Entenda o Envelhecimento da População Chinesa

A China é conhecida mundialmente pela sua imensa população, a qual ultrapassa 1,3 bilhão de pessoas, sendo assim o país mais populoso do planeta. O imenso contingente de pessoas contribui, sobretudo, para o rápido crescimento econômico chinês experimentado nos últimos anos, pois além de possuir um vasto contingente de mão-de-obra barata, o país conta com um mercado consumidor numeroso para absorver a própria produção interna. O que muitas pessoas, todavia, ainda não sabem, é que as projeções demográficas para o país mostram o envelhecimento da população chinesa, diminuindo gradativamente o número de pessoas economicamente ativas, isto é, indivíduos que se encontram em idade produtiva no mercado de trabalho. Dessa maneira, o país aproxima-se da realidade enfrentada por outros países desenvolvidos, como o Japão, no qual conta com um contingente de idosos cada vez maior e isso inevitavelmente influencia na economia do país.

 

O envelhecimento da população chinesa como um fenômeno demográfico

 
Envelhecimento da população chinesa
 

Durante muitos anos, o governo chinês temia o perigo da “explosão demográfica”, devido ao rápido crescimento populacional do país. Isso forçou o governo a adotar a drástica medida da “política do filho único”. Essa ação conseguiu frear a velocidade do aumento de habitantes no país, no entanto, criou uma disparidade de gênero alarmante, pois a cultura patriarcal chinesa dá preferência aos filhos homens, e, quando as mulheres descobriam que estavam grávidas de meninas, optavam pelo aborto. Assim, o número de homens em relação às mulheres é bem maior na China que em outros países.

Para muitos demógrafos, a questão da mudança na estrutura populacional de um país não é mais uma questão de “se”, mas sim de “quanto tempo”. Avanços na área de medicina, como a invenção de novas vacinas e antibióticos, além da melhoria nas estruturas de saneamento básico, foram fatores-chave para o aumento da expectativa de vida. Na China, uma pessoa tinha a expectativa de viver até os 50 anos na década de 1960. Em 2010, os chineses viveriam até 72 anos para os homens e 76 para as mulheres. Em 2060, os demógrafos projetam que a população idosa na China corresponderá a um terço do país.

 

Envelhecimento da população chinesa

 

A China registrará um aumento populacional até 2030, dizem os especialistas. Depois disso, a tendência é um leve, mas constante, declínio demográfico. Frente à nova realidade, o governo chinês relaxou a política de filho único, permitindo aos casais o direito de ter dois filhos. Os demógrafos, contudo, apontam que mesmo com o relaxamento da política do filho único e o aumento do número de nascimentos, isso em si não conseguiria reverter o futuro declínio populacional.

O aumento da longevidade na China levanta importantes questões a serem debatidas, como, por exemplo, a maneira de equilibrar a relação entre produção e consumo, além do problema da aposentadoria. O envelhecimento da população chinesa traz novos desafios para o governo do país.

 

Consequências do envelhecimento da população chinesa

Como já mencionado anteriormente, o número de nascimentos de indivíduos do sexo masculino é superior aos de sexo feminino. Segundo estatísticas, existem 118 homens para cada 100 mulheres, e essa proporção é ainda maior nas áreas rurais. Embora as consequências disso para uma população em processo de envelhecimento sejam incertas, os demógrafos acreditam que, mesmo com o relaxamento do controle de natalidade, não resultará a curto prazo na diminuição dessa diferença de gênero, sendo que ainda haverá milhões de homens obrigados a serem solteiros na China.

Os idosos na China, atualmente, têm apresentado uma taxa de consumo constante. Apesar de terem condições de trabalho mais precárias e menor capacidade de poupança durante o seu tempo ativo, eles têm uma participação ativa no mercado consumidor do país. Todavia, em comparação com outros países de renda mais elevada, a taxa de consumo tende a aumentar com a idade, especialmente em gastos relacionados aos cuidados com a saúde. O problema é que no caso da China, embora o processo de envelhecimento da população chinesa já ser uma constante, esses cuidados com a saúde não têm aumentado com o avançar da idade, permanecendo em uma taxa semelhante ao período em que essas pessoas trabalhavam.

Finalizando, o governo chinês deveria preocupar-se mais com o bem-estar de sua população cada vez mais envelhecida. Tendo a preocupação também com a sustentabilidade fiscal, investimentos nessa população não apenas recompensariam o esforço dessas pessoas, as quais contribuíram incomensuravelmente para o crescimento da China, mas também trariam benefícios econômicos ao longo prazo, como por exemplo, reduzindo o tamanho das poupanças, removendo a preferência pelo filho homem como o principal provedor dos pais, e possibilitando a migração da geração mais jovem para as cidades, onde podem estudar e encontrar empregos melhores.

Por Victor Fumoto, diretamente de Marília, SP, Brasil
Fontes: Business Insider, Karen Egleston.
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