Exportação chinesa tem primeiro déficit em 13 meses

O mercado chinês registrou, neste último mês de março, uma queda no índice de exportação, o que não era visto desde fevereiro de 2017. Em meio a conflitos políticos e econômicos com os EUA na chamada “guerra comercial”, e com uma conjuntura econômica com comportamento inesperado, a China agora reflete seus problemas econômicos nos seus parceiros, de maneiras lucrativas ou não.

 

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(Imagem by Rawpixel, 2018. Unsplash).

 

Exportação como foco da economia

A China tem sido um dos melhores exemplos da história de desenvolvimento econômico de um país emergente. Apostando numa lógica exportadora e de grande importância para o desenvolvimento regional, a China vem concretizando cada vez mais o seu plano econômico fortemente ligado ao seu governo comunista unipartidário. No ano passado, o comércio mundial cresceu 4,7%, enquanto a projeção para 2018 é de 2,4%, mostrando uma queda.  A inserção no comércio internacional e a exportação de manufaturados são fenômenos relativamente novos na história chinesa e são estudados e acompanhados pelos olhos do mundo a cada movimento.

 

Déficit nos índices de exportação

O cenário econômico chinês demonstrou, neste mês de março, depois de 12 meses consecutivos de balança comercial favorável, um índice deficitário com queda de 2,7% – logo após saltarem 44,5% no mês anterior e apesar da expectativa baixa devido ao festival de Ano Novo Lunar. O que ocorreu foi que o maciço mercado interno (Dados da Administração Geral de Alfândega da China apontam déficit na balança comercial no valor de US$ 4,98 bilhões) e sua gigantesca demanda fizeram com que o país importasse mais do que exportou naquele mês (as importações chinesas cresceram 14,4% neste mesmo mês, contra apenas 6,3% em fevereiro). A última vez que uma situação parecida aconteceu foi em fevereiro de 2017 quando a balança comercial chinesa fechou num déficit de US$ 11 bilhões.

Ainda assim, esse fenômeno do déficit da balança comercial chinesa deve ser visto como algo passageiro e efêmero, e não como uma nova norma e funcionamento desse sistema econômico, afirmou Iria Pang, analista do ING Groep.

 

“Guerra Comercial” entre China e EUA

A “Guerra Comercial” recorrente entre China e EUA  tem tido grandes impactos na economia global. Apesar do déficit na balança comercial chinesa, ocorreu um superávit da balança comercial chinesa sobre a americana, demonstrando um aumento de 19,4%, comparado ao mesmo período do ano passado. Semana passada foi anunciada a cobrança de uma taxa de 25% sobre a soja importada dos EUA em resposta ao presidente dos EUA sobre os bens chineses.

 

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“As importações devem subir nos próximos meses, apesar da disputa comercial sino-americana, já que entramos na safra brasileira e estamos comprando principalmente soja do Brasil”, disse Tian Hao, analista da First Futures. A China é o maior comprador mundial de soja e importa 60% de toda a soja comercializada, sendo um terço delas dos Estados Unidos. O diretor-geral da OMC, o brasileiro Roberto Azevedo, acredita ainda em um acordo entre os dois países e alerta para os impactos do protecionismo nos resultados, dizendo que podemos estar no começo do que pode se tornar uma guerra comercial.

 

Consequências para o Brasil

O Brasil representa, hoje, cerca de 50% da compra de carne pelos chineses e seu papel na importação da soja não fica atrás, seguindo como o principal parceiro econômico atual da China, estando, portanto, suscetível às consequências que um mau desempenho econômico pode ocasionar. Mesmo após ganhos consecutivos por 12 meses, esta exposição não diminui, muito menos quando um dos países envolvidos está em meio a uma guerra comercial que pode afetar economicamentum terceiro. 

O benefício gerado pelo Brasil desta situação ainda é um tópico em discussão. A lista dos 234 itens afetados por essa crise comercial entre as duas potências inclui a soja e o algodão, o que abre portas para a venda de commodities pelos mercados brasileiros.  Um estudo encomendado pelo Conselho de Exportação de Soja dos Estados Unidos mostra que os americanos podem perder até US$ 3,3 bilhões e o Brasil ganhar até US$ 2,7 bilhões, caso sejam aplicadas as novas tarifas sugeridas pela China.

 

Por Mariana M. Fidalgo, diretamente de Marília, SP – Brasil

Fontes: Exame, Dow Jones Newswires, Isto É, G1, Reuters

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