A influência da Qiu Jin e o Dia Internacional da mulher na China

O mês de março tem recebido destaque em diversos países devido ao Dia Internacional da Mulher, especialmente por se tratar de uma data marcada pela luta das mulheres por direitos igualitários entre indivíduos do sexo masculino e do sexo feminino. A China, um país com costumes distintos quando comparado aos países ocidentais, tem apresentado progressos quanto aos direitos das mulheres que residem neste país.

Contudo, apesar destes progressos em relação ao feminismo chinês, as mulheres da China ainda enfrentam problemas estabelecidos pela sociedade ainda bastante patriarcal.

 

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O papel das mulheres e a sociedade patriarcal chinesa – Fonte: Pixabay

 

O Dia Internacional da Mulher celebrado ao redor do mundo

A data de 8 de março é celebrada mundialmente como o Dia Internacional da Mulher devido aos vários acontecimentos que marcaram o século XX. Dentre estes vários acontecimentos, o incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist, que ocorreu na data de março de 1911, na cidade de Nova York, foi um dos mais marcantes. Este incêndio matou cerca de 149 pessoas, sendo a sua maioria mulheres e, consequentemente, revelou as duras condições de trabalho às quais as mulheres eram submetidas no local.

A celebração referente ao dia 8 de março teve início alguns anos após este incidente, principalmente com a ocorrência de várias movimentações sociais e protestos, realizados entre 23 de fevereiro a 8 de março, na Rússia. Estas movimentações acarretaram algumas mudanças positivas para a Rússia, tais como a abdicação do czar russo na época e o estabelecimento de um governo provisório, com o direito ao voto às mulheres no país.

Finalmente, em 1975, a data de 8 de março foi incorporada e oficializada pela ONU como o dia que representa a luta por direitos iguais às mulheres, relembrando ano após ano que tal igualdade ainda não foi possível de alcançar.

 

E como é celebrado o Dia Internacional da Mulher na China?

 

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O Dia Internacional da Mulher na China – Fonte: Pixabay

 

O Dia Internacional da Mulher foi introduzido no calendário nacional da China no ano de 1922. Atualmente, este dia apresenta um peso comercial muito grande devido ao  marketing para o aumento das vendas de produtos fabricados para o público feminino. Desta forma, assim como em muitos países ao redor do mundo, diversos homens chineses compram presentes às mulheres nessa data. Outro aspecto positivo para as mulheres da China é um feriado de meio período estabelecido pelo país, onde estas são dispensadas de trabalharem durante metade do dia.

 


O feminismo na China e a influência da Qiu Jin           

Apesar da China apresentar costumes praticamente pratiarcais, as mulheres da China podem se espelhar em uma ativista radical dos direitos da mulher, que foi capaz de desafiar a tradição chinesa e se tornar líder de um exército revolucionário. Esta ativista cujo nome era Qiu Jin (秋瑾) (1875-1907), atualmente é conhecida como a “Joana Chinesa de Arc”, “A Mulan dos dias modernos” ou “A primeira feminista da China”, pois se tornou uma líder revolucionária na dinastia Qing da China e foi capaz de desafiar ousadamente os papéis tradicionais de gênero e requerer direitos e oportunidades igualitárias para as mulheres da China.

 

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O papel da Qiu Jin para as mulheres da China – Fonte: NyTimes

 

Qiu Jin tornou-se uma figura exemplar para as mulheres da China, pois foi a primeira mulher a liderar uma revolta armada contra a corrupta Dinastia Qing. Embora Qiu Jin tenha sido  presa e executada, esta se tornou a primeira mártir feminina da Revolução de 1911 na China. Atualmente, Qiu Jin é celebrada como uma heroína em âmbito nacional.

 

O histórico de Qiu Jin e seus esforços em busca de uma sociedade igualitária

Qiu Jin foi oriunda da província de Fujian, localizada no sudeste da China. Assim como a maioria das mulheres da China, sua infância foi marcada pelos costumes sociais tradicionais. Aos 21 anos, Qiu Jin foi obrigada a se casar com um homem que seu pai arranjou, mesmo sendo um exemplo de mulher que almejava lutar pelo feminismo e direitos da mulheres, principalmente após estudar a literatura feminista minuciosamente.

Na mesma época, a China estava vivenciando um período de mudanças substanciais mesmo depois de quase 300 anos sob governo da corrupta dinastia Qing.

Qiu Jin não suportava o marido e a ideia de ser tratada como submissa a ele. Devido às circunstâncias de sua vida, Qiu Jin abandonou o seu casamento, vendeu suas joias para conseguir dinheiro e se mudou sozinha para Tóquio, no Japão.

A chegada de Qiu Jin em Tóquio foi marcada por sua entrada em várias sociedades secretas dedicadas a derrubar o governo chinês. Durante este mesmo período, Qiu Jin estudou artes marciais e, por admirar muito a guerreira chinesa que se vestiu como homem para assumir o lugar do pai no exército conhecida como Hua Mulan, Qiu decidiu usar roupas de homem e isto virou sua marca registrada. 

Com o intuito de alcançar várias mulheres com suas ideias inovadoras a respeito do feminismo, Qui Jin escreveu ensaios e poesias para as mulheres que eram capazes de ler e, também, fez discursos animados sobre os direitos femininos às demais que não sabiam ler.

Em 1906, Qiu retornou para a China, e começou uma revista feminista em busca do encorajamento das mulheres quanto às questões voltadas à educação, empregos e independência financeira. No ano seguinte, Qiu Jin foi presa e acusada do crime de escrever dois poemas revolucionários. Apesar de sua execução ter chocado a nação chinesa, em 1911, quatro anos depois da morte de Qiu, houve uma revolução que transformou a China de forma positiva para os objetivos que Qiu Jin buscava.

O exemplo de Qiu Jin, que desafiou os padrões de uma sociedade completamente patriarcal de sua época e tornou-se uma heroína na luta contra o autoritarismo da Dinastia Qing, será cada vez mais divulgado fora da China com um documentário produzido em 2009, o qual traz à vida novamente essa importante personagem na história chinesa. “Autumn Gem“, o documentário sobre a vida de Qiu Jin, recebeu boas críticas e estimula boas reflexões sobre o papel protagonista de muitas mulheres na história, mas que infelizmente ainda é negligenciado.

 

O feminismo chinês nos dias de hoje

A figura submissa das mulheres da China não permanece mais a mesma, especialmente por causa das transformações políticas, econômicas, sociais e tecnológicas do país. As mulheres da China têm aprendido a ser posicionar a respeito de seus anseios e objetivos pessoais e profissionais. Exemplos como a Qiu Jin são impulsionadores para estas mudanças visíveis no  posicionamento das mulheres na China e a tendência é que estas mudanças continuem crescendo nos próximos anos para o alcance de uma maior igualdade entre homens e mulheres.

 

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As mudanças no posicionamento das mulheres da China – Fonte: Pixabay

 

Embora a China seja uma sociedade predominante patriarcal, não se pode ignorar que as desigualdades existentes entre gêneros não são exclusividade da China. Portanto, a data do “Dia Internacional da Mulher” deve ser apenas mais um dia para representar a necessidade pela igualdade de direitos, sendo que esta igualdade deve ser relembrada todos os dias e, não  exaltada apenas uma vez ao ano.

E você, homem ou mulher, qual é a sua opinião sobre o feminismo na china?

 

Por Laura Mochiatti Guijo, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: Veja, Pixabay, Estadão, Notícias Terra, Autumn-Gem, NyTimes

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