Crise brasileira: solução na China?

O relatório de dezembro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) pode lançar luzes sobre a atual crise brasileira, ao chamar a atenção para uma estabilização da economia chinesa após um período de desaceleração, além de um leve crescimento de estabilidade do Brasil. Em contraposição, apontou uma queda no índice de países como Estados Unidos, Grã-Bretanha e Rússia. Diante dessa perspectiva otimista, Ángel Melguizo, chefe da unidade da América Latina da OCDE, afirmou que intensificar as relações comerciais com a China seria decisivo para que o bloco latino-americano, e, principalmente, o Brasil, voltasse a crescer economicamente.

crise brasileira

 A China é comprovadamente o principal aliado comercial brasileiro. Somente no ano de 2014, 18% das exportações brasileiras tiveram como destino o mercado chinês, enquanto 16% das importações tiveram origem no país asiático. Em sua maioria, a exportação brasileira à China é de commodities, produtos de menor valor agregado, e que, nos últimos anos, vêm sofrendo maior queda no mercado internacional, o que contribui para a situação de crise brasileira. Além disso, o período de desaceleração do crescimento do gigante chinês pode também ser considerado como um importante fator de influência sobre a atual conjuntura econômica brasileira.

OCDE

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), fundada em 14 de dezembro de 1961, é composta por 34 países, os considerados mais industrializados do mundo e alguns emergentes. China e Brasil não são membros da OCDE, mas atuam como key partners, podendo realizar participações seletivas em Comitês e outras áreas de trabalho da organização. Tal status foi concedido à China e ao Brasil em maio de 2007, quando a OCDE aumentou sua atenção à cooperação com os dois países, além da África do Sul, Índia e Indonésia. Os estudos e análises acerca desses Estados têm sido intensificados nos últimos anos por parte da organização, que produz relatórios mensais, a fim de capturar pontos de virada na economia internacional.

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Durante crise brasileira, país deveria

investir também em novos setores

Ángel Melguizo também afirmou diante do mesmo relatório da OCDE, que um maior enfoque do Brasil em intensificar o comércio de mercadorias de maior valor agregado à China seria uma opção de destaque para tentar superar a atual crise brasileira. Segundo ele, o processo de urbanização e reafirmação da classe média chinesa representaria maiores oportunidades para que países latino-americanos ingressem em novos setores do mercado doméstico da China, além de estreitar ainda mais parcerias de financiamento chinês em projetos de infraestrutura.

As relações financeiras entre China e Brasil, que já eram significativas nos últimos anos, chegando a representar 1% do PIB brasileiro, apresentariam a tendência de aumentar. Com a atual desvalorização do real frente ao dólar, firma-se um cenário promissor para atrair a atenção externa ao país: ficou mais barato investir no Brasil. Segundo previsões, os investimentos chineses continuarão altos nos já tradicionais setores de energia, mineração e infraestrutura, mas também serão ampliados a outras áreas. Turismo (hotéis), aviação, transportes e alimentos são alguns dos outros segmentos que estão chamando a atenção do capital chinês.
Mesmo com esse amplo leque de setores, as commodities não deixarão de ser destaque na relação comercial entre os dois países. Somente no mês de novembro desse ano, a exportação de soja para a China cresceu 297% em comparação ao mesmo período de 2014, cerca de 2,14 milhões de toneladas. O total nos onze primeiros meses de 2015 de soja vendido para o mercado chinês foi de 39,6 milhões de toneladas, um crescimento de 22,7%. A desvalorização do real, por exemplo, seria um fator decisivo para a preferência pela soja brasileira, frente a outras nações, como a estadunidense (importação de soja dos Estados Unidos pela China caiu aproximadamente 9% somente em novembro desse ano).

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Acordos favoráveis ajudarão para

o fim da crise brasileira?

Ajudando a tornar ainda mais favorável esse maior desenvolvimento do comércio entre os dois países, pode-se ressaltar a atuação governamental de seus representantes políticos, como com a atualização de 35 acordos de cooperação que compõem o Plano de Ação Conjunta 2015-2021, firmado em maio entre China e Brasil. Neles, são previstos U$53 bilhões de investimento em oito áreas: planejamento estratégico, infraestrutura, transporte, agricultura, energia, mineração, ciência e tecnologia e comércio. Assim, é possível perceber que China e Brasil caminham para um cenário promissor de maior aproximação e cooperação entre os dois países, o que pode auxiliar no crescimento econômico das duas nações e no processo para o fim da crise brasileira, como prevê a OCDE. Para se desvencilhar da atual crise econômica, é indiscutível o papel de protagonismo das relações comercias com a China para o Brasil, e para o gigante chinês, agora desacelerado, é inegável que a atual conjuntura vivida pelo parceiro sul-americano pode ser associada a um substantivo: oportunidades.

Por Camila Sakamoto, diretamente de São Paulo, SP, Brasil

Fontes: BBC, Exame, globo.com, Ministério da Fazenda, OCDE

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