Comércio petrolífero sino-brasileiro: Brasil supera fornecimento venezuelano

O Brasil tem, cada vez mais, tornado-se um grande parceiro da China quando o assunto é petróleo. A grande demanda chinesa e a exportação brasileira têm atraído também investimentos chineses no país. Em 2017, o comércio petrolífero entre os dois países se mostrou bastante sólido e dá indícios de que poderá manter boas relações para 2018.

 

comércio petrolífero

 

A China se tornou a maior importadora de petróleo no mundo em 2017, ultrapassando os EUA nesse quesito. Foram adquiridos 8,435 milhões de barris por dia, enquanto o país americano importou 7,904 milhões. O crescimento econômico do país asiático também foi acompanhado por um aumento significativo da dependência energética, pois, ainda que seja um país com grande produção, não possui o suficiente para suprir a demanda doméstica; fato que fomentou o comércio petrolífero entre Brasil e China.

Uma das alternativas que a China vem buscando em relação a isso é o desenvolvimento de estratégias alternativas ao petróleo. Mas, de forma geral, a segurança energética é de extrema importância para a estratégia nacional chinesa em diversas esferas, como no setor de segurança nacional e no desenvolvimento de infraestrutura do país.

 

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A crise que a Venezuela está vivendo, associada à uma série de outros fatores, tem intensificado a queda da produção de petróleo e prejudicado a indústria venezuelana deste setor.

 

Em 2017, as exportações brasileiras superaram, por mais um ano, o fornecimento de petróleo da Venezuela para a China, ainda que esta tenha a maior reserva do mundo. Foram exportados 455.338 barris de petróleo por dia no ano passado, segundo dados aduaneiros da China. A Venezuela tem sido, por anos, a maior produtora e exportadora de petróleo na América Latina. Mas, a ascensão do Brasil neste momento se dá em uma fase em que a Venezuela lida com sansões estadunidenses, além de sofrer com uma forte crise econômica.

Em contrapartida, desde 2013, a produção brasileira tem sido crescente frente aos campos do pré-sal, e a China tem sido o principal destino das exportações. A recessão ajudou a reduzir os preços de ativos e atraiu investidores, segundo o Ministério de Planejamento brasileiro.

 

Parceria sino-brasileira no comércio petrolífero

Desde 2004, a relação comercial sino-brasileira tem se apresentado crescente, mas as principais pautas de exportação consistiam basicamente em soja e minério de ferro. O comércio no setor petrolífero é mais recente, uma vez que passou a ganhar mais espaço após a descoberta do pré-sal. Assim, nos últimos anos, as grandes empresas petroleiras chinesas passaram a se interessar e entrar no mercado brasileiro.

 

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Plataforma de Petróleo, Petrobras.

 

Em 2003, o petróleo representava apenas 0,5% do valor total das exportações brasileiras para a China, enquanto em 2010 se expandiu para 13% e, agora em 2017, representa 15%. Diante disso, não há dúvidas que este é um setor em pleno crescimento e que o Brasil vem se tornando cada vez mais importante para a China.

Além do comércio petrolífero, propriamente dito, as ações chinesas nesse setor, segundo o estudioso do tema Si Liao, consistem em: “financiamentos de projetos de infraestrutura; fornecimento de empréstimos; doações ou realização de compra e/ou troca de venda de petróleo; oferta de serviços dos bancos chineses para financiar projetos de infraestrutura; incentivar o turismo chinês e ainda; possibilidade de fornecimento de mão de obra própria na construção de obras”.

Isto porque o interesse dos chineses nesta parceria com o Brasil vai além do comércio e importação do petróleo, uma vez que há também interesse em atividades de investimento neste setor e na infraestrutura nacional de transporte de petróleo e seus derivados.

 

Investimentos chineses no Brasil

A estratégia política chinesa de investimentos diretos no exterior tem sido fortemente crescente nos últimos anos. O setor de petróleo tem recebido bastante importância nessa onda de investimentos chineses pelo mundo. No Brasil, pode-se observar uma crescente participação de empresas chinesas no pré-sal brasileiro.

 

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Em 2017, os investimentos chineses atingiram sua máxima de sete anos – desde 2010. A China investiu US$20,9 bilhões no Brasil, sendo a maior parte nos setores de energia, logística e agricultura. De 2003 a 2017, a China esteve envolvida em 250 projetos no Brasil com valor total de 123,9 bilhões de dólares. Até agora, 93 projetos já foram confirmados, totalizando U$53,3 bilhões.

A América Latina e o Caribe são a segunda região do mundo com maiores investimentos chineses nesse ano, perdendo apenas para a Ásia. Desses, grande parte são destinados ao Brasil. A Venezuela, maior importadora do mundo e com volumes recordes de envio de petróleo para a China, tem sido desbancada pelo Brasil pelo segundo ano em fornecimento de petróleo à China, facilitando ao Brasil um maior destaque neste setor na América Latina. Da mesma forma, evidencia o fortalecimento das relações comerciais bilaterais com a China sobre o petróleo, bem como exprime a sua importância para ambos os países.

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Por Anna Carolina Monéia Farias, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: Parceria Brasil-China: A questão do petróleo; O Petróleo; O Globo; Reuters; Agência Brasil; Jornal de Negócios

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