O Dragão Adormeceu? As Razões da Desaceleração da Economia da China

A China é a segunda maior economia global e possui importantes relações comerciais com quase todo o mundo, sendo a líder mundial em volume de exportações e a segunda maior economia importadora do planeta. Até 2014, o país possuía uma das maiores taxas de crescimento do seu Produto Interno Bruto (PIB) e a quantidade de importações e exportações praticadas pelo país crescia constantemente. Porém, de uns tempos para cá, a economia chinesa tem apresentado uma desaceleração. Não se trata de uma recessão, mas sim, apenas um crescimento a taxas menores daquilo que os economistas previam. Quais seriam os fatores dessa desaceleração da economia da China? E quais os novos caminhos dos investimentos desse país asiático?  Leia mais a seguir:

economia da China

 

Panorama da Economia da China

Segundo dados do MIT, em 2015, as exportações chinesas levantaram um volume de 2,37 trilhões de dólares e, as importações, 1,1 trilhão de dólares, fazendo com que a economia chinesa fechasse o ano com superávit comercial.

Dentre os principais produtos exportados pelos chineses, estão computadores, equipamentos de radiodifusão, telefones, dentre outros artigos eletrônicos. Já os principais produtos importados são os circuitos integrados, petróleo e minério de ferro. Os maiores destinos das exportações chinesas são os Estados Unidos, Hong Kong e Japão. Já os países dos quais a China mais importa são a Coreia do Sul, os Estados Unidos e o Japão.

 

Razões para a desaceleração da economia da China

Visto a robustez dessa economia e o peso que a China representa no montante de transações comerciais, quais seriam as principais razões para que a economia chinesa perdesse fôlego?

Uma das explicações dadas pelos economistas está no redirecionamento do perfil econômico chinês. O governo central tem a intenção de transformar uma economia fortemente baseada nas exportações de produtos manufaturados para uma economia de mercado, em que o foco da indústria chinesa esteja na demanda do mercado consumidor interno do país. Todavia, essa mudança não tem apresentado os resultados desejados pelo governo central chinês, visto que a taxa de consumo per capita dos chineses também tem desacelerado junto com a queda do ritmo de crescimento da China.

Muitos analistas também afirmam que a fase de crescimento econômico acima dos 10% acabou e argumentam dizendo que o crescimento da economia gira em torno da mão-de-obra, do capital e da produtividade. A população economicamente ativa do país atingiu o seu auge em 2012, e não é novidade que os chineses estão envelhecendo, assim como as demais populações de países mais desenvolvidos. Segundo economistas, aparentemente o país também atingiu o máximo de valor do seu PIB investido na própria economia. E por último, a distância tecnológica da China em relação aos países mais desenvolvidos tem diminuído, o que impacta diretamente na produtividade.

Outro fator que tem preocupado o governo é a questão da dívida pública, a qual subiu a altas taxas nos últimos anos. Também as empresas e a própria população se endividaram, causando um freio nos gastos com o consumo. Além disso, soma-se a desvalorização cada vez maior do yuan frente ao dólar, provocando uma fuga de capital chinês para o exterior, e o medo do governo de uma crise de créditos e imobiliária, igual a que ocorreu com os Estados Unidos.

 

economia da China

 

Novos caminhos da economia da China

A desaceleração da economia da China não significa que o país esteja perdendo sua posição geopolítica no mundo. Ao contrário, o crescimento dos investimentos chineses no exterior, como, por exemplo, no Brasil, tem aumentado cada vez mais, principalmente no setor de infraestrutura. Também é cada vez maior a presença de companhias chinesas, principalmente no setor de exploração de petróleo.

Mas o maior projeto econômico chinês atualmente é a Nova Rota da Seda, a qual, se concretizada, criaria uma rede econômica integrada, principalmente entre o Leste e o sudeste asiático, englobando também países como a Índia e o Paquistão. Ainda há muitas incertezas acerca da iniciativa, mas, certamente, os esforços da diplomacia econômica chinesa irão se concentrar nisso nos próximos anos.

 

Por Victor Fumoto, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: The Guardian, MIT, The Economist.

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