Dança na Praça – Nova tendência na China

Quem já teve a oportunidade de visitar a China provavelmente já viu grupos de senhoras e senhores, espalhados por praças públicas, se exercitando logo de manhãzinha, ou de noite. É costume dos chineses se alongarem, praticar Tai Chi Chuan, e também dançar em grupos nos espaços públicos logo cedo. Mas uma atividade está ganhando destaque por todo o país, com cada vez mais adeptas (normalmente chinesas de meia-idade, na sua maioria aposentadas), e também recebendo muitas críticas: é a Dança na Praça.

danca na praca

O nome é uma tradução de 广场舞 (guǎngchǎng wǔ) que literalmente significa Dança na Praça Pública. É praticada pelas senhorinhas chinesas que se dividem em grupos, espalhados por diversos cantos das grandes cidades chinesas, e seguem uma coreografia padrão acompanhando as músicas, usualmente tocadas em caixinhas de som portáteis, ou grandes alto-falantes, dependendo da quantidade de senhoras.

O número estimado de dançarinas é de mais de 100 milhões, segundo o canal de televisão oficial da China, o CCTV. O repertório conta com músicas populares chinesas, tanto históricas, quanto atuais. Os locais variam de praças, a parques ou até estacionamentos, basicamente: onde houver espaço.

As raízes da Dança na Praça na Cultura da China

Este hobby começou em meados dos anos 90, quando as mulheres chinesas de meia-idade tiveram que se aposentar e começaram a dançar para se manterem ocupadas.

A prática, no entanto, tem suas raízes na história antiga e moderna da Cultura da China. Há dois milênios algumas repetições de exercícios lentos eram recomendadas para a população, a fim de prevenir doenças nas articulações e fortalecer os músculos, principalmente nos períodos de longas chuvas e nevascas, já que poderiam ser praticadas dentro de casa. Com o tempo, esses exercícios tomaram ritmo e harmonia, passando a se caracterizar como um tipo de dança.

Já no período Maoísta, principalmente durante a Revolução Cultural, uma das tradicionais danças chinesas em grupo foi usada como propaganda do governo e sua prática foi divulgada e incentivada por todo território chinês, tanto nas áreas rurais, quanto nas emergentes áreas urbanas. Muitas das senhoras que hoje dançam nas praças eram crianças ou jovens quando dançavam para propagar a Revolução, e confirmam que a nostalgia é um dos motivos que as levam a dançar novamente.

 Críticas e controvérsias

A partir de 2010 a prática começou a receber críticas por conta da poluição sonora, pelas pessoas que moram próximas aos locais escolhidos pelas mulheres. Houve, por conta das reclamações, alguns episódios onde as senhoras dançarinas defenderam violentamente seu espaço e sua dança.

danca na praca

Entretanto, nas grandes cidades da China, não há muitos espaços dedicados a esses tipos de atividades, restando apenas os espaços públicos para os grupos de dança. Também há uma lacuna de oportunidades sociais para os aposentados, principalmente as mulheres.

Também houve brigas entre diferentes grupos que dividem as mesmas praças ou parques, por causa do espaço ou até mesmo estilo musical tocado, o que resultou em diversas ocasiões em que a polícia teve de intervir. Há pouco espaço para muitas dançarinas, de distintos grupos.

Regulamentação da Dança na Praça

Em 2015, o Ministério da Cultura da China tomou medidas para tentar regular a prática da Dança na Praça e evitar maiores problemas. Foi divulgada uma lista de 12 coreografias que estão autorizadas pelo governo para serem praticadas nos locais públicos. Um modelo de rotina elaborado por especialistas também foi divulgado para padronizar a prática e torná-la mais unificadora e saudável.

danca na pracaEssa intervenção do governo recebeu diversas críticas, já que não resolve o problema da poluição sonora e limita a liberdade das dançarinas de escolher sua própria rotina. Deixou também muitas dançarinas infelizes, já que limitou o repertório e a espontaneidade que a Dança na Praça possui.

Um exemplo que ocorreu em novembro, após a regulamentação, foi a unificação da coreografia da famosa música chinesa Xiao Pingguo, que rendeu até um recorde mundial com mais de 18000 chinesas dançando  juntas, na cidade de Xianghe, na província de Hebei.

As dançarinas também afirmam que se sentem mais felizes, bem-humoradas e saudáveis. Aparentemente, é uma tendência que veio para ficar marcada na Cultura da China.

Fontes: Diário de Notícias, China Smack, Shangaiist

 

Por Ingrid Torquato, diretamente de Marília, SP, Brasil

 

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