Fim da guerra comercial se aproxima com acordo

Um novo acordo comercial é esperado entre as duas maiores economias do mundo. A resolução desse conflito que já dura um ano surgiu quando, na semana passada, Trump adiou imposições de novas tarifas e também devido a redução de tarifas e restrições a produtos americanos por parte da China. Entre esses produtos estão veículos e produtos químicos e agrícolas. No dia 24 de fevereiro o presidente dos EUA confirmou o avanço das negociações e, consequentemente, adiamento do aumento tarifário previsto para 1 de março quando elevaria a tarifa de 10 a 25% sobre as importações da China. Em sua conta do twitter, Trump diz que pediu à China que eliminasse imediatamente todos os impostos sobre os produtos agrícolas americanos, baseando-se no fato de que as relações bilaterais têm ido bem e salientando a importância disso para os grandes agricultores e para si próprio.

 

guerra comercial
Imagem by Win McNamee/Getty Images ©.

 

Guerra comercial sinaliza fim com acordo

Segundo o The Wall Street Journal, o encontro realizado em Washington em fevereiro deu início à formulação do acordo. Apesar desta nova perspectiva, questões nacionais e particulares de cada país podem ser obstáculo para a concretização do acordo, prevista para ocorrer no encontro entre os líderes dos dois países em 27 de março, após uma viagem já marcada do chefe de Estado chinês para França e Itália. Segundo o Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, é esperado que o acordo seja fechado nas próximas semanas. Afirmou também que o acordo tornará mais justo o comércio entre as duas potências, eliminando retaliações econômicas sobre commodities, como a soja.

A parte americana do acordo consiste em suprimir as tarifas de US$ 200 bilhões de dólares impostas às importações chinesas. A parte chinesa do acordo, que busca um acordo igualitário, têm como premissa mudanças estruturais da economia, entre elas: igualar as condições de competição de empresas no território chinês (atualmente existem melhores condições para empresas estatais); eliminar limites de investimento de capital estrangeiro; reduzir as taxas de importação de carros e aumentar o índice de produtos estadunidenses importados (diminuindo o déficit comercial entre os dois países), com destaque no gás natural do grupo Cheniere Energy. O que os chineses esperam agora é que os EUA retirem as tarifas sobre a importação de seus produtos.  

Além das questões estruturais da economia chinesa, os EUA também têm interesse em proteger sua propriedade intelectual, acabando com as transferências forçadas de tecnologia americana para a China e permitindo também uma abertura do mercado interno chinês para empresas norte-americanas, restringindo também os generosos subsídios industriais.


 

Guerra comercial

Bandeiras da China e dos EUA.
Fonte: G1. Foto Jason Lee/Reuters.

 

Um ano de guerra comercial

Chegando a ser chamada de maior guerra comercial da história, seu início oficial foi em março de 2018 com a imposição americana de tarifas sobre as importações de aço e alumínio e se tornou mais óbvia em abril, quando a China revidou. A retaliação chinesa de US$ 3 bilhões de produtos americanos deu início a uma sequência de retaliações que durou até novembro na reunião do G20 quando foram fixados 90 dias para a realização de um acordo. As tarifas, em oito meses de guerra comercial, somavam US$ 250 bilhões em importações chinesas e US$ 110 bilhões em bens e commodities americanas.

A trégua de 90 dias estabelecida durante uma reunião do G20 em Buenos Aires em novembro tende a resultar num acordo histórico, segundo o consultor da Casa Branca, Larry Kudlow, que finalmente resolva as questões entre os dois países.


 


Guerra comercial tensiona mercado internacional a um ano.
Fonte: China Link Trading

 

Impactos da guerra comercial

Além do mercado financeiro, foram sentidos prejuízos na produção de manufaturados e na exportação agrícola norte-americana. Para o mercado mundial, a relação com os Estados Unidos com outros países além da China também sofreu as consequências dessa guerra. Esse impacto se deu com os EUA impondo taxas sobre o aço e o alumínio de vários países, inclusive com cotas e sobretaxas para o aço brasileiro, sofrendo imposição de taxas da União Europeia e também ameaçando a mesma (20% de sobretaxa nas importações de veículos), dobrando as tarifas sobre o aço e o alumínio da Turquia (e sofrendo aumento de tarifas sobre produtos americanos que entrassem na Turquia) e, por fim, impondo 132% sobre produtos chineses e sobretaxando produtos do Canadá, Grécia, Índia, Coreia e Turquia.

Para os chineses, elas foram vistas em seus empregos, que demandaram despesa pública para compensação. Além disso, as importações chinesas de grãos despencaram devido a novas tarifas impostas por Pequim. Os americanos, ao adotarem medidas econômicas protecionistas, acabaram gerando um momento turbulento na sua esfera econômica e política.  De maneira geral, é esperada uma mudança na dinâmica dos investimentos mundiais após essa guerra comercial. Em uma guerra comercial não existem ganhadores, sendo ela prejudicial a todas as partes envolvidas, afetando principalmente consumidores com menor poder aquisitivo. Com o aumento das taxas e outros mecanismos comerciais, o comércio internacional do país é dificultado, colocando países com menor porte comercial em um impasse.

 

Postura do governo brasileiro

Com a trégua estabelecida entre China e EUA, a China deixou de comprar soja do Brasil para comprar do nosso concorrente estadunidense, causando um desfalque da demanda chinesa na balança comercial brasileira. As consequências da guerra comercial para os negócios brasileiros de soja, como baixas expressivas foram registradas devido a redução das exportações e aumento de estoques americanos.

Neste tipo de conflito onde não há ganhadores, países com menor porte comercial como o Brasil devem agir com maior cautela de modo a não prejudicar seu comércio internacional.  

 

Mariana Madrigali Fidalgo, diretamente de Brotas, SP – Brasil

Fontes: Folha de S. Paulo, G1, Correio do Povo, Exame, China Link Trading

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