May 07 2018

Coreias e o fim da guerra impactam exportações na China

Posted by Ana Yamashita

Após cerca de 65 anos de conflitos políticos e econômicos na península coreana, os líderes Kim Jong-un e Moon Jae-in se encontraram no último dia 27 de abril, na conhecida Zona Desmilitarizada na fronteira entre os dois países, a fim de discutir o possível fim da denominada Guerra das Coreias. 

 

coreias

(Imagem retirada de South China Morning Post).

 

Aproximação das Coreias

Entre sorrisos e apertos de mão que raramente são vistos partindo de Kim Jong-un, o líder da militarizada Coreia do Norte se reuniu com Moon Jae-in, presidente da Coreia do Sul, na denominada “Cúpula das Coreias”, a primeira em mais de uma década. Neste histórico encontro, visto com bons olhos pelo cenário internacional devido aos testes bélicos mais recentes da Coreia do Norte, os líderes coreanos afirmaram que têm um objetivo comum de obter através de desnuclearização total “uma península coreana não-nuclear”. Com um, segundo a revista Exame, aperto de mãos simbólico, o líder norte-coreano afirmou estar no início. O regime de paz “permanente e sólido” desejado está um passo à frente de ser concretizado, como puderam comprovar os 80 milhões de coreanos presentes no encontro. Segundo a “Declaração de Panmunjom”, publicada após a Cúpula, “uma nova era de paz começou”.

 

Relação entre China e as Coreias

Apesar da China representar hoje o único aliado relevante da Coreia do Norte, tem aplicado sanções econômicas devido aos testes bélicos realizados na capital do país norte-coreano. Esta discordância se vê no fato de a China ter suas exportações vetadas para a Coreia do Norte e há a tendência para que assim permaneçam; tudo faz parte de um movimento de isolar o país do comércio mundial como consequência da postura militar agressiva dos últimos meses. A China manteve suas exportações de combustível para Coreia do Norte a um nível mínimo (pelo sexto mês consecutivo, segundo a Administração Geral de Alfândega) e completa agora o terceiro mês sucessivo sem realizar exportação de milho para o país. Além disso, a China está a meses sem importar produtos norte-coreanos como chumbo, minério de ferro e carvão. O saldo da balança comercial mostra um déficit quando comparado a março do ano passado, mas um aumento quando comparado a fevereiro, totalizando US$ 155,3 milhões.

 

Índice de exportação chinesa supera queda

 

coreias

(Imagem retirada de Korea Summit Press Pool/Reuters).

 

Após um déficit não esperado nos índices de exportação da China em março deste ano, a economia chinesa voltou ao ritmo a qual estamos acostumados e cresceu 6,8% no primeiro trimestre de 2018, quando comparado ao período em 2017. Os ganhos nas ações de saúde do gigante asiático superaram sua decadência no setor de consumo e também as consequências ocorridas devido à guerra comercial com os EUA, iniciada no começo de 2018. O premiê Li Keqiang disse à imprensa estatal que a China está aberta a negociações com os Estados Unidos para que seja logo resolvida a guerra comercial entre as duas gigantes potências, preferencialmente através do diálogo.

 

Opinião mundial

Chamando o presidente chinês de “bom amigo”, Trump agradece a Xi Jinping através de seu twitter e afirma que sem ele não seria possível a aproximação entre as Coreias do Sul e do Norte. Diante da conjuntura militar e, principalmente, nuclear, preocupante da Coreia do Norte, é importante para os Estados Unidos que seja adotada uma mudança de postura política e diplomática pelo seu líder, Kim Jong-un. Para Trump, esta reunião entre os líderes das duas Coreias representa o fim da Guerra das Coreias.

Para seus vizinhos asiáticos, a resolução de um conflito de grande porte em sua região não tem senão a agregar à sua integração econômica regional. Logo, esta reaproximação dos líderes coreanos é vista com bons olhos pela comunidade asiática que desde já colhe frutos do crescimento que essa mudança histórica pode causar, como mostram os mais recentes índices das bolsas de valores da região.  O índice MSCI, que mede ações da região dá Ásia e do Pacífico, teve alta de 0,95% na última semana.

 

Por Mariana M. Fidalgo, diretamente de Marília, SP – Brasil

Fontes: G1, Reuters, Exame

Gostou desse artigo? Então confira mais conteúdos e acompanhe as novidades em nossas redes sociais:

Facebook  |  Canal do Youtube  |  LinkedIn   |  Instagram   | Twitter |  Google +