Futebol Chinês: a Ascensão do Esporte na China

Que a China é uma potência esportiva não é surpresa para ninguém. Nas últimas edições dos Jogos Olímpicos de Verão, o país asiático se tornou figura carimbada no topo do quadro de medalhas, rivalizando até mesmo com os Estados Unidos na disputa pelo primeiro lugar, em função de sua tradição em modalidades como o Tênis de Mesa, o Badminton, o Levantamento de Peso e os Saltos Ornamentais. Recentemente, entretanto, uma outra modalidade que nunca despertou tanto interesse no público chinês vem ganhando popularidade: vamos falar hoje sobre o futebol chinês.

 

Futebol chinês: chineses tentam criar a Premier League na Ásia

 

futebol chinês
Segunda maior medalhista na última Olimpíada, a China quer ser potência também no futebol

 

A China quer ser a Inglaterra da Ásia. Pelo menos no futebol. A segunda maior economia do mundo organiza um campeonato de futebol milionário, cujos direitos de transmissão pela TV ultrapassam R$ 4,5 bilhões. A primeira meta é derrubar a liga japonesa e se tornar o ponto de referência do esporte no Oriente; para tanto, não poupa seus yuans na contratação de jogadores e técnicos estrangeiros que possam dar qualidade e ensinamentos para os novatos.

Os jogadores e treinadores que aceitam as propostas do futebol chinês encontram um ambiente seguro e tranquilo, além de um caminhão de dinheiro que paga mais até do que os principais mercados europeus, e, ainda, com uma vantagem: o mercado chinês é livre de impostos. Assim, os valores que estampam os noticiários (Jadson e Renato Augusto, ex-jogadores do Corinthians, por exemplo, levariam R$ 2 milhões por mês) são aqueles que irão parar em suas contas, sem deduções. E sem atrasos também.

A qualidade do campeonato tem aumentado ano após ano, o que é outro atrativo. Prova disso é o quarto lugar no Mundial de Clubes obtido pelo Guangzhou Evergrande em 2015. O clube, que é treinado por Felipão, é também campeão nacional e vencedor da Champions League asiática.

A estrutura do país também é atrativa para jogadores e treinadores. O Shandong Luneng, por exemplo, clube comandado por Mano Menezes, tem uma estrutura maior que a do São Paulo, considerada referência no Brasil e na América do Sul.

 

Liga Forte é Pedido do Presidente Chinês

 

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Atualmente, a China ocupa o 82º lugar no ranking FIFA. O presidente quer ver seu país campeão de uma Copa do Mundo

 

Muito da ascensão meteórica do futebol chinês tem a ver com o governo. O presidente do país, Xi Jinping, no cargo desde 2013, é apaixonado pelo esporte e essa paixão motivou os incentivos às empresas para fortalecer os clubes. Dessa forma, os 16 representantes da primeira divisão são controlados por empresários endinheirados prontos para agradar o presidente e para fortalecer o futebol. Em troca, ganham do Estado benefícios fiscais, concessões e até mesmo, no caso das empreiteiras, áreas físicas para construção.

A liga permite a inscrição de até cinco jogadores estrangeiros por time, abrindo uma vaga extra se um deles for asiático. Os goleiros, no entanto, precisam ser necessariamente chineses. Isso prova que o objetivo da Liga não é apenas exibição e espetáculo; a ideia é também formar. Para isso, conta com técnicos experientes, como os já citados Felipão e Mano Menezes, além de Sven Goran Eriksson. Marcello Lippi, Fabio Cannavaro e Cuca também já treinaram clubes no país. Mais do que apenas treinar o time, são importantes orientadores para os ainda inexperientes chineses.

Além da influência dos treinadores, o governo de Xi Jinping obrigou as escolas a incluírem o futebol na grade curricular. Essa medida mira instalar milhares de campos pelo país, para saltar dos cerca de 30 mil jogadores registrados para 100 mil até o fim de 2017 (o Brasil, em comparação, tem em torno de 1,5 milhão).

Nas arquibancadas, a média de público é de 22,5 mil torcedores, ocupando a sexta posição do ranking de campeonatos nacionais – atrás apenas de Alemanha, Inglaterra, Espanha, México e Itália. O Brasil ocupa a 12ª colocação nesse mesmo ranking.

 

Desafios para Jogadores Estrangeiros

 

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Público chinês já supera o brasileiro na média de presença por jogo

 

Esportivamente, o maior desafio da Liga é ampliar sua divulgação, para que os atletas estrangeiros possam ser vistos pelos técnicos das seleções nacionais, incluindo a brasileira.

Fora do âmbito esportivo, as principais dificuldades são o idioma, a alimentação, a poluição e, claro, a saudade. A língua, nos primeiros momentos, é de impossível compreensão; a comida é apimentada demais para a maioria dos padrões; a poluição deixa o ar seco e pesado e, finalmente, a distância de amigos e familiares precisa ser diminuída através de sessões de Skype.

 

E você, tem alguma consideração sobre a ascensão do futebol chinês?
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Por Ariel Oliveira, diretamente de Garça, SP, Brasil

Fontes: Zero Hora, Globo Esporte

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