Fábricas chinesas e seus avanços tecnológicos

Com o aumento das cadeias globais de valor, as vantagens produtivas da China (como o baixo custo de mão-de-obra) passaram a ser cada vez mais explorada pelos países líderes do capitalismo mundial, o que só era possível devido às más condições de trabalho a qual os operários chineses era submetidos nas fábricas chinesas. Devido a esse fenômeno a China passou a ser estereotipada como um país de fábricas com péssimas condições de trabalho e produtos baratos de qualidade questionada. Com cada vez mais fábricas e menos direitos, os trabalhadores chineses se encontravam numa situação de exploração onde a jornada de trabalho variava entre 10 e 14 horas e estava na hora de mudar isso. Com o crescimento econômico chinês que vem acontecendo desde meados dos anos 2000 estava na hora de mudar radicalmente a estrutura das fábricas chinesas para que estas pudessem atender às novas demandas tanto de seu mercado interno quanto externo, que exigem cada dia mais suas tecnologias sofisticadas.

 

fábricas
Uma das fábricas modelo da China. Fonte: greentechlead

 

Governo da China investe em novas tecnologias

O futuro industrial das fábricas chinesas está sendo desenhado, particularmente, em uma fábrica denominada Oficina 18 que, em um ambiente onde limpeza é característica marcante, operários e robôs dividem o espaço de trabalho ao construírem caminhões misturadores capazes de funcionar mesmo com as construções gigantescas famosas nas grandes cidades asiáticas. 380 mil produtos desta empresa (Sany Group), como as maquinarias para construção (escavadeiras, misturadores de concreto, guindastes, etc), são conectadas a um sistema na internet que coleta seus dados(que já somam mais de 100 bilhões de itens de engenharia) a fim de aprimorar seus produtos e obter feedbacks e relatórios de desempenho e uso praticamente instantâneos.

 

fábricas chinesas
As fábricas chinesas têm buscado cada vez mais inovações. Fonte: China Link Trading.

 

A política do governo chinesa conhecida como “Made in China 2025”  está buscando reforçar as fábricas chinesas campeãs e utiliza a Oficina 18 como exemplo e demonstração da instalação de um novo modelo de fábrica que traz a tecnologia como principal aliada para a melhoria das condições e técnicas de produção, de modo que seja possível um aumento ainda maior do lucro, pois os investimentos de melhoria da fábrica serão direcionados objetivamente a suas fraquezas. Essa política tem como objetivo mudar a visão que o mercado mundial tem acerca da qualidade dos produtos chineses.

 

Futurismo das fábricas chinesas

As inovações produtivas costumam ter um alto investimento pois indicam um aumento nos lucros da empresa, ou seja, é um investimento que se paga. Inovações futurísticas tem ganhado destaque na economia chinesa devido à sua vantagem produtiva e também ascensão da companhia que possui tal tecnologia no mercado. 3 entre as 9 fábricas mais futuristas do mundo estão na China, cinco estão na Europa e uma nos Estados Unidos.  Na China temos a Bosch Automotive, que implementou uma personalização de produtos e uma previsão de manutenção de seus produtos. A Haier adotou com tudo o lema de que o cliente tem razão e promete agir com uma personalização de acordo com as prioridades do cliente (além de também prever a manutenção de seus produtos). Por último temos a Siemens Industrial Automotation Products que aperfeiçoou seu design e sua linha de produção através de uma simulação em 3D e realidade aumentada, reduzindo o tempo de cada etapa da produção e aumentando a produção em 300%.

 

Efeitos da guerra comercial com os EUA sobre as fábricas chinesas

A guerra comercial entre China e EUA pode afetar as fábricas chinesas. Fonte: Ucho.info.

 

A guerra comercial travada entre a China e os EUA, como era de se esperar, está tendo reflexos na economia mundial, inclusive causando um êxodo das fábricas chinesas para países como o Vietnã e México, fugindo das tarifas adicionais impostas por Trump aos produtos chineses estabelecida em julho e agosto de 2018 (25% sobre US$ 50 bilhões ao ano, podendo aumentar o limite para US$ 200 bilhões e criar novas taxas). Empresas como HL Corp (fabricante de peças de reposição para bicicletas, um meio de transporte muito utilizado pelos chineses) transferiram suas empresas para o Vietnã para evitar ao máximo o impacto dessas tarifas, afirmando ainda que a administração de Trump ataca deliberadamente as bicicletas elétricas chinesas. Esse fluxo das fábricas chinesas já vem ocorrendo em direção ao sudeste asiático devido à mudanças na legislação ambiental chinesa e aumento do custo da mão-de-obra.

Por Mariana Madrigali Fidalgo, diretamente de  Marília, SP – Brasil
Fontes: Época Negócios, The Wall Street Journal, O Globo, Blog China Link Trading

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