Março 14 2018

Como a guerra comercial entre China e EUA afeta os negócios brasileiros?

Posted by Victor Fumoto

Guerra comercial? O assunto tratado gera diversos questionamentos. Em primeiro lugar, no entanto, cabe estabelecer o real significado do conceito que aqui se propõe. Uma guerra comercial é uma guerra que costuma envolver causas econômicas, que, por diversas vezes, são consideradas como variáveis causais da grande maioria das guerras no mundo. Este tipo de guerra envolve a utilização de diversos mecanismos econômicos. Estes podem ser prejudiciais a diversos países. O primeiro exemplo é de um embargo comercial. Tal medida proíbe o comércio com um determinado país devido a causas políticas e de interesses específicos do país embargador. Ou mesmo uma imposição de barreiras alfandegárias. Esta visa controlar o movimento de determinados produtos dentro de um país.

 

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Guerra comercial entre China e EUA preocupa negócios internacionais.

 

A guerra comercial está acontecendo agora?

Isto posto, cabe questionar: há uma guerra comercial acontecendo neste exato momento? De fato, não. Apesar de ser uma possibilidade proeminente, a China declarou enfaticamente neste domingo (11/03) que não possui pretensões de iniciar uma guerra comercial com os Estados Unidos. Por outro lado, foi incisiva em demonstrar que defenderá seus interesses nacionais; declaração que faz frente ao atual crescimento protecionista nos Estados Unidos. A declaração pressupõe o que, de fato, seria a razão primordial para o feito: uma guerra comercial somente traria enormes desastres para a economia global. Afetaria o comércio internacional, os negócios, a economia, entre outras coisas importantes para os países do sistema internacional.

A declaração é um recado de Pequim às sobretaxas ao aço e ao alumínio anunciadas pelo governo dos Estados Unidos na última semana. A China é o principal alvo da política protecionista de Trump. Tal campanha tem sido defendida abertamente desde a campanha eleitoral. O país asiático é o maior produtor e consumidor de aço no mundo. O decreto assinado na quinta-feira prevê tarifas de 25% e 10% sobre o aço e o alumínio importados pelos EUA, respectivamente.

Apesar de ser contra uma guerra comercial, o ministro chinês, Zhong Shan, destacou que Pequim defenderá seus interesses. Ele acrescentou que os dois países continuarão conversando. Ambos são hoje as maiores economias do mundo. O fato é que nenhum país em sã consciência disputaria uma guerra comercial. Isto não é um bicho de sete cabeças.  Já é sabido que, ao entrar neste tipo de disputa, — o que se acaba fazendo é prejudicar os outros e não se beneficiar — parafraseando o ministro Zhong.

 

Quem ganha e quem perde em uma guerra comercial?

 

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Na guerra comercial não há vencedores.

 

Ninguém ganha. Uma guerra comercial é prejudicial a qualquer parte, e isso é um fato. Entre os maiores impactos das taxas aduaneiras sobre os bens de consumo chineses conta também, naturalmente, o efeito cumulativo nos Estados Unidos. As taxas encarecem as importações e “a grande maioria dos consumidores americanos sofrerá com essa política, em especial os grupos de renda mais baixa”, já que as pessoas com mais dinheiro não são afetadas, e as pessoas com menor poder aquisitivo sim.

Por essa razão, está claro que em uma guerra comercial não há vencedores. As taxas aos países sobem, o comércio fica cada vez mais difícil. Consequentemente, as rendas internacionais líquidas diminuem. Ademais, gera-se um mal-estar no cenário internacional em termos de negócios internacionais e os parceiros comerciais desses países. Países com menor porte comercial ficam em um impasse, que é o caso do Brasil, por exemplo.

 

A questão do Brasil: como a guerra comercial afeta os negócios brasileiros

 

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Guerra comercial traz impasses para países de menor porte.

 

No setor da soja, por exemplo, esta última semana demonstrou baixas expressivas do comércio na Bolsa de Chicago, como apontado na sexta-feira (09/03). Na manhã do dia aludido, a perda de pontos do setor variava entre 10,25 e 10,75 pontos, com o maio/18 valendo US$ 10,53 por bushel (uma unidade de medida de capacidade para mercadorias sólidas, especialmente grãos e farinhas, utilizada nos países anglo-saxões).

A explicação da grande maioria dos analistas internacionais é simples e precisa. O atual mercado está a refletir alguns números do Departamento de Agricultura dos EUA. O resultado é o esperado: a redução das exportações e o aumento dos estoques norte-americanos. Contudo, ainda assim estão pesando, nas cotações, as notícias do aumento das tarifas sobre as importações de aço e alumínio, já que poderá haver retaliações, impactando no mercado de commodities agrícolas, principalmente no comércio de soja entre China e EUA.

Apesar de ser afetado pelas disputas internacionais, o Brasil é cauteloso por ser de menor porte. Ameaças de sanções, por exemplo, estão fora de cogitação. Por essa razão, o Brasil costumeiramente trabalha através da diplomacia. Em vistas de deixar o Brasil de fora destas dinâmicas que não beneficiam a economia do país, os representantes canarinhos têm se reunido com empresas, representantes e demais setores norteamericanos. Resta esperar para ver onde tudo isso vai dar.

 

Por Rafael Nascimento, diretamente de Marília, SP, Brasil 

Fontes: Deutsche Welle, Exame Abril, ISTOÉ Dinheiro, Notícias Agrícolas, O Globo

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