Empresas Chinesas de Tecnologia e o Brasil

Desde 2009 o maior parceiro comercial do Brasil é a China, país que possui um mercado gigantesco e é lar e berço de algumas das mais famosas empresas de tecnologia do mundo, mas, às vezes, passa longe do conhecimento dos brasileiros. Com o objetivo de mudar essa situação, um grupo de empresas chinesas de tecnologia se uniu e fundou a China Brazil Internet Promotion Agency (CBIPA), uma associação empresarial que se dedicará a aproximar e atrair investidores chineses interessados em investir no mercado brasileiro, mais especificamente o de tecnologia.

 

empresas chinesas de tecnologia
Empresas chinesas de tecnologia se unem para investir no mercado brasileiro

 

Empresas chinesas de tecnologia se unem para investir no mercado brasileiro

 

A organização foi criada para preencher uma lacuna na relação tecnológica entre os dois países: “As empresas chinesas de tecnologia estão se internacionalizando, e o Brasil pode perder oportunidades dessa onda por desconhecimento”, avalia In Hsieh, brasileiro descendente de chineses que preside a associação.

Bem antes de ocupar o cargo, Hsieh já havia fundado startups como a 4pets e havia sido chefe de comércio eletrônico da operação brasileira da Xiaomi – empresa chinesa de produtos eletrônicos.

Hsieh acredita que há bastante espaço no Brasil para que empresas chinesas de tecnologia invistam em setores como o de serviços, marketplaces e games. Mercados que, de acordo com ele, estão bem desenvolvidos na China e que podem ajudar as empresas brasileiras a crescerem.

A CBIPA conta com 10 empresas parceiras e a sua meta é chegar até o fim de 2017 com 50 afiliadas. Além de Hsieh, a iniciativa tem entre seus líderes Yan Di, diretor geral do Baidu – principal site de buscas da China – no Brasil.

Recentemente, o Baidu anunciou a criação do Easterly Ventures, fundo de investimentos de R$ 60 milhões para startups brasileiras – além de ter comprado, em 2014, o site de compras coletivo Peixe Urbano.

Hsieh acredita que o investimento do Baidu é um exemplo a ser seguido: “O investidor chinês tem dificuldade de investir em grandes projetos porque há muitos fundos disputando as mesmas empresas. É uma oportunidade para o brasileiro”, diz Hsieh. O executivo ainda afirma que o mercado brasileiro tem difíceis entraves para as companhias asiáticas, especialmente no que tange os aspectos burocráticos e a legislação trabalhista.

Baidu criou um fundo de investimentos de R$ 60 milhões para startups brasileiras.

 

empresas chinesas de tecnologia
Baidu criou um fundo de investimentos de R$ 60 milhões para startups brasileiras

 

Evento da CBIPA

 

O mercado de tecnologia na China só tende a crescer. Em 2015, o país já contava com aproximadamente 688 milhões de usuários de internet – cerca de 20 milhões a mais do que em dezembro de 2014. Além disso, estima-se que no ano de 2018 o número de pessoas que compram produtos e serviços através da internet – principalmente por meio de apps, dobrará e movimentará cerca de R$ 785 milhões.

Segundo levantamento feito pelo site Tech in Asia, a China recebeu em 2015 cerca de US$ 60 bilhões de investimentos na área de tecnologia. Mas, apesar disso, Hsieh afirma que é comum as startups do Brasil darem mais atenção aos exemplos de empresas dos Estados Unidos e da Europa e deixarem a China em segundo plano, principalmente por causa da complexidade do seu mercado.

Tendo em vista a dificuldade das empresas brasileiras em compreender o complexo mercado chinês, altamente regulado, a CBIPA anunciou planos de realizar um evento com foco nas empresas chinesas no Brasil.

Previsto para 2017, mas ainda sem uma data específica, o Chinnovation trará executivos de companhias asiáticas de internet e investidores para conversar com o mercado brasileiro e mostrar aos empresários o potencial que o Brasil possui para tornar-se um pólo gerador de tecnologia.

“Vamos trazer palestrantes mostrando dificuldades e oportunidades”, afirma Hsieh, que pretende levar pelo menos 400 empresas para o evento.

Além do Chinnovation, a CBIPA pretende ainda elaborar outros eventos menores e enviar delegações brasileiras à China, bem como realizar relatórios a respeito de ambos os mercados.

 
Lys Brittes, diretamente de Marília, SP, Brasil
Fonte: Estadão
Gostou desse artigo? Então veja muito mais em nossa página do Facebook, em nosso blog e em nosso site
 


Veja Também


Deixe seu comentário