Novembro 06 2018

As exportações e investimentos chineses no Brasil: um novo ciclo de oportunidades

Posted by Victor Fumoto

Do final da década de 90 para cá, as exportações brasileiras de produtos e serviços para a China saíram de quase inexpressivos 2% saltando para 20%, o que, em valores absolutos, representa um crescimento quase 50 vezes maior do era há 20 anos atrás. No âmbito das importações,  a participação da china passou também de 2%, em 1996, para 16,5% em 2016. No novo ciclo em que entramos, quais seriam as oportunidades para o Brasil, em relação à China, seu maior parceiro econômico?

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China traz oportunidades de negócios ao Brasil

 

As oportunidades de comércio

Focando na exportação, que seria nosso principal interesse, é fato que, durante o período em que houve o crescimento de demanda de produtos brasileiros por parte da China, o mesmo ocorreu também com outros destinos além do mercado chinês, especialmente entre 2003 e 2013. Entretanto, nenhum importador apresentou participação tão intensa quanto à chinesa. Para termos uma ideia, comparemos com o Mercosul e os Estados Unidos: de um valor absoluto, em 1997, de 9 bilhões de dólares, saltaram para 22 bilhões e 16 bilhões, respectivamente, no ano de 2017. Ao fim do mesmo ano, o país asiático comprou, sozinho, 47% bilhões de dólares, o que representa um valor maior que o total de nossas exportações de 1999.

Contudo, atualmente, dada as mudanças no cenário chinês, em relação à desaceleração do crescimento e novas referencias políticas, tecnológicas e demográficas, enfrentaremos adversidades mais intensas e complexas.

A exemplo do impacto demográfico, que, no caso do Brasil passa por uma fase de envelhecimento da população, com o estreitamento da base da nossa pirâmide etária. Em relação a china, políticas como o a do filho único, que representa uma medida de contenção do crescimento populacional, ainda observamos uma forte migração de cidadãos do campo para as cidades. Com essa mudança na realidade chinesa, temos uma mudança nos hábitos e demandas dos consumidores: a economia que antes era focada na exportação e no investimento, agora, frente às novas necessidades advindas de sua população, tem seu modelo baseado no consumo e nos serviços, o que significa novas oportunidades empresariais no país.

Neste sentido, vale lembrar que o governo chinês anunciou em 2017 a intenção de gastar cerca de 10 trilhões de dólares ao longo dos próximos cinco anos em importações de produtos e serviços, o que representa uma oportunidade que o Brasil deve aproveitar. Além disso, tendo em vista que nos atemos basicamente à exportação de commodities, sendo que a soja, o petróleo e o minério de ferro representam 84% de nossas vendas ao país asiático, é importantíssimo que façamos o contato diretamente para com o consumidos chinês, a fim de que tornemos nossos produtos mais conhecidos.

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As commodities representam 84% de nossas vendas para a China

Feira Internacional de Importação

Tendo isso em vista, o Brasil não perdeu tempo: enviaremos uma grande delegação para a Feira Internacional de Importação, em Xangai. A Agência de Promoção de Exportação e Investimentos (APEX), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e o Ministério da Agricultura levarão empresas e organizarão delegações para participar do evento, além dos ministros das Relações Exteriores, Comércio Exterior e Serviços e da Agricultura que também estarão presentes. Segundo a ministra-conselheira para assuntos Econômicos e Comerciais da Embaixada da China. Xia Xioling “o que falta ao Brasil é divulgação, é dar a conhecer seus produtos (…) A China tem 1,3 bilhão de consumidores e esse é um mercado enorme que o Brasil não pode perder”. Será um momento crucial para fazermos nossa ‘vitrine’, uma vez que, além das commodities, a China agora tem demandas que podemos suprir com nossos produtos, como completa Xia: “o Brasil tem a oferecer itens como os aviões da Embraer, os biocombustíveis e os veículos flex, que podem ter um bom mercado nesse momento em que a China precisa aumentar seu consumo de etanol, além de outros produtos nem tão conhecidos do chinês, como o vinho, a cachaça (….) além de produtos de moda, como vestuários e calçados.”

 

Atração de investimentos chineses

Outra possível resposta à essa oportunidade está na atração de investimentos chineses, que podem oferecer um aumento da competitividade brasileira de diversas maneiras, como através do comércio ‘intrafirmas’, ou seja, empresas brasileiras que possuem participação chinesa poderiam representar a base para a presença de multinacionais chinesas na América Latina. Com o estreitamento de relações com companhias chinesas, o acesso para os produtos brasileiros no país asiático pode ser beneficiado, de forma que, a formação de parcerias reduz a exposição do Brasil a decisões de caráter protecionista, uma vez que tais medidas poderiam também prejudicar o próprio capital chinês.

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Estreitamento de relações Brasil e China e seus benefícios para nosso país

Independente do resultado das eleições, os fluxos comerciais entre o Brasil e a China tendem a se manter em expansão nos próximos anos. Porém, mesmo assim, devemos continuar atentos a como o novo crescimento moderado da economia chinesa (que aponta 7% ao ano,  comparando-se com o crescimento de dois dígitos que se observava até então) pode impactar os fluxos comerciais.

Fontes:  Revista Época, Estadao.

Por Caroline Malheiros, diretamente de Marília-SP

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