Escadas Rolantes:Transporte Público em Hong Kong

Estamos falando do mais extenso sistema de escadas rolantes do mundo, que se localiza em Hong Kong e conecta o Distrito Financeiro com as ruas residenciais do bairro Mid-Levels.
Em Hong Kong, escadas rolantes são um meio de transporte público: a Escada Rolante Central-Mid Levels, por exemplo, transporta 85 mil pessoas por dia. Sua utilização pode variar: de manhã, fiéis mulçumanos a utilizam para ir à mesquita. Já à noite, o cenário muda de vez e se torna um transporte para trabalhadores que encerraram sua jornada de trabalho e pessoas prontas para festejar.

 

escadas rolantes

 

Escadas rolantes e a Questão do Relevo

Cidades com o relevo bastante acentuado, predominado de colinas, sempre encontraram alternativas para transportar seus residentes pelos terrenos mais acidentados.
São Francisco, por exemplo, tem os bondes. Lyon e Barcelona, os funiculares. E o Rio de Janeiro acena com os teleféricos. Mas Hong Kong foi a primeira a usar escadas rolantes como transporte.

Em 1842, após ter se tornado uma colônia britânica, o governador-geral do território idealizou uma cidade grandiosa, localizada na parte mais plana da ilha, e com canais ao estilo de Veneza para transportar pessoas e produtos. Entretanto, seus planos foram frustrados pelos militares de Sua Majestade, que acabaram ocupando uma grande extensão de terras baixas e acabaram forçando a construção da cidade entre as colinas íngremes do lado ocidental da ilha.
Os mais ricos da cidade se habituaram a construir suas mansões e casarões no Mid-Levels, um cinturão de terra plana no Monte Vitória, a montanha de 553 metros que domina a ilha.
Isso começou a mudar apenas na década de 70, quando um boom na construção civil se aproveitou de uma legislação de planejamento urbano leniente e cobriu as encostas com arranha-céus.

Em meados da década seguinte, a área estava superlotada, com uma população de 45 mil pessoas, prevista para dobrar nos 20 anos seguintes. Diariamente, o esgoto de canos sobrecarregados vazava para as galerias pluviais. As ruas do distrito estavam entupidas de carros, táxis e ônibus.
A solução apresentada pelo governo da ilha foi idealizar uma rede de escadas rolantes e esteiras que poderiam carregar os pedestres ladeira acima.
O projeto-piloto aprovado envolvia 20 escadas rolantes e três esteiras, que se espalhariam por 800 metros de extensão e subiriam 150 metros. De manhã, elas funcionariam no sentido de descida para a hora do rush – e passariam a subir a partir de 10h30.

 

escadas rolantes

 

Resistência

Na época, lojistas ao longo da rota odiaram o plano e pediram indenizações pela perda de potenciais clientes. A escada recebeu apelidos jocosos, um deles foi “lagarta hightech”, em alusão aos atrasos na construção. E, para alguns moradores, a inauguração da escada rolante, em 15 de outubro de 1993, foi sinônimo de um eterno zumbido à noite.

escadas rolantes

 

A obra custou US$ 28 milhões (R$ 89 milhões), estourando em mais de seis vezes o orçamento original.

Mas hordas de passageiros quase provocaram tumultos no primeiro dia de operação. E mais de 20 mil pessoas passaram a usar o serviço por dia.
O problema é que logo ficou claro o efeito absolutamente insignificante do sistema nos engarrafamentos. Mas ela tornou a rotina de muita gente mais conveniente. Mesmo judeus ortodoxos se dirigindo à sinagoga de Robinson Road receberam autorização para usá-la aos sábados – o dia sagrado em que não é permitido dirigir, de acordo com a Lei Judaica.
E o sistema foi bastante bem-sucedido em um aspecto: valorizou o mercado imobiliário. Bairros em seu percurso hoje são alguns dos mais caros em Hong Kong.
Se motoristas não mudaram seus hábitos, usuários do transporte coletivo adotaram a escada rolante, que virou também uma atração local e internacional, o que alavancou a transformação de Mid Levels em uma região boêmia.
Porém, há uma má notícia para as dezenas de milhares de pessoas que usam diariamente a Central-Mid Levels: elas terão de buscar uma alternativa no ano que vem, quando o sistema passará por uma rigorosa manutenção para a substituição de peças desgastadas por 25 anos de uso diário.

 

Por Nathália Gasparini, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fonte: BBC NEWS

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