Crise nos negócios entre China e Estados Unidos e os benefícios ao Brasil

 

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Crise na nova Rodada de Negociações. Fonte: G1

Depois de um longo e sinuoso trajeto de negociações entre a China e os Estados Unidos, desembocando até mesmo em uma guerra comercial, as relações bilaterais entre os dois países voltaram a sofrer novos entraves.

Neste dia 1 (primeiro) de maio, em uma quarta-feira, representantes dos Estados Unidos e da China se reuniram em Pequim a fim de prosseguirem com uma nova rodada de negociações, além de tentarem dar cabo à guerra comercial entre os países, ocasionando um possível acordo comercial bilateral. A delegação foi liderada pelo secretário do Tesouro, Steven Mnuchin e, por meio de declarações do secretário e do próprio presidente Donald Trump, as negociações estariam chegando ao fim; o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang também reiterou os desejos de êxito durante as negociações. Já no dia 2 (dois) de maio ocorreram declarações mútuas de ambos os representantes dos países afirmando que a 10ª (décima) Rodada de Negociações estava encerrada, sem maiores detalhes, apenas foi dito que as negociações teriam sido produtivas, além de desejarem êxito para a 11ª (décima primeira) Rodada de Negociações, a ocorrer no dia 8, na cidade de Washington, Estados Unidos.

 

Uma guinada negativa na Rodada de Negociações Estados Unidos-China

No dia 5 (cinco) de maio o presidente Donald Trump ameaçou subir tarifas sobre produtos importados na China, a alta passaria de 10% para 25% sobre US$ 200 bi em produtos chineses, caso que foi visto como uma pressão sobre a rodada de negociações que viria a ocorrer na semana seguinte. Logo após o ocorrido, a delegação chinesa anunciou que ainda iria para Washington, mas sem especificar a data, além de não responderem com medidas recíprocas. No dia seguinte, 6 (seis) de maio, a China já anunciava que estaria estudando um atraso ou cancelamento das negociações comerciais com os Estados Unidos. Entretanto, no dia 8 (oito) de maio, o chefe negociador chinês anunciou que iria para Washington. Liu He teria reuniões agendadas com o chefe negociador americano, o Representante de Comércio Exterior, Robert Lighthizer e com o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin.

No dia seguinte, o presidente Donald Trump afirmou que recebera uma carta do presidente Xi e que estaria disposto a trabalharem juntos, o presidente ainda acrescentou que caso não houvessem avanços, ele aumentaria as tarifas sobre importações chinesas, os chefes negociadores teriam se reunido no mesmo dia para iniciarem as novas negociações. A posição chinesa nesse ínterim sempre foi de manter suas promessas e apostar na confiabilidade entre as partes. Na sexta-feira, 10 (dez) de maio, os Estados Unidos cumpriram com as ameaças e impuseram um aumento de 25% nas tarifas sobre as importações chinesas, mesmo as conversas entre representantes de ambos os países não seguraram o aumento prometido pelo presidente. A quebra de uma trégua aumentou as incertezas quanto a um acordo final entre os dois países.

 

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A China esperava encontrar uma solução no diálogo. Fonte: G1

A China lamentou todo o ocorrido e, apesar de concordarem em seguirem com a rodada de negociações na sexta-feira, o país também iria adotar “contramedidas necessárias”. De um lado, o comunicado chinês afirmou que as rodadas estariam em desenvolvimento e que o país esperava encontrar uma solução no diálogo; do outro lado, Trump afirmou que não teria pressa alguma em finalizar um acordo com a China. A rodada de negociações em Washington encerrou com dizeres de ter sido “construtiva”, apesar de nenhum acordo ter entrado em vigor. O dia encerrou e entrou em vigor no dia 11 de maio as novas tarifas sobre importações. Ainda assim, o vice-primeiro-ministro chinês e líder negociador do país, Liu He, disse que não é o fim das negociações e que elas irão ser retomadas em Pequim brevemente.

 

Negociações entre Estados Unidos e China beneficiam Brasil em curto prazo

A guerra comercial travada ao longo dos últimos anos, apesar de ser negativa para todo o comércio internacional, traz benefícios ao Brasil no curto prazo, este dado foi apontado pela Confederação Nacional da Indústria. A disputa entre as duas maiores economias do mundo elevou as exportações brasileiras em R$8,1 bilhões em 2018.

 

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As exportações brasileiras aumentaram em detrimento da Guerra Comercial. Fonte: G1

 

Apesar, então, da guerra comercial não ser um bom indicativo para as negociações internacionais entre Brasil, China e Estados Unidos (e para os demais países em geral) o Brasil tem sido beneficiado, em certa medida, inclusive a China, como um dos maiores compradores brasileiros, aumentou sua compra de soja em relação a 2017. Além da soja, o Brasil também ganhou mercado na China em carne bovina, miudezas de carnes de frango, algodão, suco de laranja etc., o que torna a guerra comercial Estados Unidos e China, sob certa medida e a curto prazo, um negócio lucrativo para o Brasil.

 

Por Lucas Lima da Cruz, diretamente de Marília, SP – Brasil.

Fontes: China Link Trading

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