Deficientes na China: negados pelos pais e pelo país

Na China, assim como no mundo todo, é frequente o nascimento de crianças com inaptidões mentais ou físicas. Os deficientes na China sofrem com a rejeição que está intrínseca na sociedade, mais que em alguns locais do mundo. É comum encontrarmos em orfanatos adultos chineses que foram abandonados quando crianças – e nunca foram adotados.

 

deficientes na China
Deficientes na China: o orfanato de Liming nunca deixou de acolher uma pessoa

 

A realidade dos deficientes na China

A sociedade é extremamente intolerante com deficientes na China. Todo ano, pelo menos 10.000 crianças são abandonadas em orfanatos chineses, e desses, 98% são portadores de alguma deficiência. 85 milhões de pessoas, mais que a população da Alemanha, são deficientes na China. E muito recentemente, até o fim do século passado, essas pessoas eram chamadas de “canfei” – deficientes e inúteis. A cultura chinesa vê os deficientes como sofredores de algum castigo divino ou com um tipo de marca moral, mas que se aplica à família toda.

 

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Em 2013, o governo chinês aprovou determinações que permitem às universidades e escolas a restringir ou até mesmo barrar o acesso de candidatos e estudantes com determinados tipos de deficiência

 

Além dessa dificuldade social, os deficientes na China têm um problema econômico: o acompanhamento médico correto pode custar quase todo o salário de um trabalhador médio, equivalente a 4000 yuans, ou 2200 reais. Mas, infelizmente, a discriminação continua durante toda a vida das pessoas deficientes na China. O Em 2013, o governo chinês aprovou determinações que permitem às universidades e escolas a restringir ou até mesmo barrar o acesso de candidatos e estudantes com determinados tipos de deficiência, sendo ela mental ou física.

 

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A maioria das crianças com deficiência na China são abandonadas e as chances de adoção são mínimas

 

Uma instituição que acolhe esses menores deficientes na China, o Liming, hoje cuida de pessoas entre 2 e 30 anos. Ela fica localizada em Biancun, uma aldeia na província de Hebei. Em locais como esses, as famílias costumam deixar as crianças em caixas ao lado de igrejas ou na porta do orfanato. Infelizmente, a chance de sobrevivência de uma criança abandonada nessa situação é de 1 em 3. Uma das freiras do Liming afirma que o orfanato nunca deixou de acolher uma criança. Entretanto, a probabilidade de adoção é baixa, e se restringe às crianças muito pequenas.

O governo chinês tem se movido para mudar a situação dos deficientes na China. Em 2008, foi aprovada uma lei que proíbe a discriminação de portadores de deficiência. Em 2014, o governo chinês iniciou a abertura de 25 postos que permitem que os pais deixem, com segurança, filhos indesejados. Nos primeiros 15 dias de funcionamento, um desses postos receberam de 4 a 5 bebês por dia. Funciona assim: os pais chegam, colocam o bebê na incubadora e apertam um botão de alarme, depois vão embora. Alguns minutos depois, uma enfermeira vem buscar o bebê, e os pais permanecem anônimos.

 

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O governo busca implementar políticas para acabar com o preconceito e o abandono de deficientes na China

 

Mesmo com todo esse trabalho de mudança, há histórias controversas. Em 2015, uma idosa de 65 anos foi punida por adotar 39 bebês deficientes na China, na aldeia de JiuJiu ao norte do país. Ela conta que há 40 anos, encontrou a primeira criança na beira da estrada e a trouxe para casa, e a partir daí não parou mais. Mas para as autoridades, ao invés de um ato de caridade, a mulher infringiu as leis de adoção do país, que permitem a adoção de no máximo 3 crianças por família.

Há muitas contradições no tratamento de pessoas deficientes na China, tornando a vida destes cidadãos ainda mais complicada. E você? O que acha desse assunto? Deixe um comentário!

 

Por Ana Luiza Garcia Lachner, de Marília, SP.

Fontes: El País, BBC e R7.

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