May 29 2018

Coprodução cinematográfica Brasil-China: Um acordo cultural de abertura

Posted by Ana Yamashita

Vemos frequentemente um aumento nas produções cinematográficas brasileiras, que recebem apoio público e contribuem para o PIB (Produto Interno Bruto) do país. Contudo, podemos não saber que o Brasil faz acordos com outros países com o intuito de realizar cooperações e expandir o mercado na área da produção cultural, e, em especial, do cinema. Assim, um exemplo de tais iniciativas tomadas pelo Brasil foi a assinatura do acordo de coprodução cinematográfica Brasil-China.

 

Coprodução cinematográfica Brasil-China

A proximidade entre Brasil e China chega em um acordo de coprodução cinematográfica Brasil-China (Imagem by Casa Blanca Turismo).

 

A ação supracitada promete ser vantajosa para os dois países e também para os produtores de ambos. Ademais, a coprodução cinematográfica Brasil-China pode ser muito vantajosa para os brasileiros, devido ao grande mercado que a China oferece com sua enorme população.

 

Esforços para a realização do acordo de coprodução cinematográfica Brasil-China

O Brasil já era signatário de um acordo multilateral e de 12 acordos bilaterais de coprodução internacional, porém, nenhum desses acordos tinham como parte algum país da Ásia Oriental. No entanto, sempre houve um esforço para aumentar as relações com os chineses na área da cultura, pois o Brasil já tinha outros nove acordos em tal área, e, no ano de 2004, foi criada a Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), focada no aprofundamento das relações entre Brasil e China, que tem uma subcomissão voltada para a cultura.

Já o acordo de coprodução cinematográfica Brasil-China passou por um longo processo, em que o mesmo começou a ser negociado pelo Ministério da Cultura por meio de seu órgão vinculado, a Agência Nacional do Cinema (Ancine), há mais de uma década.  Ademais, no ano de 2007, uma mostra de filmes brasileiros foi organizada na Embaixada do Brasil em Pequim e o Brasil foi homenageado no Festival de Cinema de Shanghai.

Por fim, o esforço, desempenhado pelo Ministério da Cultura e pela Ancine, aumentou com o objetivo de chegar ao texto final e possibilitar a assinatura do acordo em parceria com as autoridades chinesas e o Itamaraty.

 

O mercado cinematográfico na China e no Brasil

Ao considerar o Brasil, é possível constatar que o setor audiovisual é visto com grande otimismo, pois o mesmo já correspondia, no ano de 2017, a cerca de 0,46% do Produto Interno Bruto(PIB) do país; ao mesmo tempo em que apresenta um grande potencial de expansão e de contribuição para o desenvolvimento nacional.

 

Coprodução cinematográfica Brasil-China

O setor audiovisual é promissor em ambos os países (Imagem by Revista Empresários).

 

Já uma análise sobre a China permite observar que o setor também apresenta grande destaque no país e recebe cada vez maior atenção por parte do gigante asiático. Logo, a China está se destacando na produção cinematográfica e também no consumo das produções desse mercado, devido ao seu desenvolvimento financeiro, atrelado esforço em aumentar a sua força criativa.

Portanto, atualmente, a China alcançou  o segundo lugar em bilheteria no mundo e, de acordo com a última estimativa feita pelos analistas, os números de tal setor no país podem passar a ser considerados maiores que os dos Estados Unidos já em 2018.

Ao considerar os dados do ano de 2015, é observável que a receita com venda de ingressos foi de 44 bilhões de iuanes (US$ 6,4 bilhões), com aumento de 48% em um ano.

Assim, a assinatura do acordo de coprodução cinematográfica Brasil-China se mostra vantajosa para ambos os países, devido ao fato de os mesmos apresentarem um grande otimismo no desenvolvimento de tal setor.

 

O acordo de coprodução cinematográfica Brasil-China

O acordo de coprodução cinematográfica Brasil-China estabelece que as coproduções realizadas por empresas do Brasil e da China terão tratamento nacional em ambos os territórios.

Sendo assim, os filmes realizados conjuntamente serão considerados produtos nacionais em ambos os mercados e  terão acesso aos mecanismos públicos de financiamento disponíveis nos dois países, como, por exemplo, o Fundo Setorial do Audiovisual, que é um meio de financiamento brasileiro.

Além de tais benefícios, o acordo de coprodução cinematográfica Brasil-China possibilita a participação de produtores de países com os quais Brasil ou China tenham firmado acordo de coprodução.

 

Resultados da assinatura do acordo

A assinatura do acordo de coprodução cinematográfica Brasil- China já gerou resultados, e, entre eles, pode ser destacado o longa-metragem brasileiro: Nise – O Coração da Loucura, dirigido por Roberto Berliner, foi exibido em 600 salas de cinema chinesas.

 

 

No primeiro fim de semana de exibição na China, o filme ficou entre os 20 títulos mais rentáveis, segundo o Box Office Mojo, site especializado no mercado cinematográfico mundial.

Dado o exposto, é possível constatar que o acordo de coprodução cinematográfica Brasil-China é mais um ponto de aproximação entre ambos os países, que têm firmado parcerias em diversas áreas. Assim, tal acordo promete ser vantajoso para a China e para o Brasil, no sentido de que os dois países abrem mais oportunidades para a realização de um número maior de produções e possibilitam o maior crescimento dessa área, assim como os lucros obtidos nessas atividades.

Ademais, o acordo representa uma maior oportunidade para as produtoras e pessoas que desejam investir no setor audiovisual e realizar tal coprodução, o que faz com que as obras não alcancem somente às fronteiras e o público nacionais. O Ministério da Cultura espera uma efetiva cooperação entre os setores produtivos dos dois países e que o estímulo à circulação das obras brasileiras no mercado internacional possa ser alcançado.

Quer saber mais sobre a China? Fique ligado no blog!

 

Por Pedro Mochiatti Guijo, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: Ministério da Cultura, G1, JD1 Notícias

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