April 03 2018

Guerra comercial entre China e EUA: causas e perspectivas

Posted by Ana Yamashita

Uma das principais notícias veiculadas pelos meios de comunicação em todo o mundo são as recentes tentativas dos Estados Unidos de travar uma guerra comercial com vários países, em especial, a China.

 

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Imagem by Ted S. Warren/AP Photo ©.

 

Recentemente, o governo de Donald Trump anunciou uma sobretaxação da importação do aço e alumínio para o país, o que provocou protestos e ameaças de retaliações comerciais ao redor do mundo. Diante das medidas tomadas por Trump, o governo chinês elevou o tom e disse estar pronto para responder à altura aos Estados Unidos. Assim, na última segunda-feira (02/04), a China ameaçou a administração estadunidense com a taxação de até 25% sobre as importações de 128 produtos fabricados nos Estados Unidos.

Quer entender mais as novas medidas da China diante da sobretaxação norte-americana do aço e do alumínio? Será que haverá, de fato, uma guerra comercial entre China e Estados Unidos? Confira agora as principais perspectivas econômicas e políticas dessa tensão entre as duas superpotências.

 

A guerra comercial de Trump

No último dia 22 de março, o governo Trump anunciou uma taxação em cerca de 50 bilhões de dólares sobre as exportações chinesas em direção aos Estados Unidos. Analistas de Relações Internacionais dizem que o presidente estadunidense está tentando agradar seu eleitorado conservador ao lançar plataformas econômicas, políticas e sociais em concordância com seus slogans de campanha “Make America Great Again” (Fazer a América Grande de Novo) e “America First” (América em primeiro lugar).

 

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Imagem by Win McNamee/Getty Images ©.

 

O discurso nacionalista de Trump reflete-se numa agenda econômica protecionista, na qual o presidente ameaça retirar-se ou revisar os acordos e tratados comerciais considerados injustos para os Estados Unidos. O presidente norte-americano já retirou o país do Tratado Trans-Pacífico, do Acordo de Paris, sobre mudanças climáticas, e avalia retirar o país do Nafta, a zona de livre comércio entre México, Canadá e Estados Unidos; tudo isso sob a bandeira de proteger a economia do país. Na viagem oficial feita à Ásia, Trump reclamou das relações comerciais “injustas” que os estadunidenses possuíam com Japão, Coreia do Sul e China, visto que o país possui déficit na balança comercial com estes Estados. Nem mesmo as ameaças de punições por parte da Organização Mundial do Comércio (OMC) parecem surtir efeito.

Já durante a sua campanha, Trump havia criticado a China e sua política comercial, sempre afirmando o quanto os Estados Unidos têm sido prejudicados pelos chineses, especialmente com a ida de fábricas para o país asiático e a consequente perda de empregos. Agora, além de Trump taxar as importações de aço e alumínio, também sobretaxou as máquinas de lavar e painéis solares.

Alguns economistas justificam que as medidas protecionistas tomadas pelos Estados Unidos têm por objetivo não uma guerra comercial em si, mas forçar os chineses a negociarem e a liberalizarem a sua economia. Vale lembrar que a China, embora cada vez mais inserida no mercado global, continua sendo uma economia altamente controlada pelo Estado e pelos dirigentes e burocratas do Partido Comunista Chinês, isto é, o papel das estatais chinesas dentro da economia do país é grande. O que os Estados Unidos talvez estejam almejando seria aumentar a sua participação dentro desse lucrativo mercado consumidor. Atualmente, as empresas americanas também precisam firmar joint ventures com empresas chinesas para operar no país; ademais, devem transferir tecnologia para os chineses, o que Trump chamou de “roubo”.

Embora a retórica de Trump diga que os Estados Unidos não têm medo de travarem uma guerra comercial contra a China, economistas e políticos do mundo inteiro observam atentamente cada movimento nesse conturbado jogo por hegemonia comercial. E eles têm motivos para se preocuparem, visto que se tratam das duas maiores economias do planeta, que juntas correspondem a quase 40% do PIB global.

 

A resposta chinesa à possível guerra comercial de Trump

Logo após as medidas tomadas por Donald Trump, os chineses responderam às ações estadunidenses prometendo retaliação, o que poderia realmente gerar uma guerra comercial entre os dois Estados. No entanto, o governo de Beijing tem, até agora, procurado agir com cautela, tentando resolver essa tensão por vias diplomáticas. O motivo seria a grande dependência da China de suas exportações para os Estados Unidos, as quais poderiam ser terrivelmente prejudicadas caso uma guerra comercial seja realmente travada; os danos à economia chinesa seriam grandes.

 

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Imagem by Johannes Eisele/AFP/Getty Images ©.

 

Porém, ontem (02/04), a China ameaçou a administração de Trump com a taxação de até 25% sobre as importações de 128 produtos norte-americanos. Segundo o Ministério do Comércio da China, tais tarifas possuem como intuito pressionar o governo Trump a recuar da latente guerra comercial entre os países.

O Ministério declarou: “Esperamos que os Estados Unidos rescindam suas medidas que violam as regras da Organização Mundial do Comércio o mais rápido possível”. Para a China, as duas nações são as maiores economias do mundo e devem buscar a cooperação e o diálogo para resolverem suas preocupações mútuas.

Os chineses são os maiores produtores e exportadores mundiais de aço e ameaçaram retaliar sobretaxando produtos agrícolas exportados pelos americanos. As importações de soja para o país asiático correspondem a um terço do total exportado do produto, e, caso houver uma taxação dessa commodity, prejudicaria enormemente a economia de muitos Estados norte-americanos, a maioria deles de eleitorado republicano e que votaram em Trump. O mesmo se aplicaria à carne de porco, um importante produto de exportação estadunidense para a China, que provêm, principalmente, de regiões agrícolas em Estados que votaram em Trump.

Isto é, caso haja uma guerra comercial, o feitiço pode acabar virando contra o feiticeiro e prejudicar ainda mais a imagem do presidente norte-americano junto ao seu eleitorado, que tem cobrado o cumprimento das suas promessas de campanha. Alguns senadores republicanos demonstraram preocupação com a política comercial agressiva de Trump e criticaram o presidente, afirmando que ninguém sairia ganhando com uma guerra comercial.

 

Por Victor Fumoto, diretamente de Indaiatuba, SP, Brasil

Fontes: CNN, Reuters, The New York Times

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