Educação na China e no Brasil

Afinal, os estudantes brasileiros de origem chinesa e japonesa são mais inteligentes e competentes que os demais? Questão que raramente aparece escrita; mas é com frequência muito comentada pela população. Afinal, os descendentes de japoneses representam cerca de 1% da população brasileira; os de chineses nem aparecem nas estatísticas. Será que a explicação para isso está em como se dá a educação na China?

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Por que então sobrenomes asiáticos estão bem presentes nas listas de aprovados (e formandos) das melhores Universidades brasileiras? E por que estes sobrenomes também aparecem com freqüência no topo das listas de classificados em concursos públicos? Terão eles alguma diferença biológica, ou isto é fruto de herança cultural? Ou ainda: trata-se de um engano de interpretação?

Na realidade, não é só no Brasil que este fato foi observado; já li vários artigos sobre isso na imprensa americana. Os EUA, como o Brasil, tem uma população miscigenada. Pessoalmente, acredito que todas as pessoas têm o mesmo potencial, independentemente de origem ou descendência. Já a herança cultural que recebem, sim; esta varia bastante. Como é a educação na China e nos países asiáticos?

 

A educação como instrumento de

progresso pessoal e profissional

A cultura milenar chinesa sempre colocou a educação no topo de suas prioridades. Durantes séculos, o sistema pouco mudou; havia um exame estatal nacional para qualquer pessoa que desejasse trabalhar no serviço público; e este exame era centrado nos ensinamentos e clássicos de Confúcio. Isto criou uma burocracia elitista e acadêmica, que no período imperial funcionava relativamente bem. Mas isto teria mudanças.

 

O choque cultural chinês após a abertura

do país às relações com países estrangeiros

O fim do regime imperial, por volta de 1910, levou a China a uma sucessão de revoltas e revoluções sangrentas. Ainda no período imperial, as nações européias, valendo-se de sua superioridade militar (lembramos que a educação na China praticamente desprezava a tecnologia), submeteram a China a condições humilhantes, em termos de comércio e diplomacia. O povo, descontente, decretou o fim do regime imperial, mas os problemas continuaram.

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Pu Yi foi o ultimo imperador chinês

 

As duas grandes guerras mundiais,

e o regime comunista

É praticamente impossível relatar os horrores e sofrimentos que atingiram a China durante as duas guerras. Sem força militar, o país foi ocupado e saqueado pelo regime militar então predominante no Japão. Eventualmente o Japão foi derrotado pela coalizão liderada pelos EUA. A esta altura, um novo líder, capaz de pacificar a China e mudar seus rumos apareceu. Mao Zedong foi uma figura polêmica. Implantou um regime rígido seguindo as linhas do comunismo internacional que causou muitas mortes. Reestruturou completamente as Forças Armadas, transformando a China em uma potência nuclear. Admirado por alguns e odiado por muitos, Mao ainda é reverenciado na China, como figura histórica importante, pelo menos oficialmente.

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Mao Zedong

 

As mudanças na educação para enfrentar

os desafios de um mundo globalizado

Não precisamos analisar detalhadamente as mudanças sucessivas que ocorreram no sistema educacional chinês para entendermos sua situação atual. Basta dizer que o antigo sistema imperial foi completamente descartado. A ênfase aumentou em uma educação no estilo ocidental, com níveis definidos e conteúdo adequado à formação de trabalhadores industriais, gerentes, analistas e empresários.

Mais especificamente, a educação tecnológica substituiu o conteúdo literário e filosófico, com atenção principal às ciências exatas, domínio de idiomas estrangeiros, informática, engenharia, medicina, economia e administração moderna.

 

Aspectos principais da educação na China

Assim como no ocidente, a educação na China é obrigatória por pelo menos 9 anos (a partir dos 6 anos de idade). Após este ciclo, há outro, de ensino médio. São 3 anos de curso,após os quais o estudante poderá prosseguir numa universidade, ou optar por se juntar à força de trabalho. Antes do ensino fundamental existe a pré-escola, que é opcional. Nada disso é novidade para nós.

Até o famigerado ENEM (ou vestibular) eles têm: chama-se gaokao. É o exame destinado a selecionar quem vai ingressar no ensino superior. O fracasso em conseguir média adequada é extremamente frustrante.

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Famílias se despendem de alunos que prestarão exame de ingresso no ensino superior, na província de Anhui. O exame demora cerca de 9 horas

 

O que então difere a educação

na China e no Brasil?

O sistema chinês nada tem de secreto. A aprendizagem é feita utilizando exaustiva repetição, memorização e exercícios. A diferença está na dedicação extremada, na persistência fenomenal, na disciplina reinante nas escolas, e na capacidade enorme que o estudante chinês desenvolveu ao longo dos anos para focar-se em seus objetivos. Aliás, estas qualidades são cobradas por seus pais, e é um desafio constante procurar fazer mais e melhor academicamente que os demais colegas de classe.

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Formatura de estudantes da Universidade de Tsinghua (em Beijing), considerada a número 1 do país

Outra diferença é a valorização do estudo de ciências exatas e tecnológicas sobre ciências humanas. Os próprios chineses, a despeito dos resultados alcançados, não estão plenamente satisfeitos com a educação na China. Vários especialistas percorrem países avançados em busca de alternativas que permitam revigorar um sistema que apresenta já sinais de exaustão.

Por Antonio Carlos de Oliveira, diretamente de Presidente Prudente, SP, Brasil

Fontes: The Guardian, China Education Center, China Highlights

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