Fevereiro 07 2018

Comércio exterior entre China e América Latina

Posted by Victor Fumoto

O comércio exterior recebeu novo destaque nas últimas semanas, graças ao Fórum Econômico Mundial, sediado em Davos, na Suíça. Ao lado das manchetes polêmicas sobre as palavras do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o primeiro ministro chinês, Wang Yi, fez um discurso focado na globalização, no livre comércio e na cooperação internacional.

A parte mais interessante do discurso de Wang Yi foram as menções ao comércio exterior com a América Latina. O histórico das relações comerciais entre as duas regiões teve um grande salto em 2014, quando superou os 200 bilhões de dólares. No último ano, as exportações latino-americanas para a China cresceram mais de 30%; o país oriental já é o principal parceiro comercial de Chile e Peru.

 

Como é o comércio exterior entre China e América Latina? E com o Brasil?

 

comércio exterior

 

De forma geral, o comércio exterior entre China e América Latina se pauta principalmente em commodities – produtos uniformes, que não dependem de origem ou marca; o exemplo mais famoso é o petróleo. As principais mercadorias importadas pela China são minérios e grãos; em contrapartida, os produtos que chegam à América Latina são, em sua maioria, eletrônicos e máquinas. A curiosidade é que o valor das importações chinesas ultrapassa os 100 bilhões de dólares, enquanto as importações latino-americanas giram em torno de 110 bilhões, o que faz com que a balança comercial entre as duas regiões seja positiva para o lado chinês, movimentando mais de 200 bilhões de dólares (dados de 2016).

Quando se fala em Brasil, as relações também são positivas e seguem o mesmo padrão da maioria dos outros países latino-americanos. O Brasil também se destaca ao exportar commodities para a China, enquanto o fluxo contrário é composto por produtos eletrônicos e manufaturados. Essas trocas atingem valores muito altos, de cerca de 39 bilhões de dólares, o que torna a China o maior parceiro comercial brasileiro, seguido por Estados Unidos (24 bilhões de dólares) e Argentina (13 bilhões de dólares). É interessante apontar alguns produtos que compõem a balança comercial entre China e Brasil. O setor agropecuário brasileiro exporta uma grande variedade de mercadorias para seu grande parceiro oriental, desde café e chocolate até carne de frango e porco.

 

Como são as relações comerciais com os vizinhos do Brasil?

 

comércio exterior

 

O comércio chinês com os vizinhos do Brasil também apresenta aspectos interessantes. Ainda no setor agrícola, o Chile se destaca, principalmente por exportar cobre e derivados para a China, entretanto, o vinho chileno também é um sucesso no mercado do extremo oriente; peixes e frutos do mar também são importantes no comércio entre as duas partes. Já o Peru também envia muito cobre para as terras chinesas, além disso, são exportadas frutas variadas, com destaque para as uvas, que compõem quase 10% do total exportado para a China em 2016.

As exportações dos outros países do Mercosul para a China apresentam algumas curiosidades, ainda que mantenham o padrão das commodities em primeiro lugar. Mais de 90% das mercadorias argentinas que chegam no país mais populoso do mundo são relacionadas ao setor da soja, entretanto a indústria química tem uma participação interessante nessas relações, com destaque para os medicamentos. Enquanto isso, entre as exportações do Uruguai, a grande maioria do que é enviado se trata de carne congelada.

Entre as exportações chinesas para a América Latina, as mercadorias se repetem entre a maioria dos países. O padrão é composto por produtos manufaturados, entre eles se destacam os setores da telefonia e da informática. Também é possível encontrar, entre os bens que chegam à América: medicamentos, químicos, roupas e até mesmo livros. Essa maior diversificação é muito característica; enquanto os latino-americanos exportam algumas variedades de commodities para a China, o fluxo contrário apresenta uma infinidade de mercadorias de muitos setores diferentes.

O Paraguai apresenta uma das balanças comerciais com a China mais interessante entre os países latino-americanos. As exportações paraguaias seguem o padrão comum entre seus vizinhos, composto por commodities, como a soja, carne, milho e arroz. A parte curiosa está nas importações paraguaias, que além dos tradicionais componentes eletrônicos, e partes de computadores e máquinas em geral, inclui uma parcela considerável de brinquedos.

O comércio exterior entre China e os países latino-americanos é muito relevante e apresenta números que impressionam o mundo todo, mesmo assim, muitos especialistas afirmam que regiões como a África e o Extremo Oriente estão a frente da América Latina entre as prioridades chinesas. Cabe também comentar que houve uma queda nos valores totais do comércio entre as regiões nos últimos anos, desde o auge em 2014 quando as somas chegavam a 260 bilhões de dólares anuais, até o último ano que se aproximou dos 210 bilhões. Entretanto, as previsões para os próximos anos são de recuperação dos grandes valores atingidos no passado recente.

Essas são algumas informações e curiosidades que mostram como a China é um importante parceiro comercial para praticamente todos os países latino-americanos. O posicionamento político do gigante asiático também é essencial para essa relação, pois o país apoia e valoriza muito a globalização, o livre comércio e a cooperação internacional. E para aproveitar essas oportunidades existem empresas como a China Link Trading, especialistas em negócios com a China.

Quer saber mais sobre a China e importações? Continue ligado no blog e não se esqueça de compartilhar conosco sua opinião!

 

Por Victor Silva Mallavazi, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: The Economist; The Atlas of Economic Complexity; Trade Map; UOL

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