Expansão Militar da China

Já no segundo dia do ano de 2016, o governo chinês anunciou uma reestruturação de seu exército, com o objetivo de ampliar a expansão militar da China. O presidente Xi Jinping noticiou o plano de diminuir em 300.000 militares efetivos o contingente atual de cerca de 2,3 milhões (o mais numeroso do mundo), vista como uma medida que contribuirá para a diminuição da corrupção entre as Forças Armadas, além de intensificar a influência do Partido Comunista sobre elas. Jinping afirmou que seria uma “importante decisão estratégica para realizar o sonho chinês de ter um poderoso exército”. Serão criadas ainda três novas unidades: de monitoração do arsenal de mísseis estratégicos, de comando geral do exército e de tropas de apoio em combate.

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Essa medida vem a comprovar que medidas do 13º Plano Quinquenal (2016-2020), divulgado pelo presidente em novembro, estão realmente sendo colocadas em prática. Entre os principais objetivos do Plano, que ainda será aprovado pelo Legislativo em março, estaria a modernização do Exército de Libertação Popular, estipulando medidas como aumento do investimento para aumentar a expansão militar da China, com enfoque na Força Aérea e Marinha, por meio de construção de porta-aviões e submarinos nucleares. Em maio, o Livro Branco do Ministério da Defesa chinês já havia apresentado a estratégia de menor atenção à defesa em terras firmes e mais em águas abertas. Diante de tais declarações e as recentes ações que as reafirmam, ativa-se ainda mais o ambiente de preocupação com a expansão chinesa a nível internacional, principalmente por parte dos Estados Unidos e entre os vizinhos asiáticos, com quem há históricas disputas territoriais.

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Expansão Militar da China nos Mares

O primeiro porta-aviões do país, denominado Liaoning, havia sido construído há mais de vinte e cinco anos pela União Soviética, permanecendo inacabado após seu colapso, até ser comprado e reformado em 1998 pela China, entrando em atividade em 2012. Atualmente, serve como base para treinamentos militares.

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No último dia 31, o ministério da Defesa chinês já havia anunciado a construção de seu segundo porta-aviões (mas o primeiro de construção própria) na cidade de Dalian, localizada na porção nordeste do país. A confirmação do navio se deu após diversos boatos desmentidos anteriormente. O ministro da Defesa Yang Yujun informou que o porta-aviões é detentor de uma capacidade de 50.000 toneladas, podendo transportar os caças chineses mais avançados. Entretanto, não houve confirmação de planejamento sobre a construção futura de mais navios.

O anúncio veio por solidificar as previsões de fortalecimento do poder marítimo chinês e símbolo de modernização das forças armadas em um período em que tensões na região se tornaram centro de atenção internacional, diante de uma disputa pela soberania do Mar da China Meridional e do Mar da China Oriental.

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Disputas Marítimas relacionadas

à expansão militar da China

O investimento do governo para a expansão militar da China pode ser visto como um reflexo dos interesses do governo sobre disputas com seus vizinhos sobre arquipélagos e águas territoriais. O Mar da China Oriental é palco de rivalidade com o Japão sobre as inabitadas ilhas Diaoyu (denominação chinesa)/Senkaku (denominação japonesa). As ilhas foram incorporadas no final do século XIX pela província do extremo sul japonês, Okinawa.

Durante a Segunda Guerra Mundial,  foram administradas pelos Estados Unidos, que as devolveram ao Japão em 1971, já em meio a reivindicações chinesas e taiwanesas sobre a região. Para justificar a soberania sobre o arquipélago, a China utiliza o argumento de que as Diaoyu haviam pertencido, no século XIV, ao império chinês.

No Mar Meridional, as disputas são ainda mais complicadas: com o Vietnã e Taiwan, há o embate pela soberania sobre o arquipélago de Paracel, anexado pela China em 1974, onde não há população permanente, mas sim tropas militares do país. Já as Ilhas Spratly, sob a administração chinesa desde 1988, é alvo de tensões nas relações com as Filipinas, Vietnã, Taiwan, Brunei e Malásia, que também reivindicam a propriedade. Há também nessa região a disputa pelos arredores do Arrecife Scarborough com as Filipinas e Taiwan. A China considera que cerca de 95% dessas águas, incluindo suas ilhas, fazem parte de seu território nacional.

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Os interesses envolvendo tantos atores sobre tais arquipélagos podem ser compreendidos através não somente da importância geopolítica de uma região marcada como importante rota comercial marítima, mas também pelo fato de apresentar uma rica fonte para a prática pesqueira, além de reservas de gás e minas de petróleo.

Investimento Militar Chinês preocupa os EUA

Em outubro de 2015, os Estados Unidos enviaram um navio militar equipado de mísseis aos arredores das Ilhas Spratly, como uma maneira explícita de desafiar as intenções de expansão chinesa na região. Em 2013, Washington também enviou dois bombardeiros que sobrevoaram a zona do Mar da China Oriental. Em setembro de 2015, a China respondeu as provocações enviando navios aos arredores de ilhas russas e estadunidenses perto da costa do Alasca. A troca de declarações rígidas entre os dois governos acerca da liberdade de navegação, respeito aos territórios marítimos e soberania acabou se estendendo durante todo o ano, demonstrando explicitamente as preocupações recíprocas com intenções hegemônicas e militares.

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Expansão Militar da China Acelerada

A expansão militar da China já pode ser observada de maneira evidente nos dias atuais. Com crescentes investimentos na área desde 2012, tal expansão foi ganhando ainda mais destaque durante o ano passado e já chama a atenção nos primeiros dias de 2016. É possível perceber a mudança não somente através do mais recente Plano Quinquenal do país, mas nas declarações de seus governantes e, em ações, de fato. A construção do segundo porta-aviões vem para acirrar as tensões marítimas asiáticas, solidificando questões de interesses econômicos e geopolíticos na região. A preocupação de seus vizinhos e dos Estados Unidos é mais um fator que demonstra que o gigante chinês está incomodando em seu desejo de expansão militar.

Em uma conjuntura interna de desaceleração econômica, o Partido Comunista apresenta medidas visíveis para tentar desviar a atenção da população da questão através de medidas que exaltam um maior espírito de nacionalismo chinês. O enfoque na ambição de potência militar, não somente colabora com esse objetivo, como é capaz de criar uma imagem de poder, projetado para além das fronteiras domésticas.  A aprovação nos últimos dias de 2015 da primeira e controversa lei de combate ao terrorismo do país pode ser observada como mais um instrumento para a expansão militar da China, já que permite ao Exército chinês realizar operações de combate no exterior. Assim, torna-se possível observar os passos do “sonho chinês” para fora do plano onírico. Já se pode ver claramente uma realidade sendo construída.

Por Camila Sakamoto, diretamente de São Paulo, SP, Brasil

Fontes: BBC, El Pais, Estadão, O Globo, UOL

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