Fevereiro 06 2018

A Guerra à Corrupção na China

Posted by Victor Fumoto

Você acha que a corrupção é um problema intrínseco à cultura brasileira? Que só o Brasil precisa lidar com políticos corruptos e esquemas gigantescos dentro de partidos políticos? Na verdade, trata-se de um problema que assola os mais diversos países, da América à Ásia, e poucos deles escapam das estatísticas. Com a China não é diferente: os casos de corrupção dentro do Partido Comunista Chinês vem crescendo nos últimos anos, assim como os julgamentos do crime. Desde que assumiu a presidência em 2012, Xi Jinping deu início à uma caçada aos políticos corruptos e não pretende cessar até que todos sejam expurgados. Fique conosco neste artigo e saiba tudo sobre a guerra à corrupção na China!

 

A guerra à corrupção na China

 

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Mais de 1 milhão de funcionários públicos chineses já foram punidos por corrupção desde 2012.

 

Desde que assumiu o governo da China em 2012, o presidente Xi Jinping fez da guerra à corrupção seu principal pilar político. Desde o início de sua campanha até o final de 2017, mais de 1 milhão de funcionários públicos já haviam sido punidos. Segundo um relatório da BBC, mais de 170 ministros e vice-ministros foram demitidos e muitos deles acabaram na prisão acusados de crimes como corrupção, má conduta e transgressão das diretrizes do partido.

Segundo o juiz Zhou Qiang, em um relatório anual ao parlamento chinês, somente em 2016, os tribunais chineses ouviram 45 mil casos de suborno envolvendo 63 mil pessoas, embora não tenha dito quantos desses haviam sido condenados. Apesar do empenho do governo, estes números representam um aumento de um terço em relação ao ano de 2015.

 

Xi Jinping: a maior figura política desde Mao

 

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Xi Jinping foi elevado ao mesmo status de Mao Tsé-Tung devido às suas ideias políticas.

 

A revolução causada pela campanha de Xi vem sendo descrita como um expurgo interno sem precedentes desde Mao Tsé-Tung (1893-1976).

Mao Tsé-Tung, pensador e fundador da República Popular da China, realizou um processo parecido em seu governo ao expulsar muitos altos comandantes do partido entre 1949 e 1976. A grande diferença é que, no governo de Xi, muitas convenções que existiam no Partido Comunista Chinês (PCC) desde a fundação por Mao foram quebradas.

Um bom exemplo dessa quebra foram os julgamentos de várias autoridades estatais, assim como o afastamento discreto de algumas figuras relevantes. Além disso, somente nos últimos 5 anos, 35 membros do poderoso Comitê Central do Partido Comunista Chinês foram afastados – o mesmo número entre 1949 e 2012.

Por esse e outros motivos, Xi Jinping foi elevado ao status de Mao: por unanimidade, seu nome e sua teoria de governo foram adicionados à constituição do partido.

 

Revolução no Exército Chinês

 

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O Exército foi a área governamental mais afetada pela campanha anti-corrupção na China.

 

Até o momento, a área governamental mais afetada pela campanha foi a militar. O Exército chinês foi rapidamente reorganizado e modernizado em grande escala por Xi, assim que tomou posse do governo.

A partir daí, mais de 60 generais foram investigados e demitidos como parte de um projeto que pretende inserir um estilo ocidental de comando conjunto e dar os postos de comando a homens jovens. Mesmo enquanto os delegados começavam a se reunir em Beijing para participar do Congresso Nacional do Partido Comunista, não houve pausa nesse processo de expurgo e esta não dava sinais de desaceleração. No fim de 2017, dois generais, Fang Fenghui e Zhang Yang, desapareceram da cena pública e uma série de investigações de alto nível foi anunciada.

 

Perspectivas de governo: qual o desejo de Xi?

No décimo nono Congresso Nacional do Partido Comunista, realizado em outubro do ano passado, Xi Jinping foi reeleito, mais uma vez, presidente da Comissão Militar Central, a qual controla as Forças Armadas do país e  o Secretário-geral do Partido Comunista da China, ocupando, assim, novamente o cargo de poder mais alto no país.

A expectativa de todos no governo é que, apesar de Xi continuar no posto, uma nova leva de líderes surja, o que ajudará o presidente chinês a consolidar o seu poder. Apesar de o Partido Comunista governar há décadas por consenso, muitos analistas acreditam que Xi está reescrevendo as regras da política chinesa e concentrando o poder nas suas mãos.

Os mais críticos vem acusando-o de fomentar um culto de personalidade: eles afirmam que a maioria dos altos funcionários, que vem sendo punida ao longo da campanha, demonstrava apoio aos seus opositores ou ex-líderes, como Jiang e Hu. Já seus defensores defendem que o movimento contra à corrupção na China é indispensável para restaurar a credibilidade do partido, já que a China pode estar caminhando para substituir os EUA como maior economia do mundo.

 

Por Laís Barbosa, diretamente de Santos, SP, Brasil

Fontes: BBC, Folha, Estadão

 

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