Guerra comercial entre China e EUA e suas consequências

O que no mês de Julho já era chamado de “a maior guerra comercial da história”, hoje continua a tensionar o comércio internacional – principalmente após uma reunião entre os líderes dos dois países que não resultou em acordo algum, mas já somou cerca de 100 milhões de dólares em valores de novas taxas alfandegárias.

 

Últimos desdobramentos da guerra comercial

Entraram em vigor, no fim do mês de agosto, as novas tarifas aduaneiras impostas de modo recíproco pela China e os EUA aplicadas às suas importações no valor de 16 milhões de dólares (impostas primeiro de Washington a Pequim e depois, o caminho contrário. Na soma dos combinados 100 milhões de dólares estão a taxas sobre produtos como motos Harley-Davidson, soja e uísque americano. Em reunião no dia 23 de agosto cujo objetivo era chegar a um acordo para equilibrar a relação comercial entre as duas nações, nenhum avanço no tema foi registrado. A tensão foi fortalecida nesta semana, o que corroborou para a falta de negociações entre China e EUA.

 

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Encontro entre Donald Trump e Xi Jinping.  Fonte: El País 

 

O cenário esperado agora é que ocorra uma segunda reunião que dê fim a esse conflito chamado pela mídia de “guerra comercial” antes que ocorram os fóruns multilaterais de novembro. Segundo o ministro das Finanças, Liu Kun, a China continuará a responder aos EUA conforme forem impostas novas tarifas, agindo de modo a diminuir e evitar danos a empresas que atuam na China.

 

Consequências econômicas na China

Liu Kun demonstra apreensão quanto ao impacto da guerra comercial nos empregos chineses, anunciando uma maior despesa pública para compensar esse fator. Em entrevista à Reuters anunciou que Pequim vai incrementar a despesa de forma a apoiar trabalhadores e desempregados afetados pelo conflito comercial com Washington. Além disso, afirmou que os governos regionais chineses vão emitir obrigações para financiar investimentos em infra-estrutura de modo a gerar empregos. Além disso, as importações chinesas de grãos despencaram em julho devido às novas tarifas de embarque impostas por Pequim.

 

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Navio cargueiro chinês. Fonte: Chinatopix/AP

 

Consequências nos EUA

No processo de adotar medidas econômicas protecionistas que tem gerado muita repercussão mundial, os EUA no momento passam por um momento turbulento não só em sua esfera econômica mas política também. O presidente Donald Trump tem enfrentado acusações de silenciar casos extraconjugais o que gerou uma grande tensão entre o presidente e seus advogados, a ponto de a opinião pública estadunidense chegar a utilizar a palavra “impeachment”.  

 

Alianças Internacionais

Sendo a China e os Estados Unidos potências de tamanha importância para o comércio internacional, era de se esperar que essa guerra comercial travada entre os dois tivesse consequências da mesma escala, afetando inclusive os negócios brasileiros. Cada nova rodada de novas tarifas impostas causa crises financeiras nos países sancionados e muda também a dinâmica das alianças estratégicas.

Países como Japão e Alemanha estão aproveitando a situação para assegurar uma maior participação no mercado automobilístico de passeio. Merkel, chanceler alemã, foi condenada por Trump por comprar gás natural russo, o que dias depois resultou num acordo para o oleoduto entre Merkel e Putin durante uma cúpula. As sanções estadunidenses impostas ao Irã ocasionaram problemas no seguro do transporte de seu petróleo. Em resposta, a China utilizou petroleiros iranianos assegurados e comprou combustível. Por mais que não passe de um discurso, o chefe da diplomacia alemã chegou a propor um novo sistema financeiro mundial que não se baseasse no dólar de modo a proteger as empresas europeias das sanções estadunidenses. 

À longo prazo provavelmente veremos mudanças nos padrões de investimento em resposta ao comportamento dos EUA. Segundo a mídia chinesa The Asset, a crise econômica turca pode ser aproveitada pela China quando estes forem buscar ajuda financeira, acelerando as ambições chinesas do Nova Rota da Seda em construção com seus megaprojetos.

 

Mariana M. Fidalgo, Marília, SP – Brasil

Fontes: Jornal de Negócios, Reuters, Poder 360, Sputnik Brasil, G1

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