Comércio de carnes Brasil-China: um grande negócio com o gigante asiático

O Brasil é um grande produtor de  commodities e grande parte de suas exportações que vão compor a balança de pagamentos do país são de tais produtos. Assim, os principais produtos brasileiros que são vendidos no mercado internacional, são as commodities e entre a numerosa variedade desses bens está a notória participação das carnes bovinas, suínas e de frango, que conquistam cada vez maiores fatias do mercado mundial e, chegou até o gigante asiático e o comércio de carnes Brasil-China.

 

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O Comércio de carnes Brasil-China em ascensão; imagem de Warural.com

 

Apesar das polêmicas que cercaram as carnes oferecidas pelo Brasil, as mesmas que já representavam uma grande participação na balança comercial do país, continuaram ter um valor expressivo, apresentando até mesmo um crescimento em diferentes áreas. Logo, no ano de 2018 houve o registro de crescimento na exportação de carnes por parte do Brasil, além da exploração mais significativa de novos mercados, como é o caso do comércio de carnes Brasil-China.

 

Histórico do comércio de carnes Brasil-China

A velocidade do crescimento das exportações para a China não surpreende ao considerar a dimensão do mercado chinês com sua grande população . Mas, logo que o país asiático autorizou a retomada das importações, analistas apostavam em uma lenta recuperação –os negócios estavam suspensos desde 2012, devido a um caso atípico do mal da vaca louca no Paraná. Na época, a China representava cerca de 1% dos embarques de carne brasileira e, não era esperado que o comércio de carnes  Brasil-China apresentaria um crescimento tão rápido.  

Normalmente, existe uma lacuna entre a abertura do mercado e o aumento dos embarques, de acordo com os especialistas no mercado do agronegócio.As negociações sobre os procedimentos adotados entre as agências de inspeção sanitária e a habilitação de frigoríficos para a exportação costumam demorar. Neste caso, o importador foi ágil. Atualmente, 16 frigoríficos podem exportar para China.

 

Análise do mercado chinês  

Com uma população de 1,3 bilhão de pessoas e um consumo per capita baixo, inferior a 6 quilos por habitante ao ano, analistas acreditam que o apetite chinês só está começando. No Brasil, o consumo per capita de carne bovina varia entre 35 e 40 quilos. A demanda chinesa por carnes ainda tem muito a crescer, agora favorecida por um novo modelo de crescimento, mais voltado ao consumo interno. A China se consolida como um dos principais mercados , e pode ser, inclusive, uma alternativa à Europa na exportação de cortes nobres. Eles estão comprando todos os tipos de corte, e alguns já apresentam um bom patamar de preço.

 

Motivos do aumento do comércio Brasil-China

O comércio de carnes Brasil-China representou um grande aumento favorável para Brasil e, a  principal explicação para a rápida ascensão da China na balança de carne brasileira pode ser a crise em tradicionais compradores do produto, como a Rússia e a Venezuela (com a queda no  preço do petróleo), e o embargo da Arábia Saudita. Com economias altamente dependentes do óleo, esses importadores ficaram mais pobres e frearam as compras. Ao longo do período após 2015, as exportações caíram 57% para a Rússia e 41% para a Venezuela, em comparação com 2014, segundo a Abiec (associação dos exportadores de carne.

Com a possibilidade de exportar diretamente para a China, as vendas para Hong Kong que eram significativas, caíram 44% em 2015. A região, porém, continua absorvendo um importante volume da carne brasileira, sendo o terceiro maior importador. O acordo entre Brasil e China não autoriza a exportação de miúdos e carnes com osso, que continuam entrando no país via Hong Kong. 

 

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O aumento da exportação de carnes para China; imagem de Paranacooperativo.

 

Situação da exportação de carnes do Brasil e destaque do comércio de carnes Brasil-China

A exportação de carne bovina brasileira cresceu 11,1% entre janeiro e julho de 2018, chegando a US$ 3,5 bilhões. Segundo os números do Sistema de Estatísticas de Comércio Exterior do Agronegócio Brasileiro, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, foram vendidas 844 mil toneladas de proteína bovina, 8,3% a mais que no mesmo período do ano passado.     

O país que mais comprou o produto brasileiro foi Hong Kong, com transações de US$ 879 milhões, 29,1% a mais em comparação ao acumulado dos meses de 2017, que resultaram em 212 mil toneladas de carne, aumento de 18,1%. Já a China veio em segundo lugar: foram 158 mil toneladas de carne bovina, alta de 43,8%, com valor negociado 56,4% maior, chegando a US$ 729 milhões.                             

Também se destacou a Alemanha, que importou quase 6 mil toneladas de proteína bovina, totalizando US$ 133,8 milhões — crescimento de 338,4% na quantia paga, além de Egito, Chile, Irã e Estados Unidos. Com 217 milhões de cabeças de gado bovino e bubalino (búfalos), o Brasil e a Índia são os maiores exportadores de carne bovina do mundo, com produção que chega a 1,85 milhão de toneladas, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.  Em julho, a venda de commodities — como carne e soja — teve aumento de 16,5% nos preços e de 21,9% no volume, liderando assim o comércio exterior nacional e puxando o resultado positivo da balança comercial, que fechou o mês com superávit de US$ 4,2 bilhões.

 

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Imagem de Beefpoint

 

Negócios atuais no comércio de carnes Brasil-China

No que diz respeito ao comércio de carnes Brasil-China , o mesmo promete continuar com bastante força. Logo, a empresa JBS (JBSS3) fechou um acordo bilionário com o Alibaba Group, empresa global do e-commerce, para a venda de proteína animal – bovinos, aves e suínos – em território chinês. A negociação foi realizada na China International Import Expo (CIIE) por meio da plataforma Win Chain. O documento teve as assinaturas de Renato Costa, presidente da JBS Carnes Brasil, e Richard Wang, executivo da Win Chain, subsidiária do Alibaba Group. Também participaram do evento executivos da JBS, incluindo Joanita Karoleski, presidente da Seara, Brent Eastwood, presidente da JBS Austrália, e Zhang Ye, CEO da Win Chain.

O acordo representa o maior negócio do segmento já realizado entre Brasil e China. Segundo o documento, o valor dos negócios pode chegar a US$ 1,5 bilhão dentro do período de três anos. Com isso, a empresa brasileira atuará nos mercados B2C e B2B da China, o que acarretará na sua expansão e na valorização da marca Friboi, lançada no país durante a exposição.

Assim, a produção e exportação de carnes por parte do Brasil é muito grande e é muito significante para a balança econômica brasileira, que ainda conquista novos mercados lucrativos. Logo, entre tais mercados se destaca o comércio de carnes Brasil-China, que cresceu ao longo do tempo  e promete permanecer em ascensão.

 

Por Pedro Mochiatti Guijo, diretamente de Marília , SP, Brasil

Fontes: BH1, MoneyTimes, Brasil.gov

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