Economia da China: como os chineses cresceram tanto?

Todos sabemos que a economia da China é uma das que mais crescem no mundo, sendo atualmente a segunda maior do planeta, atrás apenas dos Estados Unidos. Segundo algumas projeções, se os chineses continuarem com a taxa atual de crescimento, em 2030 a economia da China ultrapassará a dos estadunidenses, mesmo com a atual guerra comercial . O tema deste artigo tratar-se-á de como a China, de um país extremamente pobre, tornou-se essa potência econômica global.

 

A economia da China imperial até os tempos de Mao Zedong

Quem assistiu as reportagens exibidas pelo “Fantástico” sobre o rio Yangtsé pôde perceber a grandiosidade da economia da China. Este rio, fundamental na história da civilização chinesa, também é um escoadouro da produção industrial de todo a região sul chinesa, visto que o rio desemboca em Shanghai, próximo ao seu porto, considerado o maior porto do mundo .

 

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Rio Yangtsé; Fonte: worldatlas.com

Apesar da economia da China imperial ter impressionado aos ocidentais, visto que até a dinastia Ming, quando o governo impôs um auto-isolamento, o país asiático estava na vanguarda da tecnologia. Porém, ao mesmo tempo, os chineses sempre tiveram que conviver com a extrema pobreza, constantes crises de fome e epidemias, e uma massa de pessoas iletradas. A imensa maioria de sua população vivia nas regiões rurais do país. Com a crescente intervenção europeia na política e na economia chinesa, iniciada com a Guerra do Ópio contra a Grã-Bretanha, e o surgimento de muitos conflitos armados internos em resposta ao intervencionismo ocidental fez com a qualidade da economia da China piorasse, fazendo com que muitos chineses, especialmente no sul do país, fossem obrigados a emigrar, em grande para os Estados Unidos.

A ocupação japonesa durante a Segunda Guerra Mundial também causou grandes prejuízos econômicos, sociais e humanitários aos chineses, devido aos milhões assassinados durante o conflito. Terminada a guerra, um outro conflito armado surgiu entre os comunistas, capitaneados por Mao Zedong, contra o governo de Chiang Kaishek, o qual teve que fugir para Taiwan quando perdeu a guerra.

Os primeiros planos quinquenais do Partido Comunista Chinês não foram bem-sucedidos. O programa de coletivização forçada de terras e propriedades agrícolas fez com que milhões morressem de fome ou emigrassem. Ao mesmo tempo, Mao Zedong deu os primeiros passos para alavancar, posteriormente, a economia chinesa através de uma reforma na educação, com o objetivo de alfabetizar o maior número possível de pessoas., sendo que uma das principais medidas tomadas foi a de simplificação dos caracteres chineses, os hànzì (汉字). Porém, a educação, que seria uma das principais bases para o pujante crescimento da economia da China, sofreu um abalo durante a Revolução Cultura, quando por ordem de Mao Zedong, todas as universidades do país  foram obrigadas a fechar, pois havia a concepção dentro do governo chinês de que a educação universitária fomentaria “ideias burguesas ou contrarrevolucionárias” na população.

 

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Porto de Shanghai. Fonte: gettyimages.

A economia de Deng Xiaoping até os dias de hoje

A grande transformação veio após a morte de Mao em 1976. A cúpula do Partido Comunista Chinês escolheu como seu sucessor Deng Xiaoping, o qual foi o responsável por promover intensas reformas econômicas do país, possibilitando a inserção da economia da China no mercado internacional e captação de investimentos externos, ao mesmo tempo em que mantinha o poder político centralizado nas mãos do diretório do Partido Comunista Chinês.

Sobre o programa de governo “Gǎigé kāifàng” (改革开放), o qual significa “reforma e abertura”, Deng Xiaoping buscou a reorientação da economia chinesa para a exportação de bens manufaturados, utilizando a vasta oferta de mão-de-obra barata, como uma forma de impulsionar e desenvolver o país como um todo. Com a abertura do mercado chinês para o capital estrangeiro, o governou se capitalizou para fazer “as 4 modernizações”, a saber, da agricultura, indústria, ciência e tecnologia, e poderio militar.

A justificativa do governo chinês para a abertura do país ao capitalismo e para enfrentar as críticas de alguns setores do Partido foi de que se tratava de uma nova etapa em busca da concretização do socialismo. Deng argumentou que durante o governo de Mao, a China esteve na primeira fase do socialismo, e que durante o seu mandato, seria desenvolvido um “socialismo com características chinesas”.

Essa abertura econômica e a reorientação da produção manufatura para a exportação provou-se muito eficaz. A União Soviética tentou uma medida parecida com a Perestroika, porém passaram por sérias dificuldades econômicas e ainda demoliu as bases do poder do Partido Comunista soviético. Na China foi diferente. Desde a implementação das reformas, o PIB chinês cresceu gradualmente e o poder do Partido Comunista cresceu.

Uma das bases da modernização da economia chinesa foi o investimento constante na educação, tanto em questão de qualidade do ensino público, como também ao enviar muitos estudantes para outros países e depois fazê-los retornar com novos conhecimentos. E é justamente no aumento da qualidade da educação que os chineses apostam para garantir o crescimento dinâmico da sua economia e ultrapassar os estadunidenses. Com a atual política econômica de produzir produtos manufaturados com maior valor agregado e mais tecnologia, certamente ainda veremos por muitos anos a economia da China impressionar o mundo.

 

Por Victor Fumoto, diretamente de Indaiatuba, SP, Brasil

Fontes: Fantástico; Valor Econômico; The New York  Times.

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