos (Foto: Reuters/Ruben Sprich)

 

Durante toda a sua campanha, Donald Trump, que tomou posse na sexta-feira passada (20/01), ameaçou subir as taxas de importação de produtos chineses para 45%, e além de ter causado conflitos diplomáticos com a China antes mesmo de sua posse, agora acusa o gigante asiático de manipular a própria moeda e de roubar empregos dos americanos.

Frustradas com as barreiras do mercado chinês, as companhias americanas querem que Washington adote uma postura mais dura em relação a Pequim, mas, ao mesmo tempo, temem que ações ousadas produzam retaliação.

 

Presidente da China defende livre comércio em Davos

O presidente chinês, Xi Jinping, fez uma forte defesa da globalização e do livre comércio em um discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na terça-feira (17/01), o que ressaltou o desejo da capital chinesa de desempenhar um papel global maior enquanto os Estados Unidos se voltam cada vez mais para dentro.

Ao comparar o protecionismo com o ato de “trancar-se em um quarto escuro” para se proteger do perigo, mas que ao mesmo tempo priva a sala de “luz e ar”, Xi Jinping advertiu outros países sobre perseguir seus próprios interesses às custas dos outros.

“Ninguém sairá vencedor em uma guerra comercial”, disse Xi em seu discurso na Suíça.

O presidente chinês afirmou ainda que a globalização se tornou uma “Caixa de Pandora” para muitos, mas que não foi exatamente a causa de muitos problemas globais. Sendo assim, as crises financeiras internacionais foram causadas pela busca excessiva de lucros, e não pela globalização.

Apesar de não ter mencionado Donald Trump, diversas mensagens do discurso do presidente chinês pareciam direcionadas ao presidente americano, que prometeu, em sua campanha política, proteger as indústrias norte-americanas da concorrência estrangeira e cobrar novas tarifas sobre as mercadorias vindas da China e do México.

Houve no Fórum, não apenas por parte de Xi Jinping, muita preocupação de que o governo do presidente eleito dos EUA possa inaugurar uma era de protecionismo.

O posicionamento do presidente chinês ocorreu num momento em que surgem dúvidas sobre se os EUA continuarão a ser uma força de cooperação multilateral em questões como comércio e mudanças climáticas.

 

OMC demonstra preocupação com possível guerra comercial entre EUA e China 

O diplomata brasileiro e atual diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, mostrou sua preocupação com as afirmações sobre uma possível guerra comercial entre China e EUA: “acho que devemos tentar não falar sobre uma guerra comercial, e eu acho que vamos ver muito disso”, afirmou Azevêdo no Fórum Econômico Mundial, em Davos.

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Azevêdo ainda afirmou que a guerra comercial “deve ser levada a sério” e que a maior diferença entre o que aconteceu na sequência da crise financeira mundial, em 2008 e o que aconteceu na década de 1930 é a existência de regras multilaterais nos dias atuais.

 
Lys Brittes, diretamente de Marília, SP, Brasil
Fonte: Exame, G1
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