May 02 2018

Trabalho e o Dia do Trabalho na China

Posted by Ana Yamashita

Você sabia que o Dia do Trabalho é um dos poucos feriados chineses? Diferentemente do Brasil, a China não possui muitos feriados. Mas, o Dia do Trabalho, assim como o Ano Novo Chinês, é um dos principais feriados do país. Quer saber mais sobre a data no gigante asiático? Continue lendo!

 

O Dia do Trabalho na China

A China possui vários feriados de caráter nacional; e dentre eles está o 1 de Maio, o Dia do Trabalho. O feriado do Dia do Trabalho surgiu na Europa, em 1891, como um dia de recordações, e foi introduzido na China em 1919.

 

 

Nessa época, organizações comunistas clandestinas e insurgentes em Shanghai, Suzhou e Hangzhou realizaram a primeira demonstração em homenagem a todos os trabalhadores, além de distribuírem panfletos com o slogan “O trabalho é sagrado”; iniciativas encaradas como o primeiro reconhecimento público do feriado no país. Com a Revolução Comunista e a criação da República Popular da China em 1949, o Dia do Trabalho foi designado, pelo próprio governo, como feriado nacional.

Durante a Revolução Cultural, o primeiro de Maio foi considerado na China um dos feriados mais importantes. Por isso, as comemorações do Dia do Trabalho, que na época possuía primordialmente caráter político, duravam sete dias e promoviam manifestações por toda a nação.

Em 2000, o Dia do Trabalho se tornou uma espécie de “Semana Dourada”, pois o governo chinês utilizou o feriado para fomentar a demanda do mercado interno, principalmente no tocante ao turismo. Assim, os chineses aproveitavam a data para passear, fazer compras, e viajar. Até hoje o feriado é um período de trânsito intenso dentro do país.

Em 2007, o Dia do Trabalho foi reduzido a um feriado de três dias, para dar espaço para que outros três festivais tradicionais – Qingming, Dragon Boat Festival e o Festival do Meio Outono (também conhecido como Festival da Lua) – tornassem-se feriados nacionais.

O Dia do Trabalho na China é também muito aproveitado pelos chineses para visitar suas famílias; e, por isso, a data é considerada um feriado familiar. Todos os anos, durante o feriado do Dia do Trabalho na China, milhões de chineses viajam, causando engarrafamentos, problemas de filas e superlotações em destinos extremamente populares, como, por exemplo, Beijing, Shanghai, etc. Estima-se que, anualmente, entre 300 e 400 milhões de pessoas circulem no país durante tais comemorações.

 

 

Por isso, se você está planejando visitar a China no mês de Maio, evite os dias de comemoração do Dia do Trabalho, pois certamente enfrentará tais problemas. No entanto, em contrapartida, o mês de Maio é um ótimo período para se viajar para a China, porque o governo oferece descontos, não apenas para as principais atrações turísticas do país, mas também para produtos à venda, com o intuito de atrair mais consumidores ao comércio doméstico.

Segundo um guia, divulgado pelo Ministério da Cultura e Turismo da China em 25 de Abril, a receita do turismo doméstico no país deve chegar a 88 bilhões de yuans (US$ 13,9 bilhões) durante o feriado do Dia do Trabalho neste ano, através de cerca de 149 milhões de viagens. Quando falamos sobre destinos internacionais visitados pelos chineses na ocasião, Cingapura, Tailândia e Malásia são os mais populares entre os turistas chineses, além do Canadá, dos Emirados Árabes Unidos, a França e a Rússia.

É também costume dos chineses presentearem seus funcionários nas vésperas do Dia do Trabalho para mostrar gratidão pelos serviços prestados. Tais presentes pertencem a uma vasta gama de produtos; desde alimentos, passando por dinheiro, cartões, até passagens aéreas.

 

 

Embora o Dia do Trabalho seja, tradicionalmente, marcado por celebrações em todo o mundo, nos últimos anos, muitos grupos e organizações de trabalhadores têm aproveitado a data para organizarem manifestações e protestos. Em algumas localidades da China, como, por exemplo, Hong Kong, o mesmo ocorre. Segundo o South China Morning Post, no dia 1 de Maio de 2018, cerca de 5.000 trabalhadores marcharam, em Hong Kong, para pressionar empregadores a aceitar uma proposta governamental que os impediria de retirar dinheiro dos fundos de pensão para cobrir outros gastos.

 

O mercado de trabalho na China

O trabalho é um fator muito importante na cultura e na história da China, e, por isso, o Dia do Trabalho possui tanta relevância para os cidadãos e para o próprio governo. No entanto, ainda existem muitas ideias preconcebidas, e até mesmo ultrapassadas, sobre o mercado de trabalho na China, mesmo diante dos avanços que o país vem apresentando nos últimos anos.

 

 

No ano passado, a empresa de consultoria Euromonitor International publicou um relatório completo sobre as médias salariais na indústria de diversos países, o qual revelou que o mercado de trabalho na China sofreu, nos últimos anos, algumas transformações, marcadas principalmente pelo crescimento nos salários nacionais.

A Euromonitor International compilou dados fornecidos pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), pela Eurostat (Agência de Estatística da União Europeia) e por outras agências de estatística, e concluiu que os salários médios por hora na indústria chinesa triplicaram entre 2005 e 2016. Em 2005, o salário médio do trabalhador chinês girava em torno de US$ 1,20 por hora, e, em 2016, essa quantia já atingia valores próximos a US$ 3,60 por hora.

Tais avanços salariais no mercado de trabalho chinês são associados ao acelerado crescimento econômico que a China tem apresentado nos últimos anos, além da influência de fatores cambiais, como a valorização do yuan, em oposição à depreciação das moedas de países como, por exemplo, México, Brasil e Argentina.

Ainda segundo a Euromonitor, os níveis de produtividade do mercado de trabalho no país vêm crescendo mais rapidamente que os próprios salários, fator que também influencia nos custos de empresas estabelecidas na China. Isso porque, embora os gastos com salários aumentem, como aconteceu nos últimos anos, o crescimento da produtividade, assim como o enorme mercado consumidor interno, pode oferecer vantagens para as empresas que optem por se estabelecerem no gigante asiático.

Isso quer dizer que, embora os salários tenham triplicado na China entre 2005 e 2016, ainda vale muito a pena para as indústrias se alojarem na China, pois os benefícios prometem permanecer em longo prazo.

Especialistas apontam que, em 2020, a China, sozinha, representará cerca de 20% do mercado de diversos setores da economia. Se compararmos tal previsão com as porcentagens de outros países dos BRICS, por exemplo, veremos quão latente é o crescimento da importância da China no cenário econômico: as previsões para a Índia ficam em torno de 4,8%, enquanto que, para o Brasil, espera-se uma porcentagem de 3,3%.

O trabalho continuará apresentando importância fundamental, não apenas na história da China, como também em seu crescimento político-econômico, e, por consequência, permanecerá fator essencial para o protagonismo chinês no cenário internacional.

Quer saber mais sobre a China e sobre importações? Continue ligado no blog!

 

Por Ana Yamashita, diretamente de São Paulo, SP, Brasil

Fontes: Advantour; SupChina; En People; China Link Trading; Time

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