Com desaceleração, Brics tem como herança comércio Brasil-China

Com a ampliação do comércio entre Brasil e China, que nos últimos anos superou a relação do País com os Estados Unidos, é a principal herança do Bric, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China. Segundo o professor de economia do Ibmec Mauro Rochelin, Brasil e China cresceram exponencialmente desde a primeira vez que a sigla foi mencionada Jim O’Neill, economista do Goldman Sachs, em 2000, que juntou os países em um mesmo grupo devido as altas taxas de crescimento econômico.

De acordo com dado do Ministério da Fazendo, a China é hoje o principal parceiro comercial do País, responsável por aproximadamente 17% do comércio, com US$ 77 bilhões. Em junho, ambos assinaram vários acordos comerciais e anunciaram que vão criar um fundo de troca de moedas locais (swap) no valor de R$ 60 bilhões. Segundo o ministro, a relação entre ambos vai continuar se expandindo.

Para o professor do Ibmec, enquanto as relações entre os países foram aumentando nos últimos 12 anos, o mesmo não ocorreu em ralação aos demais países do Bric, que praticamente ficou estagnada. “Não ocorreram mudanças significativas com Rússia, nem na relação com a Índia, porém a China ocupou o lugar dos Estados Unidos como grande parceiro comercial”, completa.

Com medo da estagnação, investidores são os primeiros a mudar o foco de investimentos dos chamados emergentes. De acordo com dados do Financial Times, japoneses retiraram cerca de US$ 30 bilhões em investimentos do Brasil em menos de um ano. Já a Bloomberg, cita como outros principais fatores de fuga dos Brics a queda nos preços das exportações russas de petróleo, a desvalorização dos imóveis na China, o déficit de orçamento e a desvalorização da rúpida na Índia.

Segundo Paulo Roberto de Almeida, doutor em sociologia e diplomata, dentre os cinco países, apenas China e Índia vêm crescendo de maneira constante nos últimos anos e mesmo assim começam a enfrentar uma baixa de ritmo como consequência da crise das economias americana e europeia.

Para Almeida, o Bric ainda nem se firmou como um grupo econômico. Para que isso ocorra será necessário que os países passem por um processo de integração comercial e de intensificação de intercâmbio. “Para esperar algo do Bric, será preciso que ele tenha um poder de alavancagem sobre a economia mundial que ele ainda não tem. E será preciso que ele ofereça respostas a problemas que não foram vistas ainda”, completa.

Por Douglas Pazelli – Diretamente da China
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