July 20 2017

Crescimento econômico chinês: ultrapassando todas as expectativas

Posted by Ana Yamashita

A economia chinesa, mais uma vez, ultrapassou as previsões de crescimento e tem dado indícios do que pode ser esperado para o final do ano. Que a China é um grande dragão que tem tido, por décadas, um surpreendente crescimento econômico não é nenhuma novidade. Entretanto, nos últimos anos, a economia chinesa tem enfrentado uma gradual desaceleração, o que, segundo o presidente chinês, Xi Jinping, representaria uma “nova normalidade”, isto é, um período de crescimento, mas não com o mesmo ritmo. Dessa forma, diante da recente desaceleração, a taxa de crescimento do último trimestre tem surpreendido especialistas.

 

crescimento econômico

Mesmo diante de uma desaceleração em seu crescimento econômico, a China continua ultrapassando expectativas

 

A economia chinesa atingiu um aumento do seu Produto Interno Bruto (PIB) em relação ao mesmo período do ano passado e em linha com o crescimento econômico do primeiro trimestre. Conforme dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas, a China cresceu 6,9% neste segundo trimestre, enquanto que, em 2016 a taxa foi de 6,7%. Mesmo neste ano, de abril a junho, a expansão foi de 1,7% em relação ao trimestre anterior.

Apenas em junho, a produção industrial teve alta de 7,6%, e as vendas no varejo também subiram 11% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ambas correspondem em grande parte ao PIB chinês. Além da elevação da taxa, houve um significativo aumento do investimento de empresas privadas na produção industrial. Esse desempenho representa uma grande surpresa para analistas e para o próprio governo.

 

Quais eram as expectativas para o crescimento econômico chinês?

Segundo analistas da Reuters e do The Wall Street Journal, esperava-se um ritmo mais fraco em relação ao primeiro trimestre, o qual demostrou um crescimento de 6,9%, tendo previsto 6,8% no período entre abril e junho. Em contra partida, o governo chinês, assumindo essa “nova normalidade”, tem almejado uma expansão de 6,5% neste ano – menor do que os 6,7% do ano passado, o que representa o ritmo mais fraco em 26 anos. Ainda que superado todas as expectativas, não há um consenso quanto à previsão para o balanço geral de 2017.

 

O que isso indica para o fim do ano?

Alguns analistas indicam que, mesmo a China lutando para controlar o crédito excessivo e um mercado imobiliário superaquecido, esse desempenho deixa claro que não houve desaceleração no crescimento e que, portanto, Pequim pode ser capaz de manter a estabilidade. Os resultados do segundo trimestre têm espantado analistas que previam números menores e que, dessa forma, indicam que o país poderá alcançar confortavelmente seu objetivo de crescimento em 2017.

Segundo Xing Zhinhong, porta-voz do Escritório Nacional de Estatística da China, a economia chinesa está operando dentro de um alcance razoável, mantendo um desenvolvimento sustentável, coordenado e estável. Diante desse aumento, as agências de consultorias financeiras têm revisado suas previsões de crescimento econômico para a China. A previsão para o próximo semestre passa de 6,6% para 6,8%, enquanto que o crescimento anual de 6,7% para 6,8%.

A China tem criado cerca de 7,35 milhões de novos empregos nas regiões urbanas no período de janeiro a junho deste ano, o que corresponde 180 mil a mais do que o mesmo período do ano passado. Da mesma forma, a renda per capita cresceu 8,8%. Dentre os objetivos deste ano estavam a criação de 11 milhões de empregos, isto é, 1 milhão a mais do que o mesmo no ano anterior. Segundo o porta-voz, Xing, ainda há mudanças positivas no caminho e o fortalecimento será consolidado a partir da expansão da demanda externa e do sólido consumo doméstico.

 

crescimento econômico

Mesmo diante de incertezas, a economia chinesa continua a surpreender

 

Em contra partida, outros economistas apontam que a desaceleração gradual do crescimento econômico chinês está atrelada ao enfraquecimento do setor imobiliário, à moderação da demanda doméstica e às incertezas diante da demanda externa. Desse modo, o aumento dos gastos de financiamento e a redução no mercado imobiliário poderão ser um peso para o crescimento do próximo semestre.

Na medida que o crédito tem se tornado mais difícil diante de restrições estabelecidas por governos locais, a desaceleração no investimento imobiliário tem sido um aspecto chave para aqueles analistas que preveem a diminuição do ritmo do crescimento econômico chinês até o fim do ano, visto que o setor imobiliário representa uma grande parcela do PIB. A economista da Commerzbank AG, Zhou Hao, defende que, mesmo que a economia esteja em uma fase melhor, a desaceleração é inevitável e até mesmo é provável que o setor financeiro contribua para isso.

Portanto, ainda que não se tenha uma visão homogênea na perspectiva futura, é importante destacar que mais uma vez a China vem surpreendendo a todos, mesmo diante da adversidade, e os resultados desse trimestre podem dar indícios do que virá a ocorrer nos próximos seis meses.

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Por Anna Carolina Monéia, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: Folha de São Paulo, Indian Express, The Australian.

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