Exportações de carne brasileira sofrem com a presença dos EUA no mercado chinês

As exportações de carne bovina brasileira vêm enfrentando, nos últimos meses, três principais problemas que têm sido considerados os responsáveis pela sua estagnação: a crise da JBS; a abertura chinesa; e o embargo dos norte-americanos à carne bovina brasileira.

 

exportações de carne

 

A China, que, em 2016, importou cerca de 735.000 toneladas de carne do Brasil, anunciou, no dia 20 de junho deste ano, que abriria seu mercado de carne aos Estados Unidos. Não bastando isso, no dia 22 de junho, os Estados Unidos baniram temporariamente a importação de carne bovina brasileira in natura, devido ao excesso de abscessos (acúmulo de pus no tecido do animal) nas amostras que foram examinadas. Esses dois fatores combinados viriam a prejudicar potencialmente os frigoríficos nacionais.

Logo, a situação se configurou como o início do fim de um acordo que levou quase duas décadas para ser elaborado, uma vez que somente após 17 anos de negociações, em 2015, o mercado americano foi aberto ao produto brasileiro.

De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), de janeiro a maio deste ano, foram exportadas mais de 11.000 toneladas do produto aos americanos, rendendo cerca de 49 milhões de dólares, o que equivale a somente 2,7% do total de exportações de carne fresca do Brasil. Apesar de o número anterior representar um volume de exportação de pouca relevância, o mercado americano é bastante influente, e acaba servindo de referência para outros importadores que cogitarem adquirir carne bovina brasileira.

Desde março de 2017, ou, mais especificamente desde a Operação Carne Fraca, que apresentou um esquema de corrupção entre fiscais e frigoríficos brasileiros, com o objetivo de se livrar de controles sanitários, as exportações de carne do Brasil foram negativamente impactadas. 

 

exportações de carne

 

Ainda no mês de março, o Serviço de Segurança e Inspeção de Alimentos do Departamento de Agricultura intensificou a fiscalização das carnes brasileiras e passou a inspecionar também todos os produtos procedentes do Brasil.

De fato, a medida adotada pelo governo americano acabou criando um alerta por toda a Europa. Após algumas exigências, a Comissão Europeia afirmou que o Brasil concordou em elevar os testes de segurança realizados sobre suas exportações de carne.

Não tem sido um ano fácil para o mercado de carne bovina nacional. A abertura do mercado chinês aos EUA, somada ao fechamento do mercado americano para o Brasil, criou um cenário bastante negativo para as exportações de carne bovina brasileira.

Ainda, segundo uma entrevista de José Augusto Castro, membro da Associação de Comércio Exterior do Brasil, para o jornal El País, “a China claramente tem preferência pelo produto americano até por uma questão política, para se aproximar do presidente Donald Trump”.

 

Exportações de carne para a China

Segundo o último relatório sobre a dieta dos chineses, produzido pelo Ministério da Saúde da China, em 2016,  os chineses consomem 63 kg de carnes por pessoa por ano. As expectativas apontam que esse consumo aumentará em 30 kg por pessoa até 2030, caso nada seja feito para frear essa tendência. Assim, já em 2016, a China era responsável por consumir 28% da carne de todo mundo, e ainda que o país conte com uma quantidade considerável de vegetarianos e veganos (cerca de 50 milhões de pessoas), ela equivale a apenas 4% da população total, configurando o gigante asiático como um país extremamente carnívoro. 

 

exportações de carne

 

Estima-se que, até 2020, o aumento do consumo de carnes e de laticínios por ano girará em torno de 20 milhões de toneladas na China. De acordo com a Rabobank, companhia holandesa que é líder global em serviços de financiamento para alimentação, agro financiamento e sustentabilidade orientada, as importações de carne bovina, suína e de aves na China aumentarão consideravelmente nos próximos três anos, o que transformará o país no principal consumidor mundial desses produtos.

A solução para suprir o alto consumo no gigante asiático será o aumento de importações no país. Estima-se que cerca de 20% da carne bovina na China, em 2020, será proveniente de outros países. Dessa forma, os chineses serão o principal alvo dos maiores exportadores desses produtos – grupo que inclui o Brasil.

Com os desafios criados pela Operação Carne Fraca, torna-se, agora, essencial que o Brasil tome novas medidas que impeçam o promissor consumo de carnes na China de escapar dos mercados brasileiros nos anos que virão.

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Lys Brittes, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: El País; Exame; Rabobank; China Link Trading

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